A parábola do político pródigo

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A parábola do político pródigo, Charge

por David Marinho (*)

Certo povo tinha dois candidatos a vereador; o mais moço, e aparentemente esperto, disse a seu público num comício:

– Eleitores, dei-me um voto de confiança que me cabe e lhes mostrarei quem sou, e que serei capaz.

Então o povo deu essa oportunidade a ele, votou e o elegeu.

Depois da posse e diplomado como vereador, o dito cujo, ajuntando tudo o que era seu, como salário, gratificação, ajuda de custo, diárias, jetons e propinas, por ajudar a aprovar alguns projetos da base aliada, partiu para um mundo surreal, distante de seu curral eleitoral, e lá dissipou todos os seus ganhos, vivendo dissolutamente numa vida de libertinagem e gastança desenfreada.

Depois de quase quatro anos, e ter consumido e gasto todos os seus ganhos, longe de seu eleitorado, sobreveio àquele município uma grande crise socioeconômica, e ele começou a passar necessidade e já se preocupar com sua reeleição.

Então, foi e se agregou a um dos cidadãos daquela cidade conhecido como lobista político e cafetão, e este o mandou trabalhar em suas boates e servir seus clientes.

Ali, desejava fartar-se dos restos das mesas e das míseras gorjetas que os clientes lhes davam. Mas ninguém lhe doava nada de valor como nos velhos tempos atuante na Câmara Municipal.

Então, caindo em si, disse:

– Quantos funcionários da Câmara Municipal de minha cidade, pagos pelos impostos dos meus eleitores, têm dinheiro com fartura, e eu aqui morrendo na miséria e endividado? Levantar-me-ei, passarei óleo de peroba na cara, colocarei um óculo escuro na fuça, e irei ter com o meu povo amado, e lhe direi:

– Meu querido povo eleitor, pequei contra o céu e diante de vocês, já não sou digno de ser chamado de seu vereador; tratem-me como um de seus simples prestadores de serviços gerais!

E, levantando-se, foi ao encontro com seu eleitorado.

Vinha ele ainda longe, nas esquinas das ruas esburacadas dos bairros da periferia que ele abandonou, aproximando-se com o coração aflito das casas dos eleitores pobres e abandonados, quando o seu antigo cabo eleitoral o avistou, reconhecendo-o depois de tanto tempo ausente, e compadecido daquele vereador nepotista, egoísta, desonesto e irresponsável, correndo, o abraçou e o beijou.

E o vereador sumido, que sido até dado como desaparecido por três anos e meio, entre lágrimas lhe disse:

– Meus eleitores, pequei contra o céu e diante de vocês; já não sou digno de ser chamado um representante e defensor do povo.

O cabo eleitoral, porém, disse aos seus correligionários e eleitores submissos, formados por velhinhos, velhinhas e alguns ignorantes:

– Trazei depressa o melhor paletó de colarinho branco, vesti-o, pondo-lhe um grande bóton colorido de seu partido no peito, um boné de seu padrinho político na cabeça, e um pacote de santinhos (pra não dizer diabinhos) no bolso para serem distribuídos ao povo desinformado.

– Trazei também e matai o novilho cevado para o churrasco. Comamos e regozijemo-nos, porque este vereador estava morto e reviveu, estava desaparecido e foi achado. E começaram a regozijar-se.

Ora, o outro candidato mais velho, mas estreante no partido, estava em campanha também; e ao aproximar-se da casa do cabo eleitoral, ouviu a música e as danças.

Chamou um dos eleitores mais próximo e perguntou-lhe o que era aquilo.

E ele informou:

– Veio teu colega vereador sumido, e o cabo eleitoral mandou matar o novilho cevado para o churrasco regado a vinho, porque o recuperou com saúde.

Ele se indignou, e emburrado não queria entrar, saindo, porém, o cabo eleitoral procurava conciliá-lo.

Mas ele respondeu ao cabo eleitoral:

– Há tantos anos eu puxo teu saco, sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos; vindo, porém, esse teu candidato, que desperdiçou seus bens, não fez nada como vereador, enganou seus eleitores, e tu mandas matar para ele o novilho cevado!?

Então, lhe respondeu o cabo eleitoral:

– Meu amado candidato, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu. Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu colega vereador mesmo sendo irresponsável, estava morto e reviveu, há quase quatro anos estava desaparecido e foi achado!

Qualquer semelhança desse texto com algum vereador de Santarém, saibam que é mera coincidência… Mas você eleitor com seu voto é que vai julgar se aceita novamente as mentiras desse tipo de vereador pródigo. Você decide!

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* É gestor ambiental. Contato pelo emmail – dasuanje@yahoo.com.br


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2 Responses to A parábola do político pródigo

  • Prezado David Marinho, essa emblemática História vale para os 21 (vinte e um ) Vereadores e Vereadoras da Câmara Municipal de Santarém. Eleitor de Santarém NÃO VOTE em político que quer se Reeleger Vereador. A REELEIÇÃO é Nociva, Miserável e Empobrecedora , causa sérios problemas para a Democracia Brasileira. Tem Verme Político que se viciou na Política.

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