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Era um grande anfitrião e incentivador da cultura santarena, em especial, a música

Quem foi Francisco Coimbra Lobato, que virou nome de escola em Santarém
Francisco Coimbra: nascido em Porto de Moz e que adotou Santarém como sua terra natal. Foto: Álbum Familiar

Morto em 2016 aos 80 anos, Francisco Coimbra Lobato virou nome de escola em Santarém (PA) por aprovação da Alepa (Assembleia Legislativa do Pará) e graças à iniciativa do deputado estadual José Maria Tapajós (PL).

O portal BJ revela, em texto escrito por João Lobato, um dos 6 filhos do empresário, quem foi afinal Chico Coimbra, como era mais conhecido.

Conheça-o:

Francisco Raimundo Coimbra Lobato, nasceu no município de Porto de Moz, no Pará, em 17 de junho de 1936 e faleceu em 28 de agosto de 2016, em Santarém, terra que adotou por amor. Foi casado por mais de 60 anos com Elinôr Carmen de Oliveira Lobato, constituindo dessa união feliz, uma prole de seis filhos, Franceli Maria, Zuila Nazaré, Carmen Elinôr, João Francisco, Rosana Cristina e Antônio Anselmo. Completou o ginásio no Colégio Dom Amando e formou-se em Técnico em Contabilidade, na escola Fênix Caixeral Paraense em Belém nos idos de 1955.

Francisco… que todos conheceram como Chico Coimbra, começou a trabalhar muito cedo e sempre valorizou o trabalho, órfão precocemente, foi assistido pelos tios e avô com a responsabilidade de ajudar a mãe e aos irmãos. Fez carreira na empresa Coimbra e Filhos (do avô e tios), depois na sucessora Coimbra e Irmãos (dos tios), até tornar-se sócio dos mesmos no final dos anos 1960 e instituindo e liderando o Grupo Coimbra Lobato.

Preocupava-se com o futuro da cidade de curto e longo prazo, fosse por ações imediatas como o apoio real ao esporte e às causas sociais, além de participação na vida política da cidade, embora nunca tenha postulado cargos ou funções públicas, pois que pelo contrário, declinou de muitos convites. Era uma unanimidade entre contrários, um mensageiro da paz e do entendimento, com boa-fé e boa-vontade, sempre pregou a conciliação e a convergência, tão necessários nos dias de hoje.

Sua visão empreendedora e de desenvolvimento ia bem mais longe – via que era preciso formar quadros profissionais novos qualificados tecnicamente para a cidade e dela oriundos, sem descuidar, no entanto, dos aspectos morais e éticos.

Isso o levou a organizar e apoiar estruturas capazes de permitir que muitos santarenos chegassem à universidade, tão difícil àquela época, que teve como o coroamento desse esforço e empenho, a criação da ASSEUMA (Associação Assistencial ao Estudante Universitário do Médio Amazonas) fundada e mantida por muitos anos com seus recursos próprios em Belém.

Essa inciativa ajudou na formação profissional de mais de 700 jovens, que saíram de Santarém para estudar o ensino superior na capital do estado. Os frutos dessa inciativa não demoraram a aparecer e hoje estão disseminados na região.

Via também, com extrema preocupação a necessidade de criação de empregos e riqueza na região, daí sua decisão, investir no setor industrial e instalar pioneiramente em Santarém, primeiro uma beneficiadora de borracha natural e látex, depois, verticalizando essa atividade industrial, uma fábrica de artefatos de látex, atividade altamente concentrada e monopolizada no Sul do país.

No dia a dia de sua organização empresarial não era menor sua preocupação com o ambiente de trabalho, a remuneração, a habitação e a segurança de seus colaboradores. Desenvolvia grande esforço para ampliar o leque de benefícios diretos aos empregados, independente de obrigações legais, tais como: financiamento de residências, subsídio ao transporte, cooperativa de abastecimento, clube de lazer, creche, associação de funcionários e as memoráveis festas anuais, mormente a de Natal.

