Isoca, 99 anos: teu talento não nega

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Wilson Fonseca
Wilson Fonseca também fez músicas de Carnaval

 

por Vicente Malheiros da Fonseca (*)

17 de novembro de 2011. Se vivo fosse, Wilson Fonseca (maestro Isoca) faria 99 anos de idade na data de hoje.

Em 2003, escrevi sobre as coincidências entre José Agostinho da Fonseca (meu avô), Carlos Gomes, Villa-Lobos e Wilson Fonseca, o Isoca, meu saudoso pai (maio/2003). E outro artigo sobre Isoca e Ary Barroso, quando se comemorava o centenário de nascimento do autor de Aquarela do Brasil (setembro/2003).

Em homenagem ao quase centenário de Isoca, o tema de hoje é sobre velhos carnavais e os projetos idealizados para 2012.

Comemorou-se em 2004 o centenário de nascimento de Lamartine de Azevedo Babo (16.01.1904/16.06.1963), esse notável compositor carioca, autor de memoráveis marchinhas carnavalescas, cantadas até hoje (Teu Cabelo Não Nega e Linda Morena), que tornaram o seu nome mundialmente conhecido como o Rei do Carnaval. Em suas letras, predominavam o humor refinado e a irreverência. Como poucos, Lamartine alcançou os dois extremos da alma brasileira: a gozação e o sentimento. Fez também a maioria dos hinos dos grandes times de futebol (Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo), inclusive do América, seu clube de coração.

Veremos que há incríveis coincidências entre Lalá e Isoca. Embora o santareno tenha nascido 8 anos depois, os dois compositores viveram a chamada “época de ouro” da música brasileira (década de 1930), quando ocorrem diversos fatos importantes na história nacional. A indústria do disco ganha impulso, que incentiva nossos compositores. O rádio vive prestígio idêntico à televisão dos dias atuais. O cinema, que era mudo, moderniza-se com a cena falada, e surgem as primeiras produções nacionais.

O teatro de revista chega ao seu ponto de maior projeção, com a abordagem de repertórios brasileiríssimos, inclusive nos temas musicais, onde se destacam o maxixe, o samba e a marchinha. Era época em que os compositores se esmeravam em suas produções, não apenas em quantidade, mas, especialmente, em qualidade.

Viveram, nesse período, compositores do quilate de Ary Barroso, Braguinha e Noel Rosa. E também Lamartine Babo, no Rio de Janeiro, e Wilson Fonseca (Isoca), em Santarém.

Isoca notabilizou-se, sobretudo, como compositor de canções que descrevem as belezas naturais da “Pérola do Tapajós” (Canção de Minha Saudade e Terra Querida), do inesquecível bolero Um Poema de Amor, do vibrante Hino de Santarém, dos maravilhosos dobrados para banda de música, das extraordinárias músicas sacras ou das fenomenais peças para conjunto de câmara (na área mais erudita).

Pouca gente sabe que Isoca, autor de mais de 1.600 composições, nos mais variados gêneros, compôs muita música de carnaval. Posso dizer, sem receio de errar, que Wilson Fonseca é mais versátil do que Lamartine Babo, autor de cerca de 400 composições. Isoca compôs valsas, canções, modinhas, tangos, toadas, marchas (inclusive fúnebres e para procissões), dobrados, hinos, foxes, frevos, choros, sambas, boleros, missas e outras peças sacras, peças para coral, para teatro de revista, para Pastorinhas, para banda de musica, para conjuntos de câmara, noturnos, sonatina, lundu, sairé, acalanto, poema sinfônico, abertura sinfônica, peças orquestrais e ópera.

Nesse rol tão eclético ainda poderiam ser incluídos inúmeros arranjos para músicas de baile, da lavra de Isoca, para o famoso Euterpe-Jazz, que animava as festas na sociedade santarena, notadamente no Centro Recreativo, clube para o qual fez um hino, com letra de Felisbelo Sussuarana (1936).

Além de dirigir a orquestra, Isoca atuava como pianista e saxofonista, ao lado de seu pai e seus irmãos (Maria Annita, piano; e Wilde/Dororó, violino). Ao mesmo tempo, ele integrava o quarteto que funcionava nos cinemas Vitória e Olímpia, na época da cena muda, até o ano de 1936.

