Naufrágio: comandante do Ana Karoline III é preso por ordem da Justiça; 34 mortos
Ana Karoline III: navio arrendado para Paulo Queiroz

O comandante do navio Ana Karoline III, que naufragou com cerca de 100 pessoas há cerca de 1 mês no Amapá, foi preso nesta quinta-feira (28) por ordem da Justiça em processo no qual ele é investigado por crime de homicídio qualificado pela morte de, por enquanto, 34 pessoas. 8 ainda estão desaparecidas.

Paulo Márcio Simões Queiroz, para quem o navio estava arrendado, se encontra preso em Laranjal do Jari (AP). E deve ser transferido para Santana (AP), comarca da juíza Priscylla Peixoto Mendes, que proferiu a decisão. O navio pertence ao empresário santareno Erlon Rocha.

 

O pedido de prisão temporária por 30 dias foi avalizado pelo Ministério Público do Amapá. O processo tramita em segredo de Justiça.

Segundo as investigações da polícia, além de arrendatário e comandante da embarcação, Paulo Queiroz não possuía autorização da Antaq (Agência Nacional de Transporte Aquaviário) para explorar a linha Santarém-Santana/Santana-Santarém.

Pior: o navio tinha capacidade para transportar 100 toneladas e 300 kg, mas na ocasião do naufrágio transportava 173 toneladas, sem contabilizar os pesos referentes às bagagens dos passageiros, “inclusive duas mudanças completas que estavam sendo realizadas”, de acordo com a polícia.

Albatroz: óleo diesel

“Restam demonstradas fundadas razões de autoria ou participação do representado [Paulo Queiroz] nos crimes de homicídio em razão do naufrágio da embarcação Anna Karolinne III, uma vez que as investigações apontam que o representado tinha conhecimento de que a embarcação zarpava do Porto GCA, localizado no Matapi Santana, com carga acima do limite, além de ter permitido, durante o trajeto, que a embarcação Albatroz descarregasse óleo diesel no navio Anna Karolinne III”, pontou a magistrada.

A prisão agora de Paulo Queiroz, de acordo com a juíza, se tornou imperativa porque estaria “conturbando a investigação policial”.

 

Além também de está “orientando tripulantes quanto às declarações a serem dadas, atribuindo o naufrágio às condições climáticas, bem como com relação à quantidade de mercadoria transportada, sendo necessária sua segregação cautelar para garantir a investigação policial”.

“Ressalto ainda a gravidade em concreto da conduta do comandante, o qual autorizou o embarque de carga excedente à capacidade da embarcação no dia 28/02/2020, culminando com o naufrágio do navio Anna Karolinne III, em 29/02/2020, resultando na morte de 34 pessoas e no desaparecimento de 8 pessoas”, ressaltou Priscylla Mendes.

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