Do professor universiário Valber Almeida, sobre a nota PCdoB cobiça madeireiro polêmico:
Surpresa? Não, claro que não. Após toda lambança da sigla em defesa do Novo Código Florestal, é natural que ruralistas e desmatadores de todos os naipes se acomodem no partido.
Haveria aí uma leitura enviesada de uma nova revolução a partir dos campos? Uma tentativa de cooptar antecipadamente a elite econômica rural que vem recobrando todo o seu poder num país cada vez mais economicamente ruralizado e desindustrializado?
É evidente que é mera estratégia de poder, mas não um poder revolucionário, transformador, emancipador. Os políticos realmente ideológicos são muito raros na atualidade; viraram, como quer o jargão neocon, peça de museu.
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Socialismo e Comunismo são ideologias que não rendem mais grandes dividendos políticos; são palavras que nunca fizeram muito sentido para as massas, mas que, hoje, também vêm sendo esvaziadas de sentido pela prática política e pelo cansaço teórico das academias com as grandes ideologias.
“Deus está morto”, como disse Nietzsche no fim do século XIX, e entendo que ele disse isso no sentido de que Deus perdera a capacidade de transformar e melhorar o espirito e a história humana. Mas, assim como Deus, o Socialismo e o Comunismo também estão mortos.
Deus, Socialismo e Comunismo hoje são imagens petrificadas que seduzem rebanhos desinformados e alimentam o poder de políticos oportunistas e vigaristas. Ou seja, são ideias a serviço do conservadorismo. Por isso, é preciso pensar e agir para além da perspectiva de Salvação, de Socialismo e de Comunismo se se deseja romper com esse ciclo de mediocridade e autodestruição na qual a humanidade se meteu.
Por isso, não esperemos nada além dessas bizarrices na nossa política daqui em diante: para uma classe política cada vez menos ideológica ou, para dizer de outro modo, cada vez mais fisiológica, movida pelo pragmatismo calculista derivado dos instintos básicos do poder, da sobrevivência e da reprodução, não é possível esperar mais nada de elevado ou nobre em suas ações: venceu a lei da adaptação natural.
A lógica que orienta os nossos ditos políticos de esquerda hoje foi desvendada pelo Barão de Itararé há décadas: já que não se restaura a moralidade, então, locupletemo-nos todos.
Adeus Marx! Viva Darwin!
Caro Valber,
Talvez o grande Nietzsche muito desiludido com o humano, e procurando respostas se equivocou quando afirmou que ”Deus está morto”. Na minha simplória visão ”morto está o homem”, pois Deus na sua eterna vivência, apenas respeita o livre arbítrio. O homem a cada minuto perde a oportunidade de ser bom e evoluído. O único responsável pela destruição da humanidade é o próprio homem em razão de suas escolhas. O mal que assola a política mundial é construção do próprio homem.
Caros professores Gilberto e Samuel, permitam-me discordar de vocês em alguns pontos. Primeiro, queria ressaltar professor Samuel que nunca foi propósito nem fez parte da lógica do capital eliminar as desigualdades ou as injustiças sociais. Pelo contrário, a sua lógica imprime necessariamente injustiça e desigualdade na medida em que a acumulação se alimenta, na outra ponta, da destituição ou proletarização. Segundo é quanto ao otimismo em relação à China ou aos BRICS. O que se pratica na China, em minha concepção, é puro capitalismo, não somente por ser uma economia de mercado, movida pelo lucro e acumulação, mas também pela lógica social que serve de base a este regime e pelos resultados sociais que ele oferece. A China oferece uma das mãos-de-obra mais baratas do mundo para atrair investimento; o crescimento econômico não tem promovido distribuição de renda -há apenas promessas dos dirigentes de que, para seguir o lastro da famosa frase de Delfim Neto, eles farão crescer o bolo e depois o distribuirão; a elite que governa a China possui regalias e privilégios que os pobres mortais do país jamais desfrutarão e, juntamente com a elite econômica, apropriam-se dos ganhos civilizatórios mais promissores deste regime; ademais, uma coisa é a China urbana, cosmopolita e moderna, outra é a china profunda, rural, pobre e miserável; mas nessa mesma China urbana e cosmopolita os traços espaciais que acusam a desigualdade, as contradições e injustiças são bem nítidos. Enfim, poderia me prolongar com uma série de apontamentos aqui para sustentar a minha argumentação, mas não o farei porque sei que são pessoas bem informadas. Somente reafirmo que, em vista de tudo o que leio e vejo da China, em minha concepção, o regime chinês é não somente capitalista, mas de um capitalismo periférico, selvagem. Como diria Marcuse, numa crítica à democracia ocidental, o fato de o escravo poder eleger o seu algoz não tira dele a condição de escravo, apenas lhe permite eleger quem o castigará. Adaptando a máxima para o caso do capitalismo chinês ou dos BRICS, poderíamos dizer que o fato de o capitalismo mudar de centro não tira dele a condição de capitalismo, apenas que mudou de centro, como já mudou do final do século XIX para o XX. Outrossim, concordo com vocês que a Democracia é ainda o melhor instrumento institucional que temos para melhorar ao sistema, à sociedade e a nós mesmos. Para isso, precisamos avançar nesta prática em todos os sentidos: culturais, econômicos, políticos, sociais, mas também existenciais, pois muitas pessoas não estão preparadas para a democracia. Democracia é, para mim, uma palavra que substitui muito bem a ideia de Socialismo e Comunismo. Já que os conservadores devoraram e se apropriaram destes conceitos tão caros à esquerda mundial, alterando totalmente o seu sentido, numa lógica que me faz lembrar o duplipensar do Orwell, façamos o movimento inverso e nos apropriemos dos conceitos mais caros à direita mundial, como Democracia e Liberdade. Essas palavras, que podem carregar o mesmo peso transformador de Socialismo e Comunismo, estão novamente incendiando política e socialmente o atual momento histórico. Então, não percamos esta oportunidade.