Foi nesse período que surgiu a sua 1ª composição, a valsa Beatrice (1931), para encaixar na cena de um filme. A valsa e as partituras de outras 20 músicas suas foram publicadas, a partir de 1934, no Jornal das Moças, do Rio de Janeiro, além de divulgadas pela Rádio Mairynk Veiga, da antiga Capital da República.

Curiosamente, Lamartine Babo, autor da bela valsa Eu sonhei que tu estavas tão linda (1941), tinha um programa, nessa rádio, denominado “O Clube da Meia-Noite”. Ambos gostavam de Ernesto Nazareth, o genial compositor dos gostosos “tangos brasileiros” (Odeon, Brejeiro, Apanhei-te Cavaquinho), que também tocava piano no cinema mudo, e do qual Isoca sofreu influência em seus choros-estudos, como Arpejando, Temeroso, Não me apresse, Improvisando, Travesso, Ternura e Cinqüentão.

Foi justamente na década de 1930, com projeção na década seguinte, que Isoca compôs diversas músicas de carnaval. Mais do que o samba-enredo, a marchinha era a trilha sonora dos bons tempos da folia, desde Chiquinha Gonzaga, que escreveu, para o cordão Rosa de Ouro em 1899, o célebre Ô Abre Alas, a primeira música a ser feita especialmente para o carnaval.

O compasso binário, com melodias simples e alegres, que logo pegavam e agradavam, e letras com boa dose de picardia, as marchinhas guardam um espírito tipicamente brasileiro. Uma verdadeira crônica dos “anos dourados”.

Quem não se lembra de jóias como Cidade Maravilhosa, Aurora, Pierrot Apaixonado, Touradas em Madri, Chiquita Bacana, Taí, Yes Nós Temos Banana, As Pastorinhas, A Jardineira, Sassaricando, Linda Morena, Alá-Lá-Ô, Mamãe Eu Quero, Me Dá um Dinheiro Aí, Cabeleira do Zezé, Balancê e Teu Cabelo Não Nega, um autêntico hino do carnaval brasileiro?

Pois bem. No catálogo da Obra Musical de Wilson Fonseca, o nosso Isoca, verifica-se que o compositor santareno produziu quase 30 músicas de carnaval, pelo menos no período de 1933 a 1949, sem contar os sambas-enredo, escritos na década de 1970. A título de exemplo, cito: Entra no samba (1933, letra de Felisbelo Sussuarana), Juro!É só você (1934, marcha, letra de WF), Tentações (1936, marcha, letra de Felisbelo Sussuarana), Coração em leilão (1937, marcha, letra de WF), Alegria (1938, marcha, letra de WF), Ninguém resiste (1939, samba, letra de WF), Só no Carnaval (1939, marcha, letra de WF), Só quero ver o jeito dela (1939, samba, letra de WF), Você vai sofrer como eu! (1939, samba, letra de WF), Linda boneca (1940, marcha, letra de WF), Você me deixou sozinho (1940, marcha, letra de WF), Coisas do amor (Dinorá) (1941, marcha, letra de WF), Pernambucana (1941, marcha, letra de WF), Quero amar (1942, marcha, letra de WF), Chegou a Hora (1943, marcha, letra de WF), Promessas de mulher (1943, samba, letra de WF), Quebra, nêga! (1943, maxixe, letra de WF), Quem foi? (1943, marcha, letra de WF), Dezesseis de Agosto (1945, marcha – Isoca casou-se com Rosilda, em 16.8.1941), Pedido a São João (1945, marcha, letra de WF), Eu quero um casamento (1946, marcha, letra de WF), Muito obrigado (1946, marcha, letra de autor ignorado), Não sou de Pernambuco (1946, frevo), Euterpe-Jazz (1947, marcha – homenagem ao conjunto musical de baile, em que tocava), Boa noite (1949, marcha, letra de WF), Japonesa do Brasil (1949, marcha, letra de WF), Que não falte o carnaval (1949, samba, letra de WF) e “Seu” Chiquinho (1949, marcha, letra de Alfredo Fernandes). Observe-se que quase todas têm letras do próprio compositor.

Foi nesse mesmo ano de 1949 que Wilson Fonseca concorreu, em Belém, com a marcha Japonesa do Brasil, num concurso público de músicas carnavalescas de âmbito estadual. Àquela época predominavam temas inspirados na cultura estrangeira, como Touradas em Madri (Espanha), Ala-lá-ô (Saara), Tirolesa (Tirol), Lig-lig-lé (China), Caninha Verde (Portugal), Yes, nós temos banana (América do Norte), Canção para inglês ver (Inglaterra), Ride palhaço (Itália) e tantos outros. A marchinha de Isoca foi classificada entre as três primeiras premiadas.

