
por Airton Faleiro (*)
Na minha opinião, a PEC 287/2016, de proposição do atual governo federal, tem tudo para dar errado e não deve ser aprovada pelo Congresso.
Diferente de outras medidas polêmicas, já aprovadas no Congresso, sem grandes reações populares, como o congelamento dos investimentos públicos por vinte anos (PEC 241) e da abertura para exploração do petróleo do pré-sal pelo capital estrangeiro (Projeto de Lei 4567/16), a Previdência Social tem profundo apelo em todos os segmentos da classe trabalhadora brasileira e, portanto, terá reações massivas da sociedade em todo país, inibindo os congressistas em votarem em medidas tão antipopulares às véspera das eleições de 2018.
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Os parlamentares federais terão que optar em ficar de bem com o presidente Temer ou com os eleitores que lhe observam.
Penso que esta proposta de reforma Previdenciária sofre dois grandes problemas: um de legitimidade política de quem a propõe e outro de natureza e conteúdos da proposição.
1 – Legitimidade – Em se tratando da legitimidade política, me arrisco a dizer que uma reforma de tamanho impacto social, proposta em meio de tão grande turbulência política, e por um presidente que chegou na função sem o voto popular, e com uma aprovação de seu governo de apenas 10%, não possui o respeito necessário para a construção de um pacto hegemônico para sua aprovação.
Se o governo insistir em manter a reforma em pauta e ela vir a ser aprovada, certamente será colcha de retalho, como foi o caso da lei anticorrupção (12.846/2013), proposta pelo Ministério Público, com dois milhões de assinaturas, onde o Congresso fez tantas alterações que desconfigurou a proposta original.
Com base neste pensamento, entendo que uma reforma equilibrada e democrática da Previdência, só deveria ser colocada em pauta depois das próximas eleições, quando a PEC fosse proposta por um presidente eleito democraticamente (independente de qual partido pertença) e que possua legitimidade social e política para estabelecer um processo de debate com a sociedade e congresso, na busca de um entendimento mediano dos interesses.
Do mesmo modo, considero que essa reforma, ficando para depois da próxima eleição, proporcionaria, de antemão ao eleitor, o dever de escolher seu candidato para a Câmara e Senado Federal, tendo consciência de que o eleito teria a responsabilidade de votar na reforma da previdência e, portanto, o voto seria mais criterioso.
2- Sobre a natureza e conteúdos da reforma – elenco aqui duas questões que buscam ir além da afirmativa de que esta reforma retira direitos.
No meu entender, a reforma proposta por Temer e sua equipe de governo esconde por trás do discurso de que se faz necessário reformar a Previdência para combater a crise econômica e, assim, assegurar o benefício para as gerações futuras, duas questões centrais, sendo elas:
A) Acabar com a principal política pública distribuidora de renda e inclusão social. Quem pensa que as políticas dos governos petistas, Lula e Dilma, do Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Luz Para Todos, são as principais políticas públicas de distribuição de renda, se engana. Em que pesa os impactos fantásticos das políticas acima mencionadas, a principal política de distribuição de renda e inclusão social ainda é a Previdência Social. Vejamos nós:
– Ao desvincular o benefício assistencial do salário mínimo, caminhamos para uma grande quantidade de pessoas que vão ficar apenas com metade de um salário mínimo. Isso provoca um grande impacto no orçamento destas famílias e, por sua vez, este dinheiro deixa de movimentar a economia nos municípios.
– Ao igualar a idade entre homens e mulheres, novamente se prejudica uma parcela considerável da sociedade, representando cerca de 52% da população brasileira, que deixará de receber o benefício mais cedo, impactando diretamente na renda familiar e pessoal das mulheres.
– Ao tirar os trabalhadores e trabalhadoras rurais da condição de segurados especiais, exigindo que este segmento passe a pagar mensalmente a Previdência e elevando a idade para acessar o benefício, os trabalhadores terão que contar a idade e o tempo de contribuição para acessar a aposentadoria. A tendência é que esta categoria se retire do sistema previdenciário, devido sua expectativa de vida ser bem inferior a idade de aposentadoria. Assim, estes recursos deixarão de chegar para estas famílias e para os municípios rurais.
B) A reforma, se aprovada, busca quebrar a previdência pública para incentivar a privatização buscando favorecer os grupos econômicos das eleições nacionais e internacionais:
– Se colocarmos nossa imaginação para funcionar, veremos que a reforma proposta poderá manter apenas parte de nossa geração no sistema. Os setores que, ao fazerem os cálculos e observarem que não adianta aderir ao sistema privado com determinada idade e que vislumbram aposentadoria ainda em vida, podem permanecer. Já os que não vislumbram, devem se desvincular da previdência pública de imediato.
– No caso dos jovens que, ao calcularem sua expectativa de vida, observarem que não compensa pagar a previdência pública, migrarão para os grupos de previdência privada. No entanto, um percentual da atual geração, por não ter mais idade para correr para o sistema privado, deve permanecer no atual sistema, mesmo com a alteração. Entretanto, as próximas gerações, ao somar 49 anos de contribuição casado com a idade de 65 anos, devem se recusar a pagar a previdência pública e recorrer a grupos de previdência privada, provocando, assim, a quebra da previdência pública.
