por Paulo Cidmil (*)
O Partido Verde e Marina Silva não podem fugir às suas responsabilidades, e se acovardarem por trás de uma neutralidade cômoda. Esse é o papel do PSOL e sua posição sectária, do “eu sou melhor, tenho a solução e não me misturo”.
Nem tampouco deve liberar a boiada para que se acomodem de acordo com suas conveniências e interesses pessoais. Deixem isso para o PMDB, que tem vocação a vampiro, e em situação como essa, já estaria dividido entre Serra e Dilma na estratégia de participar do poder, seja qual for o vencedor.
É bom lembrar que ficar em cima do muro é tradicionalmente a posição predileta do PSDB. E desejar aparelhar as instituições do Estado com os quadros partidários, para que se tornem instrumentos do partido, como se o Estado brasileiro fosse um sindicato, aí vocês precisariam entrar na escolinha do PT.
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O PV não pode se comportar como uma casta donzela que precisa preservar a sua pureza e muito menos esconder-se atrás da cínica neutralidade. Até porque não é uma coisa nem outra. Já esteve em governos de PSDB e PT e seus quadros não são tão puros assim.
Há bem pouco tempo Zequinha Sarney era um de seus expoentes. Em muitos lugares, especialmente na Amazônia, alguns de seus dirigentes não são o que costumamos chamar de ambientalistas.
A grande maioria dos votos de Marina Silva não foram votos Tiririca, longe de serem votos de protesto, ou alienados. Foram votos de quem quer algo a mais da política. Votos de quem tem consciência dos grandes problemas ambientais existentes no Brasil.
Gente que projeta um futuro melhor e não acredita no falso dilema “desenvolvimento versus preservação ambiental”. Hoje a palavra SUSTENTABILIDADE permeia qualquer forma de desenvolvimento e também o manejo dos recursos naturais. Deixou de ser uma discussão conceitual para impregnar em nossa realidade cotidiana. Foi a candidatura de Marina Silva que pautou a SUSTENTABILIDADE e a trouxe para o centro da campanha presidencial.
Ao PV e a Marina Silva, 20 milhões de brasileiros delegaram uma missão: defender políticas que priorizem as questões ambientais e o desenvolvimento sustentável, que invista em novas tecnologias e novas fontes de energia renovável. Algo além da óbvia e ambientalmente danosa construção indiscriminada de hidroelétricas. O Brasil não é a China, aqui existe democracia!
Se ao PSDB foi possível criar o PROER para salvar banqueiro e ao PT o Bolsa Banqueiro, graças às taxas de juros, ao futuro governo deve-se propor o “bolsa” energia renovável e o “bolsa” responsabilidade ambiental.
Que o futuro governo subsidie e desonere, por exemplo, os investimentos no desenvolvimento de tecnologias e produção de energia solar.
É preciso arrancar do próximo governo o compromisso de que todo projeto de desenvolvimento, sejam eles estradas, hidroelétricas, mineração, exploração florestal, hidrovias; só saiam do papel após cumprir de forma transparente, com ampla participação popular, todas as regras estabelecidas em nossa legislação ambiental.
Como também é preciso maior rigor e participação da comunidade científica nas instancias que autorizam o licenciamento de agrotóxicos e produção de transgênicos.
E que ninguém ouse acabar com o Bolsa Família, dela depende parcela da população que há bem pouco tempo estava nas estatísticas da desnutrição e miséria absoluta. Dessa política compensatória, hoje também depende parte considerável de nosso mercado interno. O programa Bolsa Família precisa estar articulado com iniciativas nas áreas da educação e qualificação profissional.
Do Partido Verde se espera uma mudança radical na forma de fazer política. É preciso dizer um IMENSO NÃO para os acertos de gabinete em troca de cargos, feitos com o claro objetivo de usufruto dos recursos públicos.
Assumir o apoio a uma candidatura visando o interesse público e o futuro. Resgatar a moralidade na política e manter um compromisso ético com os eleitores que acreditaram nas suas propostas. Realizar acordo em torno de um Programa de Governo que contemple as propostas do PV tão essenciais para o futuro de nosso País.
Marina e o Partido Verde sinalizaram à população que irão conversar em torno de Programa de Governo e não de barganha por cargos, como é habitual em nossa política, e que essa conversa acontecerá dentro da ética e da maior transparência possível para com os eleitores. Essa é a esperança de quase 20 milhões de brasileiros.