Papai contava que Japonesa do Brasil foi muito executada nos carnavais santarenos e pela sua classificação obteve o prêmio de Cr$-500,00 (quinhentos cruzeiros), oferta do conhecido Guaraná Simões. Ele, porém, distribuiu essa importância, eqüitativamente, entre os dez companheiros do seu conjunto musical Euterpe Jazz, pois dizia que sempre foi norma em sua vida artística, nada usufruir financeiramente daquilo que lhe nasceu da alma.

Por aí se vê que Wilson Fonseca, ao contrário do que ele próprio costumava dizer, era, sim, poeta inspirado, como revelam dezenas de poemas de sua autoria, embora Felisberto Sussuarana afirme que Isoca “não se dedicou à poesia senão para fazer cantar sua música” (cf. “O Mergulho…”, p. 139).

Conforme assinalei no encarte do excelente CD “Sinfonia Amazônica” (volume 2), gravado pela extraordinária Orquestra Jovem “Wilson Fonseca”, sob a regência de meu irmão José Agostinho da Fonseca Neto (Tinho), existem, na obra do Maestro, eclético e prolífico, diversas outras músicas destinadas ao carnaval (marchas, sambas e até frevo), sobretudo para atender o repertório da orquestra que dirigia.

Aquela graciosa marchinha tem introdução marcante, inicia por notas características da cultura japonesa, marcadas pelo kotô e o xilofone, e termina no gênero tipicamente nacional, ao estilo de Lamartine Babo, Braguinha ou Capiba. É inevitável a mistura de raças, que bem assinala o povo de nosso país, traduzida na miscigenação dos estilos protagonizados por Wilson Fonseca na composição. O enredo, próprio da época, idealizado pelo compositor, tem começo, meio e fim de uma história de imigração oriental para o Brasil, para felicidade de todos.

No CD, o andamento da música é mais lento do que o original (qual marcha-rancho), para permitir o emprego de coreografia capaz de sugerir um baile que possa contar com a presença da tradição nipônica. Afinal de contas, um bancário que também entende de música não poderia descobrir senão uma japonesa diferente das demais. Composta em 1949, no pós-guerra e vinte anos após a recessão econômica de 29, a marchinha, apresentada, no CD, apenas na versão instrumental, é intemporal e tem todos os ingredientes para agradar, de leste a oeste.

Alguém poderia imaginar que o disciplinado funcionário do Banco do Brasil, que trajava paletó e gravata, sapato preto, que ficava em casa com pijama de mangas e calças compridas, aquele pacato santareno, que se tornou Ministro da Eucaristia, organista e dirigente do Coro da Catedral, chegou a vestir uma camisa vermelha e entrou na folia do carnaval, tocando o seu saxofone, como nos bailes de outrora?

Isoca ainda fez mais. Chegou a jogar futebol, com calça comprida e tudo mais, numa disputa que envolvia funcionários do Banco do Brasil. No time adversário, havia um funcionário, menos graduado, que sempre deixava a bola, de graça, para ele.

Meu pai era vascaíno e torcia pelo São Raimundo Esporte Clube, de Santarém, ao qual dedicou um hino (1968), a exemplo de Lamartine Babo, autor de famosos hinos futebolísticos. Isoca fez quase uma centena de hinos, para os mais diversos eventos e homenagens.

Meu avô (José Agostinho da Fonseca, 1886-1945) também escreveu hinos ligados ao futebol, como Foot-Ball, Hino do Tapajós Foot-Ball Clube, Santa Cruz Sport Clube, Torcedoras (letra de Felisbelo Sussuarana) e União (Esporte Clube, de Fordlândia-PA).

