Presidente da Câmara, Jandeilson tem ao menos 6 familiares na folha da Prefeitura de Santarém

Publicado em por em Pará, Política, Santarém

Jandeilson tem ao menos 6 familiares na folha Prefeitura de Santarém e vários primos na Câmara
Jandeilson Pereira, vereador e presidente da Câmara de Santarém. Foto: reprodução Facebook

Há uma diferença entre um vereador comum e o presidente da Câmara figurar numa série sobre nepotismo. O presidente é o parlamentar que conduz as sessões. Que pauta os projetos. Que representa o Legislativo perante o Executivo, e perante a sociedade. Que, na ausência do prefeito, assume a chefia do Executivo municipal. É, institucionalmente, a figura de maior poder dentro da Câmara de Vereadores de Santarém (PA).

Jandeilson Pereira (União Brasil) foi eleito presidente da Câmara em chapa única, sem concorrência, no início da atual legislatura.

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Está no terceiro mandato de vereador e foi o 3º mais votado nas eleições de 2024. Pescador de origem, nascido na Comunidade de Costa do Aritapera, casado e pai de 5 filhos. Constrói sua imagem pública sobre o trabalho pelos humildes, pelos pescadores, pelas comunidades ribeirinhas.

Três desses cinco filhos estão na folha de pagamento da Prefeitura de Santarém. Dois irmãos também. Todos na mesma secretaria.

Ele o 9º parlamentar a protagonizar a série sobre nepotismo iniciada pelo JC há 11 dias.

Cinco familiares, uma secretaria

O levantamento do JC junto ao Portal de Transparência da Prefeitura de Santarém identificou os seguintes vínculos, 5 deles na Secretaria Municipal de Governo (Semg):

  • Jarlison Rego Pereira, irmão do vereador, é assessor especial II, à disposição da Semed (Secretaria Municipal de Educação). Salário: R$ 4 mil mensais.
  • Jander Henrique Rego Pereira, outro irmão, é assessor especial I, à disposição do CRAS São José Operário. Salário: R$ 5 mil mensais.
  • Maisa Rego Pereira, filha do vereador. É assessora especial II, à disposição do Centro de Atendimento ao Empreendedor Cidadão (CAEC). Salário: R$ 4 mil mensais.
  • Mylena Rego Pereira, outra filha, está lotada na Divisão de Políticas Públicas da Semg. Salário: R$ 3,5 mil mensais.
  • Janderson Rego Pereira, terceiro filho do vereador. É assessor especial IV, à disposição do CRAS São José Operário. Salário: R$ 2,5 mil mensais.
  • Jander Henrique Rego Pereira Júnior, sobrinho do vereador. Exerce o cargo de maqueiro na Semsa (Saúde/UPA 24h) e ganha exatos R$ 2.115,41 mensais.

“Pai de cinco filhos” — três deles na folha

O perfil institucional de Jandeilson Pereira no site da Câmara destaca que ele é casado e pai de cinco filhos. A família é apresentada como parte central de sua identidade pública. Três desses cinco filhos — Maisa, Mylena e Janderson — estão em cargos comissionados na Prefeitura de Santarém. Dois irmãos também.

O discurso de posse como presidente da Câmara evocou compromisso com “o povo humilde, carente e trabalhador.” O portal de transparência, porém, conta outra história sobre como os recursos públicos têm sido distribuídos.

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O enquadramento jurídico

A Súmula Vinculante 13 do STF (Supremo Tribunal Federal) veda a nomeação de parentes até o 3º grau de agentes públicos detentores de mandato eletivo para cargos comissionados no mesmo ente federativo.

Filho é parente em linha reta de 1º grau — a vedação mais direta e inequívoca da súmula. Maisa, Mylena e Janderson se enquadram sem margem para qualquer interpretação divergente. Irmão é parente colateral de 2º grau — igualmente vedado. Jarlison e Jander Henrique também se enquadram com precisão. Jander Júnior é sobrinho, parente colateral de 3º grau.

Seis familiares. Seis graus de parentesco abrangidos pela Súmula Vinculante 13. Seis cargos comissionados, de livre nomeação, sem concurso público.

A Semg como QG familiar

O dado mais revelador não é apenas o número de familiares — é a concentração. Cinco estão lotados na mesma secretaria: a Secretaria Municipal de Governo. Setores diferentes, cargos diferentes, salários diferentes, mas a mesma pasta.

A Semg é responsável pela articulação política do governo Zé Maria com a Câmara de Vereadores — exatamente a Casa que Jandeilson Pereira preside. A secretaria que faz a ponte entre o Executivo e o Legislativo tem, dentro de sua estrutura, dois irmãos e três filhos do presidente da própria Câmara.

Ao longo desta série, a Semg consolidou-se como o epicentro do nepotismo em Santarém. O JC já havia identificado na secretaria: filhos da vereadora Ivanira Figueira (PSD); a esposa do vereador Alaércio Cardoso (PSD), exonerada após reportagem; irmão e prima do vereador Enfermeiro Murilo (PRD); irmã do vereador Mano Dadai (PSB).

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Com os cinco familiares de Jandeilson, a Semg concentra ao menos 10 familiares de diferentes vereadores em cargos comissionados, transformada, na prática, no principal destino do nepotismo parlamentar santareno.

9 de 23: quase 40% da Câmara já apareceu na série

Com Jandeilson, são nove vereadores de Santarém identificados na série do JC — de um total de 23 cadeiras. Em menos de duas semanas de investigação, o portal documentou casos em quase 40% do Legislativo municipal. Os casos envolvem ao menos seis partidos e sete secretarias.

O único desfecho concreto continua sendo a exoneração da esposa do vereador Alaércio Cardoso (PSD), oficializada por decreto do prefeito Zé Maria em 12 de maio. Os demais familiares permanecem em seus cargos — incluindo os do próprio presidente da Câmara, que fiscaliza o Executivo responsável pelas nomeações.

Contraditório

O JC entrou em contato com o gabinete do presidente da Câmara, vereador Jandeilson Pereira (União Brasil), para colher sua manifestação sobre as admissões de seus familiares. A resposta será publicada na íntegra, sem edição.

O portal também aguarda posicionamento da Secretaria Municipal de Governo e da Prefeitura de Santarém sobre os critérios adotados para as nomeações.

Atualização da matéria (às 19h51, deste dia 18/05/2026): O vereador-presidente Jandeilson Pereira ligou há pouco para redação do JC e assegurou não ter primos lotados na Câmara de Santarém (PA). Por conta disso, o portal decidiu corrigir a matéria, retirando-os do texto – mesmo porque primo (parente de 4º grau) está fora do alcance da Súmula Vinculante 13, do STF, como havia sido citado no trecho da matéria. O parlamentar, no entanto, não questionou o grau de parentesco em relação aos demais citados.

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