Hoje, o centenário do mestre

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por Oti Santos (*)

Mário Henrique da Cunha, ou simplesmente “Mário Cunha”. Era natural de Boca do Acre (AC), onde nasceu em 15 de março de 1913 e viveu toda a infância. Aos 12 anos, em companhia da família, transferiu-se para a região do rio Tapajós, no Pará.

Com a chegada dos norte-americanos para implantar o projeto de cultivo da seringueira no vale do Tapajós, foi fichado pela Companhia Ford e aproveitado como auxiliar no serviço de topografia do referido projeto, no qual correspondeu plenamente. Razão pela qual foi designado como responsável pelo levantamento topográfico de Belterra, para onde foi transferido.

Em 1938, em companhia de outros desportistas, fundou o União Esporte Clube. Foi o seu primeiro presidente.

Com a extinção da Companhia Ford em 1945, mudou-se para Manaus a convite da firma IBSABA (que monopolizava a comercialização dos derivados de petróleo na região). Como funcionário dessa empresa, retornou ao Tapajós para fazer levantamentos e análises do solo e dos indícios de riquezas minerais.

Anos mais tarde, tornou-se servidor público federal vinculado ao IAN (Instituto Agronômico do Norte), depois transformado em IPEAN (Instituto de Pesquisas e Experimentos Agropecuários do Norte), mais tarde ERT (Estabelecimento Rural do Tapajós) e finalmente vinculado ao Ministério da Agricultura.

Em 1948, liderando um outro grupo de aficionados pelo futebol, implantou ao norte da Praça Brasil o nosso atual campo de futebol, inaugurado pelo União Esporte Clube (time do coração) em partida na qual derrotou o time do Tiro de Guerra por 2×1.

Em 1962, por ato do Ministro da Agricultura, foi designado a responder pela administração da Fazenda Daniel de Carvalho, no município de Aveiro, onde permaneceu até meados dos anos setenta.

Em 1975, retornou para Belterra e logo veio a aposentar-se. Mesmo assim, foi nomeado Comissário de Polícia Civil e com muito denodo desempenhou a missão até 1984, quando pediu exoneração.

Ignorando a condição de aposentado, dado o seu comprometimento com as coisas da comunidade, assumiu ainda, na segunda metade dos anos oitenta, a função de agente municipal (representante da Prefeitura de Santarém) durante a segunda gestão do prefeito Ronan Liberal, sendo o responsável direto pela administração de praças, mercado e cemitério de Belterra.

Em Belterra, tornou-se companheiro da professora Joyalina dos Anjos Feitosa e com ela vieram os filhos Jairo (falecido), Magda e Paulo.

Mário Henrique da Cunha faleceu em Belterra, aos 74 anos, dia 19 de dezembro de 1987.

Em 06.08.1994, o então presidente do União Esporte Clube, Raimundo Ribeiro da Silva, o popular Didico, inaugurou o campo do clube, anexo à sede social e o batiza de “Mário Cunha”.

Em 18.10.2002, então prefeito, determinei ao secretário de Infraestrutura, João Rocha, a abertura de uma artéria nova no centro da cidade, paralela a Vila Mensalista, onde residia o homenageado e, após a aprovação à unanimidade do projeto de lei pela Câmara Municipal, em 18.12.2002, sancionei a Lei Municipal 086, denominando-a de “Rua Mário Cunha”.

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* É jornalista, advogado e ex-prefeito de Belterra.


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5 Responses to Hoje, o centenário do mestre

  • Parabéns ex-prefeito Oti Santos, pelo gesto de reconhecimento público, em ter homenageado a personalidade profissional e humana, cheia de predicados, do cidadão que foi Mário Cunha; a serem seguidos por novas gerações belterense. Quando na gestão administrativa do Dr. Sebastião Andrade (saudoso) e meu irmão médico Dr. Fernandes (saudoso), ia muitas vezes a Belterra (namorar). Éramos torcedores do União Esporte Clube. Tive sim, a oportunidade de conhecer o ilustre e, humilde – “Mário Cunha. Um dia conhecerei com alegria e admiração a “rua Mário Cunha; city Belterra. A cidade de Belterra tem história a ser contada…

  • Oti, encontrei seu Mario Cunha a uns anos atras em frente ao hospital municipal de Belterra. Ele tinha caído e fraturou a perna, se não me engano. Chegou em um carro com sua esposa e filha. Até então não sabia que era ele. Fui ajuda-lo a sair do carro e coloca-lo em uma cadeira de rodas e ele olhou pra mim e perguntou: “Voce não é filho do Ze Maria Cutia?” Sua esposa me olhou espantada e perguntou se era verdade. Eu disse que sim. Ele ja não lembrava de muita coisa mas me reconheceu.

  • Prezado Oti Santos,
    Grato por resgatar a memória do meu querido “Tio Mário”. Quando menino em Santarém, passei várias férias escolares na Fazenda Daniel de Carvalho, onde se pesquisava a criação de búfalos.
    Também estive em diversas ocasiões em Belterra, na época em que o Tio Mário era o comissário e polícia, e tinha especial paixão/dedicação ao União Esporte Clube.
    Abraço fraternal.
    Luiz Aurélio Imbiriba da Rocha.

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