Voz fugitiva

Às vezes na tu’alma que adormece
Tanto e tão fundo, alguma voz escuto
De timbre emocional, claro, impoluto
Que uma voz bem amiga me parece.

E fico mudo a ouvi-la como a prece
De um meigo coração que está de luto
E livre, já, de todo o mal corruto,
Mesmo as afrontas mais cruéis esquece.

Mas outras vezes, sempre em vão, procuro
Dessa voz singular o timbre puro,
As essências do céu maravilhosas.

Procuro ansioso, inquieto, alvoroçado,
Mas tudo na tu’alma está calado,
No silêncio fatal das nebulosas.

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De Cruz e Sousa, poeta brasileiro.

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2 Comentários em: Poesia

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  • Floripa disse:

    Caro Jeso,

    Parabéns pela escolha do poema de Cruz e Sousa, no qual se observa a profundidade filosófica e a angústia metafísica, temas , sem dúvida, oriundos da sofrida experiência pessoal do poeta.Gosto muito quando postas textos de autores nacionais. Certamente teus leitores aguardam sempre por eles, então que venham sempre.

    1. Jeso Carneiro disse:

      Floripa, esse espaço é também do leitor. Mande poemas, sugestões de autores etc.