
Os aparelhos de controle ideológico passaram a funcionar a todo vapor nos dias que antecedem as eleições. Não resta dúvida que a especificidade do nosso momento histórico é de produzir mentiras, falsidades e demagogia em escala industrial.
Como destacou o prof. Silvio de Almeida, não se trata apenas de divulgar mensagens falsas para enganar as pessoas, mas sim de constituir um verdadeiro sistema de entorpecimento da população.
As fake news e as engrenagens que as repercutem são apenas parte do problema. Não dá para achar que isso decorre apenas da falta de caráter, da ignorância ou da ingenuidade dessas pessoas. Explicações deste tipo, como destacou o professor Vladimir Safatle, que atribuem ao outro algum tipo “déficit” são muito limitadas e acabam subestimando os processos sociais.
- Leia também de Felipe Bandeira: Castelo de cartas e balcão de negócios: a política econômica de Bolsonaro nas eleições.
No caso do bolsonarismo, é evidente que as pessoas se identificam e se reconhecem nas narrativas do atual presidente – e pouco importa se são reais ou imaginárias. Na verdade, as narrativas imaginárias sempre foram fundamentais nos processos de construção de identidade e coesão política.
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Quando as pessoas se reconhecem numa bandeira, cultuam um líder carismático e se identificam com princípios comuns, elas deixam de se posicionar isoladamente e passam a se posicionar como um corpo social.
Foi exatamente isso que o bolsonarismo produziu: um corpo social autoritário, violento e patriarcal. Aparentemente não há nada de novo nessa composição. Mas, como chamava atenção o saudoso professor Chico de Oliveira, no Brasil, o desenvolvimento é modernizando o arcaico.
O Brasil dos anos 1940 chegou a ter a maior organização fascista fora da Europa, por que cargas d’águas não teria uma grande organização fascista nos dias de hoje? Com Bolsonaro, modernizaram-se os métodos e as narrativas, mas o conteúdo arcaico continua lá.
Isso não vai desaparecer do dia para a noite. Por isso, se Lula ganhar as eleições, terá um duplo desafio: reorganizar a economia e reestabelecer o equilíbrio institucional numa sociedade dividida.
Mas, antes, terá que desmantelar os aparelhos ideológicos do autoritarismo e punir as mentiras e ataques à democracia. Estamos num caminho sem volta onde as narrativas hegemônicas viraram do avesso antigas demandas populares.
Esta foi uma grande sacada dos modernizadores do arcaico. Sob o discurso de combate à censura, meios de comunicação como a Jovem Pan advogam seu direito de mentir explicitamente em seus programas de rádio e internet.
Para defender a família, “o cidadão de bem” utiliza de uma moralidade rasteira que encobre traições, pedofilia e agressões. Para defender a igreja, pastores e parte dos evangélicos entraram numa cruzada contra minorias sociais e outras denominações religiosas.
- Os ninhos de Lula e Bolsonaro: Tapajós e Arapiuns são as áreas mais lulistas; Planalto, a mais bolsonarista de Santarém.
Para defender a nação, “os patriotas” se submetem aos interesses internacionais e defendem programas econômicos que penalizam os mais pobres. Para combater à corrupção, “seus políticos” produziram um orçamento secreto e se juntaram com o centrão, milicianos, psicopatas (como Roberto Jefferson) e juízes parciais.
Talvez tenha chegado a hora de inverter novamente esse jogo. O custo da omissão é muito alto. Tá na hora de desmantelar os aparelhos ideológicos da mentira. Para isso, nossa tarefa prioritária é votar Lula 13 presidente.
Ah, e antes de acabar esse texto, queria lembrar você – você mesmo que não aguenta mais o Bolsonaro, mas também não morre de amores pelo Lula: o voto é secreto! Vamos de 13!
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Só li fake news no texto do prof