As atividades de responsabilidade e investimento social da empresa eram colideradas por sua esposa Elinôr, incluindo a gestão de amplo projeto de assistência social com mais de 20 creches-casulo em locais de grande vulnerabilidade do município. A isso tudo ele chamava de lucro social, o que o deixava muito feliz.

Em certa época, em atividades que iam desde concessionária de veículos e produção agrícola, até atividades industriais na área da borracha, liderava um contingente de mais de 800 funcionários, desde Rio Branco no Acre, Porto Velho em Rondônia, Moju, Santarém e Belém, no Pará, chegando à capital paulistana e Penápolis no estado de São Paulo.

Desfrutando de um amplo leque de amizades que ia desde os poderosos da República até seus mais humildes colaboradores, dava a todos a mesma atenção e carinho, irradiada pelo seu sempre presente bom humor e alegria contagiante. Era um grande anfitrião e incentivador da cultura santarena, em especial, a música – organizou memoráveis encontros festivos e inesquecíveis e animadas serenatas.

A enumeração de fatos e ações por ele praticadas fica na consciência e avaliação de cada um dos que tiveram o privilégio de com ele conviver.


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7 Comentários em Quem foi Francisco Coimbra Lobato, que virou nome de escola em Santarém

  • Muito agradecido ao Sr. Chico Coimbra. Fui morador da CEUMA por 02 anos. Ajudou a me formar Contador.

  • O Chico Coimbra foi um dos que me recepcionaram em minha chegada a Santarém, em 1974, a pedido do saudoso Osmar Simões. Sua humildade cativava a todos e a mim, particularmente, o projeto assistencial de acolhida de estudantes em Belém via ASSEUMA. Muitos doutores de hoje devem muito a esse nosso inesquecível AMIGO. Gostaria de acrescentar, com a permissão do meu amigo João Coimbra, que como desportista, o Chico foi incansável, não somente colaborando com o seu Leão Azul Santareno, como com os demais clubes da cidade. Ficou o legado, muito vem aproveitado por seus filhos e netos. Nossa saudade e carinho. Homenagem mais do que justa da Alepa.

  • Embora bem escrito, o texto é injusto, por ser curto, com a memória do seu Chico, sobretudo naquilo que ele fez, como mecenas, na formação acadêmica e profissional de tantos jovens do baixo Amazonas.

  • Caro João Lobato, seu oportuno e necessário depoimento sobre a vida do Chico Coimbra (com quem tive o privilégio de privar no âmbito familiar), a par da feliz iniciativa da ALEPA em dar o seu honrado nome a uma destacada instituição de ensino de Santarém, fazem grande justiça à sua memória, como o empresário de elevado senso de responsabilidade social, o cidadão exemplar, o chefe de família amoroso, o amigo solidário e o homem de bem que ele nunca deixou de ser. Parabéns!

  • Não o conheci pessoalmente, mas pelo que ouço falar, era um homem visionário e bom. Outro atributo que chama atenção era o fato dele ser azulino. Mas só pelo fato de ter ajudado sobremaneira na formação profissional de muitos santarenos, merece ser lembrado e ter seu nome como patrono da escola técnica de Santarém. Vale ressaltar que a primeira vez que ouvi alguém falar bem do seu Chico Coimbra, foi numa sala de aula do Álvaro Adolfo, quando o saudoso professor Raimundo Navarro o chamou de “grande benfeitor da educação”.

  • Conheci seu Chico ainda adolescente e o que mais chamava atenção era o seu amor pelo São Francisco Futebol Clube, do qual foi presidente onde conquistou diversos títulos. Após seu Chico partir para São Paulo, o clube nunca mais foi o mesmo, inclusive perdeu sua Sede Social por má gestão de quem comandava o clube na ocasião. Hoje o São Francisco está perto de desaparecer, infelizmente.

    1. Chico Coimbra sempre foi nome de referência do clube. Bem lembrado. Torcedor maiúsculo do Leão Azul.

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