Que o PV ignore a pressão da imprensa para se pronunciar. A imprensa é naturalmente ansiosa, que aguarde a convenção do dia 17. Restarão duas semanas para as eleições, tempo mais que suficiente para que os eleitores de MARINA SILVA, os que se abstiveram e os que votaram em branco no dia 3 de outubro entendam as razões, e os objetivos, que levaram o PARTIDO VERDE a fazer a sua opção.
É hora de um dever cívico para com o nosso país. Apresentar suas propostas à sociedade e aos candidatos Dilma e Serra. Aquele que comprometer-se, de forma inequívoca, a incorporar a seu programa de governo, as políticas de desenvolvimento sustentável propostas pelo PV, esse(a) deverá receber o apoio do PV. Com esse (a) MARINA SILVA deverá subir ao palanque e ir à televisão, pedir aos eleitores os votos que lhe confiaram no primeiro turno.
Nas mãos do PV repousa uma oportunidade rara de resgatar a dignidade do fazer política em nosso País,
Aos acomodados, basta repetir o bordão: “O futuro a Deus pertence”.
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* Santareno, Paulo Cidmil é produtor cultural e reside no Rio de Janeiro. Não é filiado a nenhum partido.
Jeso, não sei se sinaliza alguma coisa, mas mando abaixo comentário enviado pelo amigo Rogério Rocco, da direção do PV carioca e suplente de Deputado Estadual pelo PV no Rio:
Caro Cidmil,
É com grande satisfação que leio seu artigo e registro minha concordância integral com ele. Com uma ressalva: nenhum dos dois candidatos e partidos honrará qualquer acordo de sustentabilidade dos programas de desenvolvimento. Infelizmente, essa é a real!
Portanto, apesar de concordar com o teor de seu artigo, acredito que o caminho sugerido não seja viável.
Com minhas saudações,
Rogério Rocco
Entendo que o problema é que PT e Dilma e PSDB Serra não inspiram confiança.
Rogério conhece bem o PT, esteve em uma das coordenações do Ministério do Meio Ambiente. Tem gente do PV paulista que conhece muito bem o Serra. De qualquer modo penso que o Partido terá uma posição que não será a neutralidade no próximo dia 17.
Parabéns pelo texto, eu sou estudante de gestão ambiental, e meu voto foi para Marina, concordo com a Maralice, acredito que Mariana tem a capacidade de liderar uma politica mais “eficaz”. Sabemos que hj é o meio ambiente está em pauta é a grande preocupação de grandes governos e o Brasil, ou melhor a amazônia, é grande mina de ouro. Marina tem seus valores e creio eu que ela irá “apoiar” aquele candidato que melhor fizer por onde, e acreditar no desenvolvimento sustentável.
Interessante a força da midia. A globo criou essa idéia que as pessoas que votaram na Marina no primeiro turno seus votos pertecem a candidata ou ao partido (PV), e como diria o Saraiva “e vocês acreditaram!!!!!. Pessoal, a Marina só tem o voto dela para negociar e a mesma coisa a direção do PV. Fui eleitor da Marina no primeiro turno e a decisão em quem votar no segundo turno é minha e assim será de todos os brasileiros.
Paulo,
O errro é querer confundir Marina Silva com o PV.
O PV foi a oportunidade politica para Marina disputar a problematica da sustentabilidade já nessas eleições presidenciais. Não fosse o barco do PV, teria que ter criado um novo partido, mas sem tempo na TV e pouca chances de visibilidade.
Foi a oportunidade das circustancias….
Gabeira, Penna, Sirkis e a oligarquia do PV também pegaram carona da Marina para tentar ressurgir no plano nacional. Foi a oportunidade deles, mas só o Penna conseguiu sobreviver em São Paulo.
A votação do primeiro turno foi da Marina, não do PV.
O que o PV vai dizer não tem importancia nenhuma para a disputa entre Dilma e Serra.
Gabeira já disse que vai de Serra e Gilberto Gil que vai de Dilma. Meio PV está no governo Lula e outra metade no governo Serra em São Paulo.
O que está posto nessa hora é que Marina não vai de Serra.
E já discute-se a criação de um novo partido politico entorno de Marina Silva.
Tiberio Alloggio
A Marina só está com esta bola no Sudeste. No Norte, ela perdeu até na terra dela, o Acre. Como mudou muito, ela está mais para o Serra do que para Dilma. O que é lamentável.
