O post Nasce Américo Braga, um ilustre desconhecido suscitou o comentário abaixo, da lavra do jornalista Jota Ninos:
São pessoas como essas, que já morreram e provaram que em sua vida pública foram de relevância para a nossa história e que mereceriam ser homenageadas em logradouros públicos de Santarém, pelos nosso vereadores.
Ao invés disso, ao arrepio da lei que não permite homenagem a pessoas em vida, temos em Santarém um bairro homenageando a deputada Elcione Barbalho, que votou NÃO contra a criação do Estado do Tapajós; temos outro bairro (Jaderlândia) homenageando Jader Barbalho, que também trabalhou nos bastidores contra o projeto (vide votação expressiva do NÃO em Ananindeua, administrada por seu filho Hélder Barbalho); temos até rua no bairro da Conquista homenageando o deputado gaúcho Waldir Ganzer, surgido das lutas sindicais em Santarém, mas que vendeu sua alma a Belém e também votou NÃO contra nosso Estado.
E, finalmente, o mais gritante de todos: temos o prédio da Prefeitura Municipal homenageando o ainda em vida Jarbas Passarinho, coronel da ditadura e que sempre foi contra a criação do Estado do Tapajós!
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Será que algum(a) vereador(a) de Santarém vai honrar as calças (ou saias) que veste e ser mais que um simples propositor de menções honrosas para pessoas, às vezes, inexpressivas, e apresentar um projeto que acabe com essa vergonha dos logradouros públicos?
Quando os vereadores santarenos terão mais tutano e coragem para fazer pesquisas aprofundadas na história, antes de fazer homenagens esdrúxulas, ou aceitar que algum prefeito dê o nome de uma rua homenageando uma pessoa morta, até de sua família, sem nunca esta ter tido qualquer expressão na vida, a não ser a de ter sido um quase-parente do(a) alcaide?
Ao invés disso, os vereadores geralmente se preocupam mais com a mudança dos nomes de blocos carnavalescos de Alter do Chão porque ferem seus ouvidos sensíveis, como foi relatado aqui no blog há cinco anos (https://goo.gl/5UTaY) e que eu ironizei em um artigo neste mesmo espaço (https://goo.gl/sSnCq)…
Caro Jota,
Se existe a lei que impede homenagem a pessoas vivas, basta acionar o Ministério Público para fazer a lei acontecer em Santarém.
Lembro que já foram feitas várias listas de homenageados que estão esquecidos do poder publico. Mas de que adiantam as listas se nossos nobres edis da Câmara Municipal não se mobilizam?
Quem sabe se o MP cutucar nossos legisladores e nossos gestores municipais algo pode ser feito.
Fraterno abraço!
Recentemente a Avenida Sérgio Henn….quem foi para a cidade heim? e a praça na frente da cidade com nome de familia tradicional da elite santarena.
Quando os politicos de Santarém serão mais inteligentes heim?
Caro Jota Ninos, a inatividade dos nossos vereadores nessa área, além de decepcionante, evidencia o grau de subalternidade a uma tradição colonial de aceitação e curvamento frente aos políticos da capital. Vedes, nenhum dos políticos que você citou como homenageados aí em Santarém possui qualquer relevância efetiva para a vida e a história da cidade. Então, isso não se justifica. Lembro-me que os colegas do PT sempre foram críticos destas homenagens esdrúxulas a políticos vivos que concedem nomes a monumentos, prédios, ruas ou bairros da cidade, mas nenhum dos nossos camaradas, hoje, se mobiliza para por fim a esta imoralidade e ilegalidade que somente alimentam uma cultura política colonialista aí no Tapajós. Todos esses políticos já deveriam ter sido execrados publicamente pelos nossos homens públicos, a fim de começar um movimento de resistência e desmitificação dos mesmos entre a população, a massa desinformada. Esses políticos tiram votos dos nossos políticos em eleições estaduais e federais e enfraquecem as nossas bases de representação parlamentares. Os barbalhos, o Ganzer, os passarinhos etc. são políticos oportunistas e que não possuem o mínimo de qualificação para nos representar ou receber qualquer tipo de homenagem de nós tapajônicos. Então, é preciso pressionar os homens públicos aí da cidade para darem um fim a essas idiossincrasias de ficar homenageando esse pessoal que, como eu disse, age contra nós, rouba votos dos nossos políticos, enfraquece-nos nos parlamentos estadual e federal, alimenta uma cultura política colonial de valorização dos políticos da capital e enfraquecem nossas lutas.
Mas grave ainda, meu caro Ninos, são os prefeitos que fazem homenagem impondo o nome de seus pais (diga-se de passagem ilustres desconhecidos que nada fizeram pela cidade) a logradouros ou escolas públicas ou ainda fazendo homenagens a pessoas que nada tem a ver com a história do município.