Poetas amazônicos

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Escaldante

Salta o mercúrio dentro
do termômetro em seu delgado tubo,
e também o suor do estreito ducto
das glândulas sudoríparas.

Arde o sol no meu Tapajós,
escalda suas praias, e o asfalto e a terra batida
da Prainha, Diamantino, Aparecida.
Cada quarteirão é um Círio,
ao andar a pé nesse martírio.

Será que São Pedro esqueceu o caminho daqui?
Ou a chuva que já ferveu antes de cair?
Nesse devaneio tropical, a Amazônia virou Sertão,
e meu Saara é Alter-do-Chão.

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De João Alho, poeta paraense nascido em Santarém. É dele o blog Leia no verso.


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