Leila Ximendes foi morta a golpes de faca na véspera da eleição de outubro. Era sindicalista
Andresa e o marido Esdro com foto de Leila na camisa: crime impune
Familiares de Leila Ximendes, 29 anos, assassinada a golpes de faca há 90 dias na cidade de Rurópolis, oeste do Pará, não acreditam que a sindicalista do STTR (Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Ruais) tenha sido vítima de crime político.
Para Andresa Fernandes, cunhada de Leila, no início a família chegou a acreditar nessa possibilidade. Mas hoje descarta essa linha de investigação.
“Embora ela fosse do sindicato e estava apoiando o partido adversário [PMDB], Leila não era alvo direto. Ela não era candidata, apenas apoiava [Taká Padilha, o novo prefeito de Rurópolis]”, disse Andresa em entrevista exclusiva ao Blog do Jeso.
Agente comunitária de saúde, Andresa Fernandes é quem está a frente do caso como representante da família da jovem assassinada na véspera da eleição do ano passado.
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Blog do Jeso – A polícia tem mantido os familiares de Leila informados sobre as investigações que estão em curso sobre o caso?
Andresa Fernandes – Nem sempre. Muitas vezes fomos atrás de informações e ninguém soube nos informar nada. Eu estou toda semana na delegacia, falo com o outro delegado de Santarém [Sílvio Birro] que está investigando o caso, mas só dizem que está quase concluído o caso. Passa o tempo e nada de resposta.
Blog do Jeso – A família acredita que Leila foi vítima de crime político?
Andresa Fernandes – Não. Acreditamos que não. A princípio achamos sim, mas embora ela fosse do sindicato e estava apoiando o partido adversário [PMDB] e que ganhou, Leila não era alvo direto. Ela não era candidata, apenas apoiava [o prefeito empossado de Rurópolis Taká Padilha]. Pode até ter sido crime político, mas tem muito coisas a serem reveladas que apenas aparenta.
Blog do Jeso – A versão de crime por latrocínio também é vista dessa forma pela família. Ou seja, fora de cogitação?
Andresa Fernandes – Não sabemos. É difícil responder, porque não foi levado nada dela. Nem a moto caiu ou estava arranhada. Leila parou para falar com alguém. E ela não parava para desconhecidos. Não andava com bolsa, só o celular na mão. Dizem que ela tinha dinheiro na capa do celular. Mas não foi encontrado a capa nem o dinheiro, mas o celular não levaram. Poderiam ter levado a moto também, que é nova.
Blog do Jeso – 90 dias e o crime ainda não foi elucidado. A família perdeu as esperanças?
Andresa Fernandes – Nunca perdemos a esperança, mas sabemos que cada dia perdido é uma dificuldade a mais para desvendar esse crime. Tanto é que lá pelo dia 15 vamos fazer um novo manifesto para chamar a atenção das autoridades, e precisamos contar com todos os meios possíveis para divulgar esse manifesto.
Blog do Jeso – Além dos familiares, quem tem dado apoio importante para que o assassinato de Leila não fique impune?
Andresa Fernandes – A princípio, até os deputados Airton Faleiro e Zé Geraldo [ambos do PT] estavam conosco, mas agora a única pessoa de fora que está nos ajudando é o Paulino Magno [presidente do PT em Rurópolis].
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