Taqui pra ti – Parte 2

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por Jackson Rêgo Matos (*)

Independentes, vamos cuidar de nosso nariz. Viva a república. Lá vem a dita dura; direitas e esquerdas no poder. Discussão popular do que se quer para Amazônia, pacto federativo, participação… NADA. Nós aqui, à margem, continuamos vendo o navio passar, literalmente, agora com a soja e nosso solo sendo levado para China, depois será a água. Mario de Andrade continua com razão. Saúva e corrupção, os males do Brasil são.

A lógica do desenvolvimento continua sendo a do velho Delfin Neto: transforma a Amazônia num faroeste e depois mandaremos o xerife. Com isto, temos mais homicídios, cada um com suas histórias, aumento da taxa de desmatamento em níveis intoleráveis e, o Brasil passa a importar madeira tropical. Depois de 20 anos de resistência, vamos produzir energia, a custo da destruição de um de seus maiores rios, o Xingu.

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Para construir Belo Monte, passa-se por cima das leis, exonera-se funcionários contrários e destitui-se diretores que não querem agir de maneira arbitrária. Viva a democracia e a boa vida na capital! Segundo engenheiros e contabilistas, já veio para o estado, dinheiro para asfaltar a BR 163 por quatro vezes, mas isso não foi admitido, pois pensa-se que asfaltando a BR 163, o Tapajós se emancipa. Isto é, atira-se no próprio pé.

Mas eis a lição de nosso Rio. Mesmo sob muitas agressões, o Tapajós continua fluindo em direção ao mar, vencendo os obstáculos com força e beleza, e certamente chegará no dia 11 de dezembro merecedor, não das vaias, mas do aplauso da vitória e também de seu aplauso, isto com a ajuda de todos os paraenses.

Sei dos infortúnios que nosso povo deve ter causado aos amazonenses, ao saírem do Oeste do Pará em busca de sobrevivência e melhores condições de vida, o projeto da Zona Franca atraiu nossa gente para lá e isto foi um projeto do governo federal. Sei também das humilhações que muitos sofreram, fato este retratado publicamente pelo atual prefeito de Manaus, e que o governo do Pará fez que não viu ou se viu não o soube fazer ou realmente não quis nada fazer, talvez por não reconhecer como seus os cidadãos exilados.

Aliás, só o fez no último dia 21, quanto sua procuradoria tentou impedir o megashow organizado pelos filhos do Tapajós em Manaus, com a presença de vários astros locais e que a PF assistiu de camarote, “então tá explicado?”.

Mais falando em corrupção também por lá, sabe por quanto a ponte Rio Negro foi licitada? E por quanto foi concluída? E o porto no encontro das águas, sabe de onde vem às ordens? Mesmo assim ninguém aqui n Pará vai se atrever a sugerir em acabar com o Amazonas, para ser mais fácil vigiá-los, muito pelo contrário, queremos ver este grande estado consolidando a sua democracia e a sua cultura.

O que queremos, meu amigo, com todo respeito, é um projeto de estado para o Tapajós, como o que Mártir Luther King sonhou para a América, onde todos, índios, negros e brancos possam ser iguais; reconstruir nossa nação, tijolo por tijolo, lágrima por lágrima, dando as mãos como irmãos, isto é superação para citar nosso poeta compositor Chico da Silva; queremos ir a luta com determinação, vivendo a vida com paixão, vencendo com ousadia; sermos nós mesmos, a transformação que queremos para o mundo. Sabemos que somos pobres, mais recomendo a leitura de Lucas 5, pois aqui, aprendemos ser pobres, mais acolhedores.

Temos pouco, mais o pouco que temos, com Deus será muito e acreditamos que a Ciência e a Tecnologia poderá ajudar a gerirmos nosso estado com sabedoria, buscando no manejo da floresta, na biotecnologia, no ecoturismo, na agroecologia e outras alternativas apropriadas, as soluções para alcançarmos em pouco tempo o título de Estado Verde do Brasil.

Nasci no seio de família pobre, mais algo nunca esqueci, as lições de simplicidade e honestidade de meus avós. É isto que quero generosamente deixar para você. Taqui pra ti este artigo, este povo, essa cultura, essa riqueza cênica e o convite com muita humildade: Venha viver e sentir o que é ser daqui, lhe garanto que quando voltares ao nosso Amazonas, para não morrer de saudades, irás querer vim morar junto do povo daqui, será uma honra recebê-lo e faremos muitas Piracaias, ao som do melhor violão, ao lado de uma fogueira no Taparí ou em Alter do Chão.

Agora temos a UFOPA, a universidade da integração Amazônica, onde poderás lecionar e assistir seminários, palestras e debates sem o risco de ouvir vaias em quem não pensa como o que se quer, pois nossos alunos estão aprendendo a exercitar a democracia, dando o direito a liberdade de expressão.

Para terminar, quero contar a todo o povo do Pará, nossos eternos irmãos. O Japão tem demonstrado ao mundo a sua grandeza. Mesmo passando por tudo que passou não se viu um único saque. Muito pelo contrário, se recuperou e vem reconstruindo cada pedaço destruído pelas intempéries sofridas. Sabem por quê? Lá se ensina e se pratica que a corrupção pertence aos fracos de espírito. Esses se juntam e querem o poder, mais os cidadãos de bem se unem e trabalham para que o mal não vença. É isto amigos que queremos, mostrar ao Brasil e ao mundo que com trabalho, honestidade e dignidade, podemos construir o mais belo país do mundo, livre, soberano e dando bons exemplos de civilidade e gentileza para com os outros, com a natureza e para consigo próprio.

A descentralização além de uma opção, é um exercício legitimo para quem quer ter o direito e a responsabilidade de poder cuidar de nossa biodiversidade, de nossos recursos e de nossa cultura, gerir de forma ética e moderna o que é nosso e por isto queremos vê-lo de nosso lado, dizendo SIM ao Tapajós independente.

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* É doutor em Desenvolvimento Sustentado pela UnB, ex-diretor de extensão do INPA. Atualmente é professor da UFOPA.


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