por Alex Assunção (*)

alex assuncaoHoje o nosso município de Monte Alegre, celebra 134 anos de Emancipação. A sua origem vai bem mais do que essas treze décadas. Ele originou-se de uma aldeia indígena, denominada Gurupatuba, localizada no alto de uma colina, hoje habitada por um povo hospitaleiro, formado por descendente dos primeiros habitantes, os Gurupatubas e pelos descendentes dos imigrantes: portugueses, africanos, espanhóis, turcos-libaneses, japoneses e recentemente por pessoas oriundas de diversas partes deste país.

Segundo o historiador Artur César Ferreira Reis, Monte Alegre é considerada uma das mais antigas fundações urbanas da Amazônia, tendo sua origem anterior a própria ocupação da região pelos colonizadores portugueses. A primeira visita dos padres e missionários católicos se deu na metade do século XVII, quando o jesuíta Pe. João Felipe Bettendorf ergueu o primeiro cruzeiro nestas terras e em seguida construiu uma igrejinha dedicada a Nossa Senhora da Conceição, que teve sua dedicação no dia 08 de dezembro de 1657.

monte alegreVista aérea de Monte Alegre

Este primeiro contato dos missionários com os nativos está registrado em uma carta enviada, pelo Pe. Bettendorf ao superior dos Jesuítas em Roma, Pe. Gian Paolo Oliva, no dia 21 de julho de 1671, onde ele assim descreveu Monte Alegre: “por fim chegamos a aldeia que fica situada numa serra muito alta, jorra uma fonte com água cristalina de uma rocha que se encontra bem no meio da montanha. No sopé da mesma vê-se o rio Amazonas – de aspecto agradável por entre matas exuberantes e prados verdejantes – dividido em vários braços e abundando de peixe e, sobretudo, de peixe-boi”.

Monte Alegre, a partir de 1681, passou a contar com a presença permanente dos religiosos jesuítas, permanecendo na frente da missão até 1693, quando a missão passou para a responsabilidade dos Frades Capuchos da Piedade (franciscanos vindo de Portugal), que logo ergueram um grande templo em homenagem a São Francisco de Assis, atual padroeiro do município.

No dia 27 de fevereiro de 1758, a missão foi elevada a condição de Paróquia e a Aldeia em condição de Vila, já com o nome de Monte Alegre. Finalmente no dia 15 de março de 1880, a vila foi elevada a título de cidade.

Os frades da Piedade ficaram em Monte Alegre até o decreto de Pombal (1760), quando todos os religiosos foram expulsos do Brasil por se posicionarem contra a escravidão indígenas e africana. Terminando a época pombalina (1808), Monte Alegre ficou sendo assistida pastoralmente pelos padres diocesanos de Belém que vinham em desobriga a Paróquia, mas não moravam aqui.

Finalmente no início do século XX, Monte Alegre recebe novamente os Frades Franciscanos, inicialmente os frades vindo de Tirol, depois da Alemanha e finalmente os frades Americanos. Hoje a paróquia é assumida por dois nativos pinta-cuias e mais dois mocorongos, como a história mudou…

A Igreja sempre contribuiu para desenvolvimento do povo pinta-cuia, e quero deixar aqui meus agradecimentos a todos os missionários e missionárias, catequistas, educadores, profissionais da saúde, aos balateiros, agricultores, pecuaristas, pescadores, lavradores, garis, comerciantes, aos vereadores e vereadoras (sobretudo aqueles do passado que serviram o município sem remuneração), aos gestores que amaram e amam esse município e que o ajudaram se desenvolver e ser o que ele é hoje. Agradeço a todos os filhos da terra que tiveram oportunidades de sair em busca de conhecimento e que retornaram e contribui para enobrecer esta terra.

Parabéns Monte Alegre!!!
Parabéns a todos que te amam e cuidam de ti!!!
Que nós os teus filhos possamos fazer de ti um monte Feliz, Alegre e Altaneiro!!!

Que Deus vos abençoe,
Que Deus abençoe Monte Alegre!

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* É frade e atual pároco de Monte Alegre.

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5 Comentários em: Para não perdermos a memória

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  • Adriano Tapajós disse:

    Ótimo parecer histórico, feito pelas sábias palavras do Frei Alex. Monte Alegre é uma bela cidade, possui uma vasta memória artística, cultural e religiosa. Os missionários possuem uma influência direta no desenvolvimento dessa linda cidade. Fico feliz em saber que esse nobre filho da terra não deixa sua história morrer e torce pelo seu desenvolvimento.

  • Erlison Campos disse:

    Parabéns, ao texto, aos serviços de nossos religiosos e religiosas que assistem este município e a todos que fazem parte dessa bela terra….

  • daniel freitas disse:

    Parabens pelo texto, e parabens a minha cidade.

  • Adm. João Fonseca disse:

    Muito oportuno esse resgate histórico da evolução de Monte Alegre feito por Frei Alex Assunção, atual pároco da Igreja Católica local, o mesmo é filho legitimo da Vila de Pariçó em Monte Alegre, tendo sido o primeiro pároco nascido nestas terras gurupatubanas.

    Forte Abraço!!!

    1. Jeso Carneiro disse:

      Concordo, Fonseca. Um texto preciosíssimo esse do frei Alex. Principalmente para quem quer ter mais e mais conhecimento sobre a história da charmosa Monte Alegre. Parabéns, Alex!