Na tradição da família, eu também compus mais de 40 hinos, como Hino do Fluminense Esporte Clube de Santarém (letra de João Luís Sarmento), Preito ao São Francisco Futebol Clube de Santarém, Hino do Coral de Santarém (de parceria musical com Wilson Fonseca e letra de Emir Bemerguy), Hino das Olimpíadas do Colégio Dom Amando (letra de Emir Bemerguy), Hino do Folião (letra de Felisberto Sussuarana), Rio Símbolo – homenagem ao rio Tapajós (letra de Felisbelo Sussuarana), Hino da Justiça do Trabalho, Hino da Justiça Eleitoral, Hino do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, Canção da Escola da Magistratura (letra do Desembargador Almir de Lima Pereira, ex-Presidente do TJE-PA), Hino ao Centenário do Theatro da Paz (letra de Emir Bemerguy), Hino da Associação dos Auditores Fiscais do Trabalho, Hino do Ministério Público do Trabalho, Hino da Escola de Música Maestro Wilson Fonseca, Hino da Escola Estadual de Ensino Médio Maestro Wilson Dias da Fonseca, Hino do Estado do Tapajós, 1º de Maio, Hino da Escola Superior da Amazônia – ESAMAZ (letra de Célio Simões), Oração do Defensor (letra de Paraguassú Éleres), Hino do Tribunal de Justiça do Estado do Amapá, Hino da FABEL – Faculdade de Belém, Hino do Peteleco – Comunidade Educativa o Mundo do Peteleco e Centro de Educação Montessoriana do Pará – CEMP, Hino da Associação dos Amigos do Theatro da Paz, Hino da Academia de Letras e Artes de Santarém (inclusive nova versão, com letra do poeta Emir Bemerguy), Hino da Academia Paraense de Música, Hino da Câmara Municipal de Belém, Hino do Instituto Helena Coutinho, Hino do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia, Hino da UEPA (Universidade do Estado do Pará), Justiça Itinerante etc.

Como disse, Wilson Fonseca chegou a compor até sambas enredo: Terra da Liberdade (1975) e Terra do Amor (1976), ambos com letras de Emir Bemerguy, para a Escola Ases do Samba, de Santarém.

Seguindo essa tradição, eu compus os sambas enredos Tempos de Criança (1977, letra de Emir Bemerguy, para o carnaval de 1978, dedicado à Escola Ases do Samba, dirigida pelo artista santareno Laurimar Leal, puxador do samba na avenida), Hino do Folião (1978, marchinha, com letra de Felisberto Sussuarana), Lendas e Mitos (letra de Renato Sussuarana, para a Escola Ases do Samba, de Santarém, no carnaval de 1979), Nurandaluguaburabara_2 (letra e música, 2007) e outros. Para quem não sabe, Nurandaluguaburabara era o tuxaua da tribo dos índios Tupaiús, em 1661, na época da fundação, pelo Padre João Felipe Bettendorf, da aldeia missionária que deu origem a Santarém, segundo consta no livro “Tupaiulândia”, do mestre Paulo Rodrigues dos Santos.

Para encurtar a história, assim como Lamartine Babo, Isoca, que igualmente possuía senso de humor refinado e tinha particular apreço pelos trocadilhos, também entendia de código Morse (adotado na telegrafia). Certa vez, seu aluno de violino (Adalberto Gentil, que era telégrafo) somente conseguiu executar o trecho de uma lição quando o Maestro lembrou-lhe da semelhança com os toques de telegrafia.

Papai era fã de Lamartine. Lembro-me que em casa havia um disco com aquele originalíssimo fox-satírico intitulado Canção para inglês ver (1931), uma antecipação da Tropicália, com uma deliciosa misturada de inglês, francês e português: “I love you, forget iskaine/Maine Itapiru/Forget five Underwood/I Shell/No bonde Silva Manuel…”.

Uma das músicas que Isoca gostava de tocar, no piano, era No Rancho Fundo (música de Ary Barroso e letra de Lamartine Babo). Aliás, Lamartine, entusiasmado com a melodia que Ary Barroso havia composto para o poema Na grota funda, de J. Carlos, resolveu fazer outra letra, mudando o título da composição para No Rancho Fundo. Ary gostou tanto do trabalho de Lalá que a partir daí compuseram juntos uma série de sucessos.

Havia muita semelhança entre Lamartine e Isoca. Mas também uma diferença que merece destaque. Lamartine não tinha formação musical acadêmica, embora dotado de uma ”exacerbada musicalidade”, como dizem seus contemporâneos. Essa característica foi destacada pelo maestro Radamés Gnatalli em entrevista para o Jornal do Brasil (30 de julho de 1977): ”A maioria dos compositores não sabia música e passava suas composições para os arranjadores transporem para a pauta. A nós competia vestir a música toda. Um dos poucos compositores que sabiam exatamente o que queriam de suas músicas era Lamartine Babo. Ele descrevia todo o arranjo, cantando a introdução, meio e fim, solfejava e sugeria partes instrumentais. A gente só fazia escrever”.

