
A escola estadual Fulgêncio Simões, no município de Alenquer (PA), acaba de completar 126 anos de fundação. É a escola mais antiga em atividade na região oeste do Pará e uma das mais antigas do estado. Sua contribuição com a educação ajudou na formação de várias gerações de alenquerenses.
Fundado o dia 1º de setembro de 1899, o então “Grupo Escolar de Alenquer” foi criado durante a expansão do sistema de grupos escolares no Pará, inicialmente realizada no governo de José Paes de Carvalho, que governou o estado entre 1897 a 1901.
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Ainda sem lugar próprio, o grupo escolar passou a funcionar num casarão que ficava na frente de Alenquer, um prédio recém-inaugurado em 1888 por José dos Santos Ferraz e que, posteriormente ao período de funcionamento da escola, passou pelas mãos de muitas pessoas conhecidas da cidade.
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Quem foi Fulgêncio Simões?
No ato da inauguração do Grupo Escolar de Alenquer, a professora normalista Rita de Cássia Passos deu como sugestão que a escola tivesse o nome de Fulgêncio Simões, “aquele a quem Alenquer tanto devia”. A professora foi aplaudida pelo público presente, que aprovou a sua sugestão.
Fulgêncio Firmino Simões nasceu em Alenquer no ano de 1856 e faleceu em Belém no ano de 1842. É uma das mais importantes figuras da história da cidade. De família tradicional na política local, era filho de Antônio Firmino Simões, que governou Alenquer de 1853 a 1882, e pai de Amadeu Burlamaqui Simões, prefeito de Alenquer de 1939 a 1943.

Além de ter sido o primeiro intendente de Alenquer, entre 1890 a 1891, o Fulgêncio Simões foi jornalista, jurista e o mais notável historiador ximango, tendo sido, inclusive, presidente da província de Goiás, entre 20 de outubro de 1887 a 3 de janeiro de 1888.
Ainda no ano de 1887, em discussão no Senado do Estado sobre reforma educacional, o então senador Fulgêncio Simões comprovou, por meio de documentos, que o ensino na cidade de Alenquer na época “ocupava o primeiro lugar, quer tanto à matrícula, quer tanto à frequência às suas escolas”.
Fulgêncio publicou em 1908 a obra “Municipio de Alemquér – Seu desenvolvimento moral e material e seu futuro – Estudos historicos e geographicos”, um livro centenário, considerado até hoje o melhor repositório histórico do município.

Grupo Escolar de Alenquer passa a se chamar “Fulgêncio Simões”
Como uma das justificativas de sugestão da professora Rita de Cássia Passos, Fulgêncio Simões foi o principal idealizador da criação do Grupo Escolar de Alenquer, instituído pelo Decreto nº 722, de 1º de julho de 1899. O nome de Fulgêncio Simões tornou-se oficial na instituição por meio do Decreto nº 820, de 10 de fevereiro de 1900.
A professora normalista Veridiana de Oliveira Corrêa, natural de Belém, mas que trabalhou e viveu até a sua morte na educação de Alenquer, foi a primeira diretora do novo grupo escolar. O atual prédio só foi inaugurado em 1913, na gestão do governador Lauro Sodré.
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A escola foi construída sobre um cemitério indígena
Um fato curioso sobre a escola é que se acredita que o atual prédio tenha sido construído sobre um cemitério indígena. Tal fato foi comprovado quando, em 1963, Benedicto Monteiro, então secretário estadual de obras, conseguiu que fosse realizada uma grande reforma no prédio.
Durante as obras, permitiu-se que mexessem num porão, que era inutilizado, para que fosse adaptado para serem novas salas de aula. Durante as obras, os operários encontraram duas urnas funerárias com restos de ossos, o que levou a crer que fosse indígena. Sem devido estudo, o material teria sido adquirido pelo então promotor público Ubirajara Bentes, que colecionava relíquias indígenas da região.
O hino da escola foi composto pela professora Maria Costa Domingues, um dos mais belos hinos de Alenquer, onde, entre seus versos, eternizou a frase “majestoso templo do saber”. Até hoje, a frase é utilizada muitas vezes para se referir à instituição de ensino.
Um dos mais belos prédios históricos de Alenquer
Por mais de um século tem sido a principal instituição de ensino da cidade, além de ser a escola mais famosa e também a mais bonita, com seu belo estilo arquitetônico. Desde 2023 a escola estadual Fugêncio Simões passou a ser escola de tempo integral, onde funciona o ensino médio.
Todo sai 1º de setembro é realizada uma cerimônia pelo aniversário do educandário, aberto ao público em geral. Era também tradição a escola ser a última a desfila nesse mesmo dia, nos eventos cívicos da Semana da Pátria. Porém, desde 2024 que essa tradição mudou, passando a desfilar no dia 7 de setembro.
A escola Fulgêncio Simões ainda é bastante lembrada e até visitada por ex-alunos e por curiosos, que contemplam a grandeza do prédio, que se destaca nas ruas históricas da cidade. Um verdadeiro “museu escolar”, onde cada detalhe, quadro e fotografias lá presentes faz o visitante – e até o aluno – viajar em parte da história alenquerense.

Fonte:
- Antes que a gente esqueça – Lembranças e relembranças da cidade de Alenquer (livro de Luiz Ismaelino Valente e Roberto da Cruz Mesquita – 2012);
- Jornal de História (Editor: Wildson Queiroz | Ano III – nº 16 – dezembro de 2016).

❒ Silvan Cardoso é poeta, cronista e pedagogo nascido em Alenquer, no Pará. Escreve regularmente no JC. Leia também dele: Alenquer, 143 anos: quem come seu acari não quer mais sair daqui. E ainda: Canhoto, o dono do lanche que virou point em Alenquer; vídeo.
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