Degredo

Tenho medo de ter medo
do medo que não sei ter.
(O segredo é o arremedo
do medo de dizer)

– Teria eu, medo de ser?
– Medo de perecer no degredo?
Meu medo é o arremedo
do medo de não medrar…

[Narciso não nasceu indeciso.
No siso de seu sorriso,
refletiu-se o medo
de sua coragem,
por não saber que sua miragem
no espelho refletida,
seria o fim de sua vida]

Não tenho medo de espelhos!
Tenho medo, sim,
dos olhos vermelhos,
que choram lágrimas virginais
e projetam a loucura plácida
dos voyeurs e débil mentais

Não me cedo tão cedo
ao desejo de fenecer.
Nem me excedo ao ledo
engano de renascer.

Meu medo é o enredo
do medo de me olhar
no fundo do espelho
dos olhos vermelhos,
de menstruar…

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De Jota Ninos, de Santarém.

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