Isoca, praticamente autodidata, escrevia suas próprias músicas, arranjos e transcrições. O compositor santareno deixou um acervo magnífico, que ainda precisa ser mais bem conhecido.

Em 1981, a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, campeã do carnaval carioca, homenageou Lamartine com o belíssimo enredo ”O Teu Cabelo Não Nega (Só Dá Lalá)”.

No carnaval de 1997, Isoca foi homenageado, num carro alegórico, pelo Grêmio Recreativo Acadêmicos do Samba da Pedreira, de Belém, sob o enredo “Foi assim, não te foste de mim”, tributo ao poeta santareno Ruy Barata, uma das mais queridas figuras da escola. Pela primeira vez a comissão-de-frente foi entregue a uma escola de dança clássica, sob o comando de Vera Lúcia Torres. No desfile, as moças deram um show e, a partir daí, ficaram como elementos integrantes da escola. Isoca não pôde comparecer, por motivo de saúde, mas, emocionado, assistiu à homenagem pela televisão.

A Revista Brasiliana nº 11 (maio/2002), da Academia Brasileira de Música, sediada no Rio de Janeiro, publicou o artigo “Tributo ao Maestro Wilson Fonseca”, que escrevi em sua homenagem, como também compus os hinos da Escola de Música “Maestro Wilson Fonseca” e da Escola Estadual de Ensino Fundamental “Maestro Wilson Fonseca”, de Santarém.

A Lei Federal nº 11.338, de 03.08.2006 (DOU 04.08.2006), denomina o Aeroporto de Santarém como “Aeroporto Maestro Wilson Fonseca”; e o Decreto nº 27.126, de 09.10.2006 (D.O. 10.10.2006), do Prefeito Municipal do Rio de Janeiro, reconhece como logradouro público a “Rua Wilson Fonseca”, no bairro Santa Cruz, na “Cidade Maravilhosa”, em homenagem ao compositor santareno.

A Lei Estadual nº 7.337, de 17.11.2009 (Diário Oficial do Estado do Pará nº 31.548, de 19.11.2009), declara como integrante do patrimônio cultural do Estado do Pará a obra musical e literária do Maestro Wilson Fonseca (Isoca).

No ano em que se festejava o centenário (2004) de Lamartine Babo, um dos maiores compositores populares do Brasil, fiquei a imaginar que algum tempo depois ocorreria o centenário de nascimento de Isoca, o nosso maestro soberano, que também reinou em outros carnavais.
Santarém e o Pará devem a Wilson Fonseca a homenagem merecida.

Há diversas maneiras de homenageá-lo, como a reedição da obra literária “Meu Baú Mocorongo” (Governo do Estado do Pará – Secult/PA) e edição da mesma obra em versão resumida, destinada especialmente ao público infanto-juvenil; a edição integral de sua magnífica Obra Musical (20 volumes); reedição de CDs já gravados com músicas de Wilson Fonseca (tais como: “Projeto Uirapuru – O Canto da Amazônia” – volume 1 – Secult/PA; “Encontro com Maestro Isoca” – editado pela Prefeitura Municipal de Belém; e volumes 1 e 2 da série “Sinfonia Amazônica”, pela Orquestra Jovem “Maestro Wilson Fonseca”); gravação e lançamento de um DVD e de um CD (inéditos), especialmente o volume 3 da série “Sinfonia Amazônica”, pela Orquestra Jovem “Maestro Wilson Fonseca”; concertos em Santarém e em Belém (e, se possível, em outras cidades brasileiras, como Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo), com músicas de Wilson Fonseca, inclusive com a participação da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, da Amazônia Jazz Band, Orquestra Jovem Vale Música, Bandas de Música e outros grupos corais e camerísticos da Fundação Carlos Gomes, da Universidade Federal do Pará, da Universidade do Estado do Pará e outras entidades; palestras, conferências, painéis, exposições e concursos sobre a vida e a obra do compositor, com participação de artistas de todas as áreas culturais (música, literatura, poesia, fotografia, pintura, escultura, artesanato, bordado, teatro etc.), inclusive nas instituições de ensino (fundamental, médio e superior) do Estado do Pará, especialmente em Santarém; a publicação do livro “A vida e a obra de Wilson Fonseca – Maestro Isoca”, de minha autoria, em fase de conclusão; a instituição do Memorial ou Museu de Wilson Fonseca (Maestro Isoca), em sua antiga residência, situada na Travessa Francisco Corrêa, nº 139, em Santarém; a criação da Fundação Wilson Fonseca, para dar suporte às atividades culturais e de pesquisas, inclusive no âmbito da Escola de Música “Maestro Wilson Fonseca”; a aprovação de Lei Municipal para denominar “Rua Wilson Fonseca (Maestro Isoca)” a atual Rua “Floriano Peixoto”, em Santarém, onde Isoca nasceu (na época, casa da família do Coronel Antônio Braga, conhecida como “Vila Paraíso”, nome de uma música de José Agostinho da Fonseca, pai de Wilson Fonseca); edição de um selo comemorativo do primeiro centenário de nascimento de Wilson Fonseca, pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, em âmbito nacional; edição de uma Revista comemorativa do primeiro centenário de nascimento de Isoca; a composição de peças sinfônicas em homenagem ao evento, já projetadas por mim e meu sobrinho José Agostinho da Fonseca Júnior, neto de Isoca (que neste ano conclui o Curso de Composição, em nível superior, em Belém) e, enfim, vários outros projetos que especialmente meu irmão Agostinho Neto incumbiu a talentosa Professora Antonia Terezinha dos Santos Amorim de administrar.