É amigos nada mais é surpresa nesse país. Na eleição de 2002 o então candidato Lula teve de cooptar para que fosse eleito presidente e ser aceito pelo classe empresarial um dos maiores empresários do país o então Senador josé Alencar e, eu não vi esse clamor todo de que o socialismo e comunismo havia morrido no Brasil. Pelo contrário, todos acharam um grande passo de lula para ser eleito o Presidente dos brasileiros; Então no meu ponto de vista essa colocação é puro falso chororô pois todos os partidos que compartilhavam a cartilha do socialismo estiveram e estão nas barbas do PT em todos os níveis de governo, onde o mesmo governa. Não cabe mais dizer que a cartilha do PCdoB é menos bizarra que a dos demais partidos, a máscara já caiu faz muito tempo.
Gervásio
Brasília – DF
Caro professor Valber,
Com toda a humildade, faço minhas suas palavras, com a ressalva de que o socialismo não morreu. O que morreu foram os partidos que se apossaram dessa ideologia e diante das transformações do mundo, não sustentaram suas ideias. O que morreu foi o caráter de políticos que até ontem defendiam uma sociedade fraterna, hoje se aliam a oportunistas que estão mais interessados nos holofotes e seus interesses pessoais, não percebem esses “comunistas” que essa gente está é rindo em seus focinhos. O capitalismo latifundiário é imoral.
Eu ainda tenho esperança no socialismo, professor Válber, nós não podemos romper com a fraternidade, temos que ser duros com quem pratica o socialismo retrógado, autoritário e sem liberdades, mas não podemos nos render a atitudes de políticos desfigurados ou oportunistas.
A muito o PC do B diminui sua credibilidade de partido de esquerda confiável, embora por lá ainda tenham alguns bons quadros.
Nazareno Lima
Penso que acreditar que o comunismo está morto é um erro de análise, ou uma visão muito restrita, porque se abrirmos o horizonte e considerarmos todo o planeta, um quinto da população mundial vive sob este regime.
A República Popular da China possui mais de um bilhão de seres humanos orientantados politicamente sob os pressupostos marxistas.
Inclusive, parece-me, estão muito fortes a pondo de se transformarem na primeira economia do planeta em poucos anos.
Espero ter contribuido,
Gilberto Rodrigues
Prof. UFOPA
Prof. Gilberto,
Faltou o prof. Valber incluir na sua lista algumas coisas que “morreram”, no sentido estrito do seu texto, como por exemplo o capitalismo e o globalitarismo. E olha que foi um ex-dirigente do Banco Mundial, Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de economia, quem denunciou “as promessas não cumpridas do capitalismo global”… Nesse novo contexto, a ascenção dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) não é à-toa. O chamado G-20, do qual o Brasil participa, deve ser legitimado como o novo espaço de negociação e solução dos conflitos, políticos e comerciais, internacionalmente.
Ademais, concordo integralmente contigo, mestre: a China com seus 1,6 bilhão de seres humanos (sim, tem cerca de 300 milhões “clandestinos”, além dos dados oficiais do censo de 2010), é uma espécie de “fiel da balança” político e econômico do século 21. Mistura de capitalismo de Estado com políticas socializantes consolidadas a partir das necessidades humanas mais fundamentais, o gigante asiático deve experimentar, a meu juízo, graus crescentes de liberdades individuais e públicas, e desenvolver, com base em mais de cinco mil anos de história, seu próprio conceito de democracia.
Aliás, mestre, “democracia” também é um conceito em profunda mutação, sobre o ponto de vista dos critérios de autorização (delegação de poderes) e controle público. A ver.
Abraços fraternos,
Samuca
Boa análise. Também confio na mistura dos conceitos, no ”morrer” de ideologias para o surgimento de gigantes, ao exemplo da China. Tudo está em mutação, e nessa quebra de velhos paradigmas, podemos sair fortalecidos e com novos conceitos. Nada nada na vida é imutável, para a nossa felicidade!!!!!