
Uma operação de restituição de gado realizada no último dia 7 de janeiro, no oeste do Pará, expôs um desfecho dramático em uma disputa judicial travada há quase um ano entre um produtor rural e o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
Em cumprimento a uma ordem da Justiça Federal, apenas 180 das 337 cabeças de gado apreendidas originalmente foram devolvidas ao fazendeiro Wanderson Soares, revelando um prejuízo milionário e sinais severos de negligência na guarda dos animais.
A devolução ocorreu em uma fazenda localizada em Belterra (PA), onde o rebanho estava sendo mantido provisoriamente pelo Ibama.
Segundo relatórios técnicos anexados ao processo, os animais entregues apresentavam um estado de “extrema penúria física”, com sinais visíveis de desnutrição e ferimentos não tratados. Além do estado precário dos sobreviventes, a contagem final apontou o desaparecimento ou morte de 157 animais, se considerado o rebanho original confiscado em março de 2025.
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Entenda o caso
O conflito teve início em março de 2025, durante a “Operação 8 Segundos”, deflagrada pelo Ibama para combater o desmatamento ilegal na região conhecida como Chapadão, em Uruará (PA). Na ocasião, os fiscais apreenderam 337 bovinos e 2 muares de propriedade de Wanderson Soares, sob a alegação de que o gado pastava em uma área embargada por infrações ambientais.
O caso ganhou contornos complexos nos tribunais quando o Ibama informou à Justiça que o gado já havia sido doado para a Prefeitura de Placas (PA) e abatido para consumo, pedindo o encerramento do processo.

Contudo, a defesa do fazendeiro provou que a informação era falsa: o prefeito da cidade negou ter recebido os animais e, na verdade, havia desistido da doação por falta de logística.
Confrontado, o órgão ambiental admitiu posteriormente que os animais ainda estavam vivos e haviam sido deixados sob a responsabilidade de um terceiro, o proprietário da fazenda em Belterra.
A decisão judicial e o impasse na entrega
Diante das contradições e do risco aos animais, em setembro de 2025, a Justiça Federal determinou que Wanderson Soares fosse nomeado o guardião legal (fiel depositário) do próprio rebanho, devendo retirá-lo da área embargada e custear sua manutenção até o fim do processo.
Apesar da decisão, a entrega dos animais enfrentou meses de atraso. Em dezembro de 2025, o juiz responsável pelo caso endureceu a ordem, exigindo a devolução em 48 horas sob pena de multa.
No entanto, na véspera do Natal, uma tentativa de retirada foi frustrada pelo dono da fazenda onde o gado estava, que exigiu o pagamento de despesas de pastagem antes de liberar o rebanho, gerando um novo impasse.
Intime-se o IBAMA, com urgência e por mandado, para, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, informar à parte autora em que local estão depositados os 337 (trezentos e trinta e sete) bovinos e 02 (dois) muares […] bem como, entregar os referidos animais à parte autora, sob pena de pagamento de multa.
O saldo da operação
A diligência finalizada em janeiro de 2026 confirmou os temores da defesa sobre a integridade do patrimônio. Do total apreendido, mais de 35% do rebanho foi perdido. O relatório da entrega aponta que, além dos animais mortos, cerca de 40 cabeças teriam fugido e não foram localizadas.
O laudo veterinário descreveu os animais sobreviventes como estando em condição de “caquexia” (fraqueza extrema), evidenciando que, durante o período em que estiveram sob tutela do Estado e de seus intermediários, o rebanho sofreu com a falta de manejo adequado e alimentação insuficiente.
O processo segue em tramitação na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária do Pará, onde se discute agora a responsabilidade pelas mortes e a legalidade da apreensão inicial.
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Eh assim que o IBAMA cuida dos animais? São verdadeiros exploradores da boa fé dos brasileiros para tirar alguma vantagem, vide Petrobras passou décadas por uma licença enquanto o povo padece sem emprego..agora isto..tá na hora extinguir esta repartição publica