O preço da omissão: transporte coletivo em Santarém. Por Adriano Tapajós

Publicado em por em Opinião, Pará, Política, Santarém

Em uma cidade com mais de 350 mil habitantes, como Santarém (PA), é inaceitável que a população aceite pagar R$ 5,00 por uma passagem de ônibus sem receber, em troca, um sistema minimamente digno.

Trata-se de um valor que, para muitos trabalhadores, representa um peso diário no orçamento — especialmente em um contexto em que o transporte público deveria ser um direito básico, não um luxo.

A realidade é dura: não há terminal de integração, não existe sequer um período de carência que permita ao passageiro pegar outro ônibus sem pagar uma nova tarifa e as linhas continuam operando de maneira limitada, lenta e desconectada das necessidades da população.

Paga-se caro por um serviço que não evolui, não se moderniza e não respeita quem depende dele.

Diante dessa situação, o silêncio do legislativo municipal incomoda — e muito. Os vereadores, eleitos para fiscalizar, cobrar e defender os interesses da população, permanecem inertes, enquanto o santareno segue pagando caro por um transporte deficiente. Não há pressão, não há fiscalização efetiva, não há movimentação concreta para rever contrato, tarifa ou qualidade. O que há é omissão.

Cidades menores, com menos recursos e população menor, já possuem sistemas de integração, tarifas mais justas e mecanismos que garantem dignidade ao passageiro. Em Santarém, contudo, a tarifa segue alta e o serviço, precário — um contraste que revela não apenas desorganização, mas falta de prioridade com o cidadão.

É imoral cobrar caro por tão pouco. E é imoral que o poder público assista a isso de braços cruzados. A população santarena merece mais que discursos: merece ação, fiscalização e respeito. O transporte público não pode continuar sendo o retrato do descaso. É hora do cidadão santareno exigir o que lhe é de direito.


Adriano Tapajós é administrador de empresas e tem MBA em direito público.

∎ Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião do JC. A publicação deles obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros, prioritariamente, e de refletir as diversas tendências do pensamentos contemporâneo.

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One Response to O preço da omissão: transporte coletivo em Santarém. Por Adriano Tapajós

  • Com relação ao assunto, essa empresa que tem a linha Diamantino e Nova República Prefeitura, está uma bagunça com os horários dessas duas linhas, principalmente pela parte da manhã. Já fique até 45 minutos aguardando passar um desses ônibus. Gostaria que esse secretário de transporte, determinasse alguém a ir saber do proprietário dessa presa o porque dessa falha. A Câmara Municipal que tem 23 vereadores e uma cambada de assessores, também deviam honrar o salário que ganham às custas do contribuinte e ir a campo fiscalizar, essa falta de compromisso para com os usuários.

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