Contraponto da leitora Francisca Barros ao post Cota indígena na UFOPA: erro grosseiro:
Se não há indígenas em Santarém, não deve também haver eslavos na Rússia, nem latinos na Itália, Espanha e Portugal, nem negros na África inteira…
Caro Jonivaldo, sei que você deve ter uma explicação técnica para sua afirmação, afinal essas teorias antropológicas são bem “variadas”…
Umas das afirmações mais absurdas que já ouvi na vida foi uma feita por aquela atriz do filme Tainá – Eunice Baía -, no Programa do Jô, há um tempo atrás…
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Peguntada pelo apresentador se ela é índia, ela disse que NÃO… mesmo afirmando que sua avó ainda vive na aldeia, vivendo absolutamente uma vida segundo a tradição indígena, como lhe convém…
Se essa atriz não é índia, Pelé é nórdico.
Caro Marcos Antonio, eu só não entendo muito bem, por que a aos índios cabe o “direito” de se declararem “não-índios”!!!!!
Não ouvi dizer que aos brancos cabe o mesmo “direito”!!!
Nunca ouvi falar que etnia fosse uma “opção”. Se fosse, eu provavelmente me declararia esquimó..
É sempre triste quando há negação de identidades, pois todas as discussões acerca do tema têm-se direcionada para a afirmação das identidades étnicas e culturais e não o inverso…
Falta um pouco mais de diligência na leitura do doutrinador. Para ser índio não basta pertencer a uma etnia indígena. Tem-se que se reconhecer e se sentir como índio, além, é claro, de se levar em conta a questão da ancestralidade. Até uns dez anos atrás, no Arapiuns, se você chamasse alguém de “índio”, era pior do que xingar a mãe. Hoje, eles se “descobriram” ou se “redescobriram” como índios, inclusive, cúmulo do exagero, fazem “rituais” que eles nem sequer sabiam que existiam, devidamente orientados. A eles cabe escolher se declararem como índios, principalmente por possuírem ascendentes índios, daí a serem reconhecidos enquanto índios legítimos é outro passo. Já você, se quiser ser esquimó é um direito que lhe assiste, se for aceita entre os inuítes, não se poderá questionar a opção, o que não se pode é recriminar quem não quiser se declarar índio, negro, branco… Tanto que quando da realização do censo populacional é o entrevistado quem declara sua “raça” e não o entrevistador quem a informa. Se um negro se declara branco é assim que vai constar.
Essa é a chica que eu conheço… rsrsrsr Como vc esta?
Estou bem, Walace, e o sr.?
Que pena que não pudemos nos despedir em grande estilo…
Minha saída dai demorou tanto e foi tão de repente ao mesmo tempo…
mas vou esperá-lo por aqui… Se tu aparecer por aqui vai me ver como tu sempre quis: uma escrava do Estado… Se eu não ganhar na loteria, vou acabar como hippie lá em Alter do chão…
Se a “Tainá” não quer ser “índia” é um direito que lhe assiste, pois: “… o sentimento de pertinência a uma comunidade indígena é o que identifica o índio. A dizer, é índio quem se sente índio. É essa auto-identificação, que se funda no sentimento de pertinência a uma comunidade indígena, e a manutenção dessa indentidade étnica, fundada na continuidade histórica do passado pré-colombiano que produz a mesma cultura, constituem o critério fundamental para a identificação do índio brasileiro…” (SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 28. ed. rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 854).
Marcos Antonio dos Santos Vieira
Defensor Público