Banhista desfruta o igarapé de Jamaraquá
por Emanuel Júlio Leite (*)
O fim do ano de 2015 está marcando a exposição de um dos atrativos do turismo de Belterra, o Igarapé do Jamaraquá. Mais do que um igarapé, existe a comunidade do mesmo nome. Mas nesses tempos só se fala no tal do igarapé de águas limpíssimas e de uma beleza de tirar o fôlego.
Leia também do autor: Roteiro turístico a partir de Alter do Chão: dicas e atrações.
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As redes sociais trataram de dar ‘moral’ ao mesmo, fazendo com que uma quantidade impressionante de pessoas passasse a frequentá-lo aos finais de semana.
O que está ocorrendo com o Jamaraquá dá um retrato fiel do que está acontecendo, ou mesmo o que vai acontecer nos próximos meses com os atrativos turísticos de Santarém e Belterra.
Pelo Plano Encontro (Plano Estratégico de Turismo de Santarém e Belterra), através da metodologia chamada Hierarquização dos Atrativos Turísticos dos dois municípios, já é do conhecimento de muita gente que temos 69 atrativos devidamente pontuados. No ponto de ser divulgados e promovidos. É o momento de ser colocados na prateleira.
Em outras palavras, a democratização dos atrativos acontecerá paulatinamente.
Antes mesmo da população local ‘descobrir’ os apelos do Jamaraquá, o turista estrangeiro vem, nos últimos anos, colocando o lugar em seus roteiros de viagem.
É comum a presença de pessoas da Europa, com especialidade, transitarem por essas comunidades, comprando artesanato, se hospedando em pequena pousada e almoçando em casas de comunitários.
Aliás, os artesãos de Jamaraquá, onde existe um trabalho bastante expressivo utilizando o leite da seringueira para a produção de artigos à base de látex, se acostumaram a receber por seus artigos em dólar e euro.
O mais importante é que a comunidade de Jamaraquá fica dentro da Floresta Nacional do Tapajós, uma Unidade de Conservação Federal.
Pesquisando na internet, encontrei o conceito de Flona: “As florestas nacionais foram criadas por ter área com cobertura florestal de espécies predominantemente nativas, e tem como objetivo básico o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e a pesquisa científica, com ênfase em métodos para exploração sustentável de florestas nativas”.
A Flona do Tapajós foi criada em 1974, tem 549.066 hectares e, pasmem, 160 quilômetros de praia.
Jamaraquá é um detalhe da Flona Tapajós. Há dentro da área as comunidade de Maguari e Jaguarari, que possuem praias fantásticas. Dentro da área moram 5 mil moradores tradicionais vivendo em 25 comunidades.
Ou seja, são populações ribeirinhas mantendo hábitos culturais próprios, fato que desperta o interesse de turistas espalhados ao redor do planeta. Nas comunidades de Bragança, Marituba e Takuara vivem cerca de 500 indígenas da etnia Mundurucu.
Nos últimos tempos, o rio, os igarapés, lagos, áreas alagadas, áreas de terra-firme, morros, planaltos, áreas de flores, campos e açaizais formam um pacote completo para quem optar por turismo de natureza, um segmento que somente cresce.
Só que o Igarapé do Jamaraquá se transformou em preocupação para ambientalistas e simpatizantes do turismo de natureza. A frequência no local cresceu de forma acentuada. De uma hora para outra o público cada vez maior se desloca para lá.
Às margens do igarapé, gente demais, consumindo cerveja sem se preocupar com as latinhas e assando churrasco de maneira descompromissada. Ou seja, um verdadeiro piquenique. Só que em local inapropriado.
Os estudiosos dizem que o ecossistema é frágil, e a capacidade de carga não permite um fluxo tão intenso, sob pena de os impactos serem negativos para um lugar que tem por preceito o desenvolvimento do turismo em bases sustentáveis.
Lembro-me que cerca de dois anos atrás eu fui barrado na guarita que dá acesso à Floresta Nacional do Tapajós. Naquela ocasião, o guarda solicitou um convite que me dava direito à entrada na Unidade de Conservação.
Como não fiz o dever de casa, que dizia que eu precisava buscar uma autorização na sede do ICMBio (Instituto Chico Mendes da Biodiversidade), não pude completar o meu intento, que era desfrutar um domingo na companhia de amigos num lugar realmente paradisíaco. Contentei-me com o Igarapé da Boca do Jacaré, na comunidade de São Domingo, igualmente maravilhoso.
De repente, o que está faltando é o ICMBio voltar à prática de antes. Outrora, existiam três tipos de ingressos. Um valor para pessoas de Santarém e Belterra, além de municípios próximos; outro valor para turistas nacionais; e uma quantia maior para o visitante de outro país. Esse era o procedimento até pouco tempo atrás (menos de um ano).
E nunca é demais lembrar que o acesso ao local também deve ter um limite de entrada aos fins de semana. Do contrário, corre-se o risco de a Flona se transformar em balneário do tipo comum, o que não é nada aconselhável.