Para tanto, é imprescindível o apoio dos Governos Federal, Estadual e Municipais, como também das universidades, entidades culturais e artísticas (Universidade Federal do Pará, Universidade do Estado do Pará, Universidade da Amazônia, Faculdades Integradas do Tapajós, Academia Paraense de Letras, Academia Paraense de Música, Academia de Letras e Artes de Santarém, Conselho Estadual de Cultura, Theatro da Paz, Fundação Carlos Gomes), além de entidades privadas certamente motivadas para prestigiar o evento.

O extraordinário acervo literário e musical de Isoca, quase centenário, é um tesouro que precisa ser mais explorado e divulgado.

Antes da banda passar e até que venham outros carnavais, fiquemos com a nossa estrela d’alva, que do céu desponta, qual lira iluminada, com seu farol eterno, cuja luz se reflete em nossas mentes e corações, em sintonia com o mais lindo rio do mundo, num belo por-de-sol, que anuncia mais uma noite de folia e de sonhos.

Nenhuma beleza da terra querida escapou à inspiração de Isoca. Suas marchinhas, sambas e até frevo têm o toque de mestre. O centenário se aproxima.
O teu talento não nega, Maestro!

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* Santareno, é desembargador federal do Trabalho, professor de Direito Processual do Trabalho na Universidade da Amazônia (UNAMA). Membro da Academia Paraense de Música. Compositor.


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3 Responses to Isoca, 99 anos: teu talento não nega

  • O que mais que o nosso querido Isoca não Fez? acho eu, que só não fez chover! ou será que fez. porque este filho querido de nossa terra, compôs o que há de mais belo, suas composições falam das belezas imensuráveis da nossa pérola do tapajós, dos encantos, da magia e do puro amor por sua eterna mãe santarém. ler seus poemas, escutar suas composições, é acima de tudo crer que se existe o paraíso este se chama Santarém. imortal poeta, imorredor artista, filho dileto desta pátria santarém, olhe lá de cima por nós, que por aquí continuaremos a enaltecer teus feitos artistícos. meu eterno poeta. quanta saudade,.

  • Dr. Vicente, o amor demonstrado ao seu saudoso Pai é tão latente que torna o texto, até para quem não é aficionado pela música, prazeroso e inspirador.
    Se não fosse por mais nada, se não existisse legado tão impressionante, o orgulho do filho já me faria admirador do Pai. Parabéns!
    Espero que na comemoração do centenário do Mestre Isoca o Hino do Glorioso São Raimundo Esporte Clube seja executado. Ainda na minha época de Diretor solicitei ao Presidente que fosse ratificada (o documento original se perdeu no tempo) a obra do Mestre Isoca como sendo o Hino Oficial do Clube o que foi imediatamente aceito. Infelizmente com os atropelos administrativos do Clube a medida não foi implementada, mas, tenho certeza que a nova Diretoria agirá neste sentido.
    Atualmente presto Assessoria Jurídica à SEDUC, por conta disso proporei, se a família permitir logicamente, ao Prof. Acácio Centeno, Secretário Adjunto de Ensino, a exploração do Centenário do Mestre Isoca como tema de atividades educacionais da Secretaria no ano que vem.
    Um forte abraço e, mais uma vez, parabéns pela devoção.

    Atenciosamente.

    André Cavalcante

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