
A pasta de educação (Semed) de Santarém (PA) já tem dono caso o prefeito eleito na disputa eleitoral de 2024 seja Zé Maria (José Maria Tapajós).
A mais robusta das secretarias municipais continuará sob as rédeas do ex-prefeito Lira Maia, o principal cabo eleitoral da candidatura do ex-deputado estadual do PP.
O acerto já teria sido fechado e alinhavado, segundo fontes ouvidas pelo editor do JC.
Lira Maia detém o controle da Semed há mais de 7 anos, ininterruptamente. Desde o primeiro dia da gestão do prefeito Nélio Aguiar (UB), primeiro e segundo mandatos, é ele quem demite e admite o gestor da pasta. Maria José Maia, a atual titular, é irmã do multiprocessado.
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A preferência de Lira Maia pela Educação não se deve a questões, digamos, de cunho pedagógico-educacional. Ele nunca escondeu de ninguém que tem afeto pelo pasta por motivos comerciais, para fazer negócios, ganhar dinheiro e poder político.
Agiu assim na área, inclusive, quando foi prefeito de Santarém por 2 mandatos (1997 a 2000 e 2001 a 2004). O MPF (Ministério Público Federal) conhece muito bem essa tara histórica de Maia pela Semed.
A maioria dos processos em que o padrinho da candidatura de José Maria Tapajós é réu (já condenado em alguns deles) foi por esquemas de corrupção urdidos dentro da Semed.


Cereja do bolo orçamentário de Santarém, a Semed é a secretaria com maior receita do município. A previsão para 2024, por exemplo, é de R$ 543,6 milhões de Fundeb e mais R$ 248,2 milhões de recursos próprios e constitucionais. Ou seja, quase 800 milhões de reais.
O orçamento total do município para o próximo ano é de R$ 1,8 bilhão.
Eleito Zé Maria prefeito em 2024, no ano seguinte, num cenário sem qualquer reajuste no bolo da receita, Lira Maia terá sob a sua tutela quase metade do orçamento de Santarém. Terá pilhagem garantida por mais 4 anos.
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Zé Maria, Lira Maia, Maria José, todos oriundos da política, cuja característica principal o enriquecimento às custas do bem público. Quem os conheceu antes da política, sabe que eles eram reles mortais: lisos. Hoje, depois de vários mandatos, eles ostentam a riqueza e continuam usando o dinheiro público para ficarem ainda mais ricos e para se manterem no poder. Enquanto isso o povo é quem paga a conta.