Em 8 horas de depoimento, Sérgio Moro reafirma acusações contra Bolsonaro
Sérgio Moro: acusações graves ao ex-aliado Bolsonaro. Foto: Roda Viva

Sergio Moro depôs por cerca de 8 horas na Superintendência da PF (Polícia Federal) em Curitiba, no Paraná, no inquérito que apura as acusações que fez ao presidente Jair Bolsonaro, informa o site Poder360.

Segundo o ex-ministro de Justiça e Segurança Pública, Bolsonaro tentou interferir politicamente nas investigações da PF (Polícia Federal). No depoimento, o ex-juiz reafirmou as alegações.

 

Moro chegou próximo às 14h desse sábado (2) e deixou o local por volta de 23 horas. De acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, Moro apresentou à PF áudios, e-mails e conversas que teve com Bolsonaro durante seu tempo como ministro.

O inquérito foi aberto junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) à pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras. O relator é o ministro da Corte Celso de Mello.

Caso Moro não comprove suas acusações, poderá ser responsabilizado por calúnia e denunciação caluniosa.

Comando das investigações

O Poder360 apurou que a investigação ficará a cargo da delegada Christiane Correa Machado, chefe do Serviço de Inquéritos Especiais (Sinq). Ela trabalhará em conjunto com os delegados Igor Romário de Paula e Márcio Adriano Anselmo,

Os 3 (Christiane, Igor e Márcio Anselmo) trabalharam na Lava Jato e tem boas relações com Sergio Moro.

O ex-juiz teve seu depoimento acompanhado por 3 procuradores designado pelo chefe da Procuradoria Geral da República, Augusto Aras. São eles João Paulo Lordelo Guimarães Tavares, Antonio Morimoto e Hebert Reis Mesquita.

 

Um dos advogados contratados pelo ex-ministro para defendê-lo é Sánchez Rios. O secretário-geral da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) defendeu os ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e o empresário Marcelo Odebrecht, que foram presos na Operação Lava Jato –investigação policial em Curitiba que fez Moro ficar conhecido nacionalmente.

À noite, um entregador de delivery levou pizzas para as equipes que acompanhavam o depoimento.

O estopim da crise foi a demissão de Maurício Valeixo, aliado de Moro, da diretoria geral da PF. O ex-juiz afirma ainda que assumiu o ministério com a promessa de “carta branca” para definir cargos de chefia, mas que o compromisso foi descumprido.

Ao deixar o governo, Moro disse que a exoneração se deu porque o presidente queria uma pessoa de seu “contato pessoal” em cargos de comando na PF para poder obter relatórios de inteligência.

“O presidente me falou que tinha preocupações com inquéritos no Supremo, e que essa troca seria oportuna por esse motivo, o que gera uma grande preocupação”, declarou Moro. “O problema não é quem entra na PF… O problema é trocar o comando e permitir que seja feita a interferência política no âmbito da PF”, afirmou.

A pessoa indicada por Bolsonaro para substituir Valeixo é Alexandre Ramagem, quem tem proximidade com Carlos Bolsonaro, 1 dos filhos do presidente. A nomeação foi suspensa pelo STF. Bolsonaro disse que irá recorrer.

Contraponto

O presidente negou as acusações de Moro. Afirmou que o ex-ministro concordou por “mais de uma vez” com a demissão de Valeixo.

A condição, de acordo com o Bolsonaro, era que a saída fosse a partir de novembro, e somente se Moro fosse indicado para o STF. No mês, Celso de Mello deve se aposentar, abrindo uma vaga no STF. O presidente da República nomeia os ministros da Corte.

Moro rebateu: compartilhou mensagens trocadas com a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), de quem é padrinho de casamento.

Nelas, a deputada diz: “Por favor, ministro, aceite o Ramage”, numa referência a Alexandre Ramage.

Leia a íntegra da matéria neste link.

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Um comentário em: Em depoimento de 8 horas, Sérgio Moro reafirma acusações contra Bolsonaro

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  • Eu disse:

    Esclarecendo: Polícia Judiciária (Civil ou Federal) faz relatório de Investigação. Enquanto que a ABIN faz relatório de Inteligência. São situaçoes totalmente distintas. Como pode Bolsonaro cobrar relatório de Inteligência da PF se ela não tem competência e nem atribuição de fazer?