Vazamento de gás tóxico no Distrito Industrial de Manaus provoca evacuação de empresas e fechamento de escolas

Publicado em por em Amazônia, Saúde

O Distrito Industrial de Manaus (AM), um dos principais polos econômicos do país, enfrenta momentos de tensão desde o final da tarde de quarta-feira (15). Um grave vazamento de gás estireno – substância altamente tóxica e inflamável – nas instalações da empresa Innova forçou a suspensão de aulas em dezenas de escolas, paralisou o atendimento em órgãos públicos e levou pelo menos 18 fábricas do entorno a evacuarem seus funcionários em caráter de emergência nesta quinta-feira (16).

Os desdobramentos na saúde pública foram imediatos.

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Devido ao forte odor químico que se espalhou pela Zona Sul da capital amazonense, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Sesam) contabilizou 107 atendimentos na rede pública relacionados à inalação do gás. Do total, 104 pacientes receberam alta após avaliação, mas três continuam internados sob observação.

Impacto na rotina da cidade

A propagação da pluma tóxica obrigou as autoridades a agirem rápido para proteger a população. O isolamento decretado abrange um raio de 300 metros ao redor do tanque afetado.

No setor educacional, o impacto foi expressivo: 16 unidades da rede municipal e três escolas estaduais (Antônio Lucena Bittencourt, Antovila Mourão Vieira e Bom Pastor) suspenderam as atividades. O Serviço Social da Indústria (Sesi) também interrompeu o funcionamento da unidade Francisco Garcia, e o Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) do Studio 5 suspendeu temporariamente os agendamentos da população.

No polo fabril, gigantes como Honda, Yamaha, Positivo, Electrolux e LG estão entre as 18 companhias que liberaram seus colaboradores para retornar para casa, seguindo orientações de segurança e da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam).

Risco de explosão

O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) segue mobilizado na “zona quente”. De acordo com o comandante-geral, coronel Muniz, a suspeita preliminar é de que tenha ocorrido uma reação espontânea dentro de um dos tanques de monômero de estireno, quebrando as moléculas e gerando um superaquecimento em cadeia.

O cenário poderia ter sido catastrófico.

“No caso específico da Innova, houve a liberação das válvulas de segurança do tanque. Foi isso que provocou o vazamento observado em jatos verticais, porque o produto estava submetido a alta pressão. Caso as válvulas não tivessem sido acionadas, a reação poderia provocar explosão ou incêndio”, explicou o comandante.

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Posicionamento da empresa e autoridades

A Innova, empresa responsável pelo tanque, afirmou em nota que a situação foi controlada com base nos protocolos de emergência, sem registro de incêndio ou vazamento de produto líquido fora da área de contenção. A companhia declarou que segue prestando esclarecimentos.

Enquanto isso, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) acompanha o caso de perto, cobrando relatórios detalhados da Innova e reforçando que a investigação sobre possíveis impactos ambientais, trabalhistas e sanitários ficará a cargo dos órgãos competentes.

O que é o gás estireno?

Muito utilizado na indústria de plásticos e borrachas, o estireno evapora com facilidade sob altas temperaturas. Segundo especialistas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o gás tem um odor adocicado e forte. A inalação provoca desde irritação nos olhos e vias respiratórias até dores de cabeça, tonturas, náuseas e, em concentrações extremas, graves problemas respiratórios.

A recomendação da Defesa Civil é que os moradores de áreas próximas mantenham as casas ventiladas e evitem usar ar-condicionado que capte ar do ambiente externo.

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