Poesia

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O pescador do rio Tapajós

De tarde, em cima do cais, a sós,
o pescador, na margem do Tapajós
lança o anzol até onde alcança
e sente o beliscar das lembranças.

Cada vez mais, tesa-lhe a linha
onde o horizonte se alinha:
é o peixe da saudade, vadio,
que puxa o anzol, mordendo macio.

De repente, o caniço se curva
e seus olhos molhados se turvam
ante o peixe que brilha no ar.

E então, no ofício da pescaria
o pescador vê que pesca a poesia
no rio imenso do seu olhar.

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De Valter Brumatte, ex-delegado da Capitania dos Portos de Santarém (1987).


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