Paulo a Marina não pode ficar em cima do muro, a qual defende com unhas e dentes a agricultura familiar no sistema agroecológico, seria um grande desparate a mesma vier apoiar o José Serra, o qual tem como seu grande aliado o CNA ( Confederação Nacional da Agricultura ) tendo como presidente desta instituição a senadora Kátia Abreu ( DEM ), que é grande inimiga da senadora Marina Silva ( PV ) que quando Minístra do Meio Anbiente combateu de maneira energica os ruralistas dos estados do Mato Grosso e do Pará. E os deputados do Partido Verde (PV), da senadora Marina Silva, acompanharam o governo federal em aproximadamente 56% das matérias discutidas na Câmara Federal na atual legislatura. Os dados revelam que, a julgar pela atuação dos parlamentares verdes, o apoio de Marina será, de fato, um mistério neste segundo turno de eleições presidenciais. O acompanhamento das votações é feito pelo Congresso Aberto, organização sem fins lucrativos que utiliza dados oficiais para gerar um panorama da atuação de parlamentares e partidos no Congresso Nacional. De acordo com a ONG, os principais partidos da oposição (DEM, PPS, PSDB e PV) acompanharam, em média, 24% das votações dos partidos da base (PT, PCdoB, PMDB, PP, PR, PSB e PSC), desde 2007.
E pelo andar da carruagem a cor verde no PV passou para vermelha. Integrantes do PV não gostaram das declarações de Marina Silva à Folha de S. Paulo de que haveria um “apetite por cargos”. Este grupo, inclusive, ameaça romper com a candidata e apoiar José Serra, candidato do PSDB à Presidência.
Não sei porque estão “nervosos”. Eu disse na BANDNWS FM/Campinas (106,7) de que a fala da Executiva do PV de que a negociação do apoio no segundo turno – para Serra ou Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência – passaria pela questão programática e não por cargos era balela. O PV sempre se aliou a governos para ter cargos no Executivo. Não há o que reclamar. O partido só teve essa expressiva votação em razão da Marina.
Paulo ótima questão para ser avaliada principalmente pelo que votaram na Marina. Tbm não sou filiado a nehum partido político gosto de ler bastante materias como a sua e dar minha humilde opinião.
Vc so esqueceu que Marina do PT ja veio …. entregou o ministerio por nao concordar com o jeito PT de governar ….. so restam duas opcoes …. Serra ou a Neutralidade
para os eleitores da Senadora marina Silva imagino duas situações resultantes de quatro possibilidades, que podem levar, inclusive, à neutralidade com relação ao apoio a um dos candidatos no segundo turno das eleições;
primeira possibilidade: somente a candidata Dilma manifesta significativo e inequívoco comprometimento com a pauta de Temas e Compromissos levantados pela Senadora Marina Silva, será o caso então apoiar a candidata Dilma;
segunda possibilidade: somente o candidato Serra manifesta significativo e inequívoco comprometimento com a pauta de Temas e Compromissos levantados pela Senadora Marina Silva, será o caso então apoiar o candidato Serra;
terceira possibilidade: os dois candidatos, Dilma e Serra, manifestam significativo e inequívoco comprometimento com a pauta de Temas e Compromissos levantados pela Senadora Marina Silva, será o caso cada eleitor apoiar aquele que melhor se apresenta em outras questões;
quarta possibilidade: nehum dos dois candidatos, Dilma e Serra, manifestam significativo e inequívoco comprometimento com a pauta de Temas e Compromissos levantados pela Senadora Marina Silva, será o caso cada eleitor apoiar aquele que melhor se apresenta em outras questões;
no Brasil atual eu não voto nulo nem em branco.
Caro Paulo, parabéns pelo texto! Acredito não no PV, mas na capacidade da líder Marina, em quebrar os paradigmas da velha política de favores e cargos, tão presente em nosso país. Posso estar enganada, porque em nenhum campo da vida temos os 100% da certeza. Porém, a luta e a convicção de Marina pelos seus valores, me fazem crer que a mesma não irá se acovardar à sombra da neutralidade, pois, já adquiriu condições de maturidade, confiança e respeito da população brasileira, para ser autentica na defesa de suas idéias, e apoiar o candidato que melhor se aproxime de seu campo de visão estratégica e moderna de fazer Política.