Chamo a atenção que, em alguns outros países onde ocorreram reformas da previdência semelhantes a essa proposta pelo presidente Temer, certos grupos de previdência privada, depois de cobrarem por vários anos a arrecadação previdenciária, declararam falência e deixaram todos os contribuintes na mão, sem ter para quem recorrer.
Somente em um cenário em que não haja pressão forte da sociedade junto aos deputados federais e senadores, a reforma da Previdência pode ser aprovada.
No entanto, se estes parlamentares sentirem que, ao votar nesta reforma, podem estar assinando sua derrota, em 2018, irão propor alterações e até votarem contra, por mais governistas que sejam. Enfim, acredito que o parlamento seja regulado pela pressão da sociedade.
Fica a dica para os que não concordam com esta reforma.
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* É deputado estadual no Pará, filiado ao PT, e escreve regularmente neste blog.
REFORMA DA PREVIDENCIA TEM QUE EXISTIR MAIS NAO DA FORMA QUE ESTAO FAZENDO VAO DIMINUIR O SALARIO DOS APOSENTADOS, COM ISSO VAI TIRAR AINDA MAIS O PODER DE COMPRA, OCASIONANDO UMA DESCELERAÇAO NA ECONOMICA. COMPRAS VAO DIMINUIR CRIANDO MAIS AINDA UMA DESIQUALDADE SALARIAL. AS VENDAS INTERNA VAO SOFRER O BAQUI COM O DECORRER DOS ANOS. NAO SE ILUDAM GANHA SE DE UM LADO E PERDE DO OUTRO. O QUE ADIANTA TER DINHEIRO DE SOBRA NAO MAO DO GOVERNO SE ELES NAO SABEM ADMINISTRAR VAI HAVER MAIS CORRUPÇAO COM DINHEIRO EM CAIXA. E MELHOR DEIXAR NA MAO DO POVO E FAZER A ECONOMIA CRESCER NORMALMENTE.
Completo 60 anos em fevereiro e tenho 28 anos de contribuição . Vou conseguir me aposentar pela regra atual se a reforma passar?
Fico me perguntando porque não reagimos, ora somos mais de duzentos milhões de Brasileiros, continuo a insistir que basta apenas um milhão e meio de pessoas para fazer uma visita ao Congresso e pressionar os Deputados e Senadores, não acham? Tem País que só da autoridade Política ser suspeita ele mesmo tira sua propiá vida, aqui no Brasil os corruptos recebem medalhas….
Concordo com o deputado. Ademais é muito ridícula essa proposta de reforma da previdência por que não imaginam que a coisa mais difícil neste país é alguém se manter empregado por mais de quinze anos ininterruptamente. O normal por aqui é volta e meia o cidadão ficar desempregado, principalmente com estas mudanças na CLT. São muitas perdas para os brasileiros.
Boa tarde!! Estou na mesma situação que a Auxiliadora. Completo 60 anos em Setembro… Faltam apenas 4 meses e 7 dias para me aposentar por idade e com 17 anos de contribuição. Vou morrer na praia também?
Boa tarde!! Estou na mesma situação que a Auxiliadora. Completo 60 anos em Setembro… Faltam apenas 4 meses e 7 dias para me aposentar por idade e com 17 anos de contribuição. Vou morrer na praia também?
Boa noite pessoal, completo 60 anos em setembro…faltam apenas 4 meses e 6 dias para me aposentar por idade e com 16 anos de contribuicao…alguem pode me dizer se consigo com essas manobras que estao inventando ai ou vou nadar e morrer na praia????? recolho como contribuite individual…
ESTE GOVERNO ESTÁ TIRANDO OS NOSSOS DIREITOS PARA O DINHEIRO QUE É NOSSO POR DIREITO, DIREITO ESTE CONSEGUIDO DEPOIS DE TANTOS ANOS, VOLTAR PARA ELES COMO SALÁRIOS ABSURDOS E OS COITADOS COM UM SALÁRIO DE MISÉRIA, MAIS QUE VENHAMOS A TER CALMA SO UM POUCO QUE DEUS VAI NOS DAR A VITÓRIA, ANO QUE VEM É ELEIÇÃO, VAMOS SABER SE ESTE MAL VAI PREVALECER.
Se o governo se preocupasse em acabar com a corrupção dentro do sistema, procurasse receber dos inadimplentes iria descobrir que a previdência não dar prejuízo!
Nos acordos trabalhistas, em sua maioria, não são descontados a parte dá previdência.
Concordo com você deputado, se o povo disser “NÃO” tenho a certeza que essa reforma cairá por água a baixo, medida essa que é absurda, que esse governo ilegível tomou. O cidadão irá passar um longo período contribuindo e não fará o uso adequado ou esperado por tal direito. “a final só ira se aposentar com 70 anos praticamente” isso é uma palhaçada…
A previdência social no Brasil tem dois problemas sérios: A corrupção dentro do próprio sistema previdenciário e as grandes empresas que devem uma imensa fortuna.