Toda vez que se pensa em Floresta Nacional do Tapajós um destino deve ser levado em consideração: Bonito, no Mato Grosso do Sul. Com uma população de cerca de 20 mil habitantes, o destino é considerado o mais sustentável do mundo. Existe limite para acesso aos pontos de visitação.
Por isso, Jamaraquá precisa ser melhor tratada. Com todo cuidado. E aí temos que comungar dos velhos preceitos do desenvolvimento sustentável, que diz: “é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades”.
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* É produtor audiovisual, autor de dois livros – Turistificando um Caminho da Amazônia (2001) e Amazônia no Tapajós, uma abordagem turística (2004), ambos pela Editora Ícone (SP) e pós-graduando MBA Gestão Empresarial (FGV). Email: ejlteite@gmail.com
Cara Rosenildes,
Quanto à colheita da madeira, saiba que para ser retirado o recurso madeireiro de uma floresta nacional, há a necessidade de elaboração de um plano de manejo e este deve ser aprovado pelo órgão gestor da unidade. E a FLONA Tapajós é um exemplo nacional de sustentabilidade no que diz respeito à colheita de madeira…. o empilhamento das toras faz parte do processo.
No momento, a preocupação deve ser sim a conservação do Igarapé.
Fui lá num domingo e não tive acesso, muita gente fazendo churrasco e com seus potentes sons de seus carros, um verdadeiro absurdo fugindo o padrão de sustentabilidade.
Dormi numa pousada simples e na manhã da segundo voltei lá. Simplesmente maravilhoso. Fazendo comvque acreditar que o ICMIBIO. tem que tomar uma atitude urgente. Pois tinha muito lixo do Domingo, e ali não passa coleta. Acorda comunidade do Jamaraquá se não vai acabar.
Paulo, estávamos conversando justamente sobre Jamaraquá naquele dia na Ponta do Cururu, lembra? E vc já se dizia preocupado com a sustentabilidade do igarapé.
A minha preocupação perpassa o igarapé. A Floresta Nativa sendo explorada….montes de madeira derrubadas e empilhadas me assustam.
Primeiramente gostaria de parabenizar a iniciativa do Emanuel Leite.
Frequento a FLONA há mais de 15 anos e tenho acompanhado de perto a involução e banalização da preservação daquela Floresta Nacional.
Ontem fui levar uns amigos de fora para conhecer o agora tão famoso igarapé do Jamaraquá. Chegando lá, em plena segunda-feira (não que seja justificável em outros dias da semana), deparamo-nos com um cenário simplesmente revoltante e triste: carros de som com música em volume extraordinariamente alto, churrasqueiras e muito lixo.
Não sei como uma pessoa pode visitar um lugar tão bonito e agir dessa forma. Ultrapassa os limites da ignorância, egoísmo e bom senso.
Precisamos ter mais consciência, pois se as coisas continuarem como estão nossos filhos não poderão conhecer as belezas que conhecemos.
Muito triste saber que as pessoas de bem que saíram das suas casas para desfrutar daquele lugar tiveram esse prazer privado por uma minoria que se acha no direito de se apossar de um bem de todos da pior maneira possível.
Sem falar nos animais (bem mais racionais que tal minoria) que foram perturbados e expulsos da sua própria casa.
Àqueles que gostam de protestar apenas quando o leite já foi derramado (como no caso do Juá), peço que antecipem-se a isso e ajudem enquanto há tempo.
Ao ICMBio, peço atitudes de fiscalização e controle compatíveis com uma Floresta Nacional.
A FLONA está chorando.
Aqui fica minha revolta, meu apelo e solidariedade ao belo texto que ora comento: VAMOS PRESERVAR.
Não conheço, mas só pela foto dá ora ver que é um lugar maravilhoso. Que pena que não esteja sendo bem cuidado e preservado.
O ICMBio não pode assistir à essa destruição sem esboçar nenhuma ação, sob pena de omissão criminosa. Faz-se urgente, por exemplo, uma campanha de conscientização entre os frequentadores de não deixar no local o lixo que produziu durante o passeio no igarapé.
Parabéns, irmão!
Estive no final de semana no Jamaraquá e o que vi foi um total desrespeito com um local tão belo, muita gente e muito lixo sendo jogado, ainda está em tempo de ser tomada as providencias para preservar este local, pois da forma que estão “invadindo” e depredando em pouco tempo quase nada restará deste paraíso.
Eu sou nativo do lugar, atualmente, graduando em Emgenharia Ambiental no Amazonas. Expresso profunda preocupação com essa “invasão”, inclusive já sugeri a construção de uma guarita, com a finalidade de manter o controle e a ordem no balneário. Este igarapé é rico em duas espécies de peixe, conhecida pelos nativos como: jutuarana e aracu. As pesaoas interferem diretamente no trajeto que esses peixes fazem ao longo do igarapé em busca de alimento.
A pouco tempo, falei com minha avó q reside em Jamaraquá e ela relatou que as pessoas que frequentam o ambiente ignoram completamente as advertencias dos moradores locais, tanto no que se refere, tornar o igarapé um lixão, quanto aos perigos naturais. (picada de cobra, puraquê e correnteza extremamente forte).