Poesia

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A minha tragédia

Tenho ódio à luz e raiva à claridade
Do sol, alegre, quente, na subida.
Parece que a minh’alma é perseguida
Por um carrasco cheio de maldade!

Ó minha vã , inútil mocidade,
Trazes-me embriagada, entontecida!…
Duns beijos que me deste noutra vida,
Trago em meus lábios roxos, a saudade!…

Eu não gosto do sol, eu tenho medo
Que me meiam nos olhos o segredo
De não amar ninguém , de ser assim!

Gosto da Noite imensa, triste, preta,
Como esta estranha e doida borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim!…

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De Florbela Espanca, poeta portuguesa.


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3 Responses to Poesia

  • Jeso, obrigada por nos presentear Florbela. Melhor comentário para ela, somente ela. Um bom dia.
    Sem remédio

    Aqueles que me têm muito amor
    Não sabem o que sinto e o que sou…
    Não sabem que passou, um dia, a Dor
    À minha porta e, nesse dia, entrou.

    E é desde então que eu sinto este pavor,
    Este frio que anda em mim, e que gelou
    O que de bom me deu Nosso Senhor!
    Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

    Sinto os passos de Dor, essa cadência
    Que é já tortura infinda, que é demência!
    Que é já vontade doida de gritar!

    E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
    A mesma angústia funda, sem remédio,
    Andando atrás de mim, sem me largar!

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