Imorredouro infante
Que bom
vir de vez enquanto aqui
navegar ao sabor dessas velas.
Na magia desse horizonte
volto a ser Batman,
Robin Hood, Peter Pan,
formando exércitos nas nuvens,
peixes disformes nos rios.
botos sassariqueiros
conversam comigo.
O vento sacolejando a árvore
mavioso me toca Chopin.
No banco, filhos ao lado,
não vêem lá beira,
músicos, poetas, todos mortos,
piracaiando, fazerem adeus.
Que bom navegar
ao sabor dessas velas,
fantasiando, pescando loucuras
nesse imorredouro menino
sempre saltitante em mim.
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De Edwaldo Pangaré Campos, poeta amazônico nascido no Pará (Alenquer).
A Poesia tem esse poder… de vez em quando ela fala por nós. “Na magia desse horizonte
volto a ser Batman, Robin Hood, Peter Pan, formando exércitos nas nuvens..”
Que lindoooo! É a vida pulsando, reverberando na poesia, sonhos, imaginações, sassaricos, tudo num contexto de vida plena, pra lá de saudável e põe Saudável nisso!! Salve a Poesia!
Sou fã das suas poesias. Quando as leio, vem-me aquela sensação de que, ainda, podemos extasiar-nos neste mundo de tanta violência, perdição egoísmo. Nota dez pra você.