Extrema-direita se une a pastores e militares, e avança com neofascismo. Por Válber Pires
Ativistas da extrema-direita em manifestação na Inglaterra. Foto: Reprodução

Os governos dos Estados Unidos e da França, os mais importantes ícones da democracia moderna, estão sendo ameaçados por militares e ex-militares. Nos EUA, acusam Biden de ser comunista e de estar decrépito.

Na França, acusam o governo de compactuar com o comunismo e o terrorismo. Esses são argumentos fantasiosos usados pela extrema-direita para arrebanhar seguidores.

 

Válber Pires *

Em primeiro lugar, o fato de serem utilizados por militares para ameaçar governos e instituições políticas evidencia o modus operandi que a extrema-direita está amadurecendo para conquistar o poder nos centros de poder mundial e de lá para o resto do mundo: a força militar, a força bruta, única forma de impor o terror e a barbárie inerente às ideias supremacistas, classistas, mafiosas e preconceituosas que defendem, isto é, as ideias de superioridade dos brancos e inferioridade de não-brancos, submissão da mulher, destruição do Estado, da ciência, obscurantismo religioso, máximo de proteção e privilégio aos ricos, fim de direitos sociais, fim de direitos trabalhistas e redução do direito do trabalhador ao salário líquido, à subsistência.

Em segundo lugar, os argumentos fantasiosos demonstram que o capitalismo se tornou uma religião para estas pessoas. Não à toa, o braço ideológico mais importante da extrema direita são as igrejas evangélicas e seus pastores. Como tal, não importa se é manipulação ou não, se capitalismo existe e comunismo não existe e se, em nível teórico, tanto capitalismo quanto comunismo tem aspectos positivos e negativos.

É uma questão de fé, logo, irracional e unidimensional: o que é capitalismo é bom e o que é comunismo é mal. Mas, o que é capitalismo e comunismo? Os fieis não sabem dizer. Como é uma religião, capitalismo é aquilo que seus profetas dizem que é, enquanto que comunismo é o demônio que estes profetas exorcizam.

Não entendem que capitalismo é tão somente aquilo que agrada aos seus profetas e comunismo tudo o que desagrada seus interesses. Em terceiro lugar, o escancaramento destes argumentos fantasiosos e irracionais, assim como a força da extrema direita nos EUA, França, no Brasil e quase todas as grandes e pequenas democracias ocidentais demonstra que o mundo civilizado está sendo sitiado por pessoas psicóticas em total ruptura com a realidade e dispostas a matar, morrer, violentar e barbarizar pessoas, instituições sociais, políticas e religiosas em nome da sua fé.

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O pior é que este movimento da extrema-direita conta com a adesão de todo tipo de “bandido convertido”, mas que não deixa de ser bandido. São os bandidos do narcotráfico, tráfico de armas, das milícias (muitos dos quais militares e ex-militares), dos jogos de azar, do tráfico humano, do crime organizado dentro do Estado, do grande capital financeiro-especulativo.

São bandidos ungidos por pastores bandidos que estão armando até os dentes seus fiéis. Por fim, do outro lado, isto é, do lado das forças democráticas, civilizadas, não se vislumbra qualquer movimento de resistência mais incisivo. Caminhamos resignados para o matadouro. Estamos diante de um ensaio geral do pior inverno da história da humanidade.

— Válber Pires é professor universitário, doutor em Sociologia, com pós-doutorado em Socioeconomia e Sustentabilidade. Escreve regularmente no BJ.


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