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100 dias de agonia, 100 dias que a cidade da gente começou a chorar
Santarém, 100 dias de pandemia e mortes. Foto: Arquivo BJ

No dia em que Santarém completou 100 dias da primeira morte provocada pela pandemia do novo coronavírus, na quinta-feira (9), seis partidos assinaram uma carta para marcar a data.

“Neste dia 9 de julho, quando completamos 100 dias de agonia, queremos lembrar com carinho das mais de 260 pessoas que se foram, das mais de 4.500 pessoas que se contaminaram e das quais muitas ainda lutam pela vida”, diz o texto subscrito pelo PT, PDT, PCdoB, PSOL, Pros e Rede Sustentabilidade.

 

Eis a íntegra.

Há uma certeza no ar que dói no peito da gente. Uma certeza retratada em números que 2020 quer nos impor desde o início do ano. Números frios de uma tragédia anunciada que sufoca nosso peito e que não nos deixa respirar nossas vontades.

Hoje, nove de julho, faz 100 dias que a gente da nossa cidade começou a chorar os tristes números oficiais de uma epidemia causada por um vírus mortal. Mas apesar de número oficial, a morte já havia ocorrido no dia 19/03, quando a contaminação já era comunitária e ninguém sabia…

100 dias de gente sofrendo. 100 dias de gente chorando. 100 dias de gente morrendo. 100 dias em que se faz necessário ampliar a presença do Poder Público na vida de quem mais precisa.

Números não podem servir para contar a história dessa gente de forma fria. Santarém completou mais um ano da criação de seu primeiro núcleo organizado onde índios e europeus começaram a conviver, mesmo em conflito, como acontece até hoje.

Já são 359 anos do início da história de uma gente que aprendeu a ser sempre forte. Força que já existia bem antes da chegada dos colonizadores. Força de um povo guerreiro que cresceu às margens de um rio que chamavam de Paraná-pixuna e que depois acabou ganhando o nome daquele povo, os Tapajós.

Gente não pode ser feita somente de números. A cidade não pode ser feita somente de números. A gente dessa cidade chamada Santarém sempre foi feita de amor e carinho, que nasce no Mapiri e segue pelo rio até Alter do Chão, passando por uma natureza que nos encanta.

Das matas do Saubal aos recantos do Maicá. Das praças que essa gente criou onde todos brincamos em nossa infância. Onde cantamos e namoramos. Dos caminhos no meio da floresta desde o Ituqui até a Cachoeira do Maró. Do Arapiuns ao Lago Grande. Da Nova República ao Santarenzinho. Da Vila Arigó ao Parque da Cidade. Da Aldeia à Prainha. Essa cidade é feita de gente que sempre gostou de respirar o ar da liberdade.

 

Gente que já se uniu quando quiseram que vivêssemos na escuridão, e tiveram que nos dar um Linhão. Gente que lutou para criar um novo estado e mostrar que somos feitos de uma força que aqui sempre existiu. Gente que recebeu os irmãos do nordeste, os irmãos do sul, os irmãos do infinito. Porque esta é uma cidade de gente que quer ser feliz!

Uma cidade que precisa respirar uma política que não se preocupe apenas com números, mas que saiba lidar com sua gente. Uma cidade que precisa ter sua saúde restabelecida. Uma cidade que quer ver sua gente renascer.
Nós queremos ver essa gente voltar a sonhar.

Neste dia 9 de julho, quando completamos 100 dias de agonia, queremos lembrar com carinho das mais de 260 pessoas que se foram, das mais de 4.500 pessoas que se contaminaram e das quais muitas ainda lutam pela vida.

Queremos abraçar toda essa gente e agradecer os que estiveram na linha de frente dessa guerra contra o vírus, até agora, como os profissionais da saúde, da segurança pública, da imprensa e de tanta outra gente que tem lutado para fazer dessa cidade não uma cidade de números tristes, e sim, uma cidade de gente.

Que os próximos 100 dias sejam de mais esperança e que a criança que temos dentro de nós possa sair correndo pelas ruas de nossa cidade sem medo e que possamos construir um 2021 que nos faça esquecer os trágicos números de 2020.

Porque nossa cidade precisa da gente e nossa gente precisa de sua cidade como era antes: feliz e confiante. Um abraço a Santarém do passado, do presente e do futuro. E que a gente volte a acreditar que é possível respirar sem medo, mas enquanto isso, evitemos aglomerações e usemos máscaras, porque a gente dessa cidade sabe fazer sua história partindo de ideias e sonhos para fazer uma cidade da gente!

Santarém, 09 de julho de 2020.

PCdoB – Partido Comunista do Brasil
PDT – Partido Democrático Trabalhista
PROS – Partido Republicano da Ordem Social
PSOL – Partido Socialismo e Liberdade
PT – Partido dos Trabalhadores
Rede Sustentabilidade

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Um comentário em: “100 dias de agonia, 100 dias que a cidade da gente começou a chorar”

  • E muitos ainda continuam achando que o coronavírus no Brasil é uma fantasia e que a COVID-19 é uma tal de.gripezinha ou um resfriadinho. Hoje já são mais de 270 vidas perdidas na Pérola do Tapajós. Que os nossos próximos 100 dias seja sem uma morte por esse maldito vírus que não é de Deus.

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