Pesquisa inédita visa confirmar presença de espécie rara de macaco no Marajó

Publicado em por em Belém, Pará

Pesquisa inédita visa confirmar presença de espécie rara de macaco no Marajó
O macaco Cebus Kaapori, espécie ameaçada. Foto: Fabiano Melo/O Eco

O Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) recebeu, nesta segunda-feira (1º), pesquisadores do Centro Nacional de Primatas (Cenp), vinculado ao Instituto Evandro Chagas; da Universidade da Califórnia e outros especialistas convidados para discutir o andamento do projeto “Distribuição Geográfica de Cebus kaapori na Mesorregião do Marajó”. A espécie de macaco, considerada uma das 25 mais ameaçadas do planeta, integra o Plano Nacional para a Conservação de Primatas Amazônicos.

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O encontro contou com a participação do gerente da região administrativa do Marajó do Ideflor-Bio, Hugo Dias; do biólogo do instituto, Matheus Henrique Cosme, e dos pesquisadores Klebson Demelas Maurício, Jessica Lynch Ward e Osvaldo Pimentel Marques Neto.

Ocorrência até então restrita a nordeste do Pará

O projeto tem como objetivo confirmar a presença do Cebus kaapori, conhecido como cairara-kaapori, no arquipélago do Marajó. Sua ocorrência, até então restrita ao Maranhão e nordeste do Pará, pode se estender para a região marajoara, segundo relatos de moradores e análises genéticas preliminares de um indivíduo criado como animal de estimação no município de Afuá, que indicam essa possibilidade.

Durante a reunião, foram tratados pontos essenciais relacionados ao processo de autorização para pesquisas nas unidades de conservação sob responsabilidade do Ideflor-Bio na região, além de discutir possibilidades de cooperação técnica entre as instituições envolvidas.

“Compreender as dinâmicas populacionais dos indivíduos na mesorregião do Marajó é fundamental para subsidiar políticas públicas e ações voltadas à conservação de espécies ameaçadas, como o macaco Cebus kaapori“, destacou o gerente Hugo Dias.

Análises genéticas e sanitárias

As atividades previstas incluem expedições de campo em áreas estratégicas no Marajó, entrevistas em comunidades locais, coleta de material biológico para análises genéticas e sanitárias, e o georreferenciamento de indivíduos. O estudo também investigará potenciais agentes infecciosos que possam impactar a saúde dos macacos, contribuindo para o monitoramento de doenças emergentes.

De acordo com os pesquisadores, a confirmação da presença do macaco cairara-kaapori no Marajó representaria um avanço expressivo para a conservação da biodiversidade local, reforçando a importância das áreas protegidas, como a Área de Proteção Ambiental (APA) do Arquipélago do Marajó e o Parque Estadual do Charapucu.

Os próximos passos envolvem a liberação oficial da pesquisa, a formalização de acordos de cooperação técnica e a construção de estratégias integradas para fortalecer a conservação da fauna amazônica. A expectativa é de que os primeiros resultados das expedições possam ser apresentados já em 2026, colocando o Marajó no centro das discussões sobre a preservação de primatas ameaçados no Brasil.

O estudo também investigará potenciais agentes infecciosos que possam impactar a saúde dos macacos. Foto: Tatiane Cardoso

Com informações da Agência Pará de Notícias

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