Amaroamar
Montemuro, serra,
vai, coração, erra,
esfacela-te em mágoa
nostálgica de Mozart
no antiqüíssimo quarto
de outra alta paixão
para aumentar a sede
de Deus, e seu falcão.
preza ao céu conceder-te
uma alforria leve
a resvalar na sorte
desta que se quis pura
desta que se quis casta
e cada vez mais se afasta
da seráfica altura.
Pode ser que no escuro
se rompa a trasmontana
porta do puro amor
aorta que me leva
— sangue derramadíssimo —
ao horto felicíssimo
onde um bater de pálpebra
uma treva minúscula
seja morrer: cidade
da afinal claridade.
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De Lélia Coelho Frota, poeta brasileira nascido no Rio de Janeiro.
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