por Raimunda Monteiro (*)
Fui entrevistada nesta quarta-feira (7), pela Rádio Nacional da Amazônia, fazendo um contraponto às previsões catastróficas de pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi sobre a situação ambiental do Tapajós com a emancipação. Essa é uma opinião veiculada na capital e por parte da imprensa nacional, a exemplo do Estadão, em matéria da jornalista Karina Ninni, em setembro passado.
O MPEGconsidera que, com a criação do novo Estado, o povo desta região vai revogar a criação das (UCs) Unidades de Conservação estaduais da Calha Norte, que somam cerca de 7 milhões de hectares e ainda reverter as UCs federais, que são 24 e somam cerca de 18 milhões de hectares.
Me surpreendicom a abordagem superficial e parcial do meu colega do MPEG (Leandro Ferreira), ao identificar o povo desta região do Estado, a priori, como adversários das florestas. Quando na verdade, se temos mais de 75% do nosso território com cobertura florestal, é porque a maioria do povo que vive aqui ([índios, agricultores familiares, extrativistas, varzeiros, quilombolas, cidadãos urbanos, entre outros) souberam sustentar modos de vida compatíveis com a manutenção dos recursos naturais dessas áreas, sem destruí-las.
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Passo fundamental
Os setores críticos da sociedade local participaram dos movimentos políticos em nível nacional para que a Constituição de 1988 desse um passo fundamental para o reconhecimento do meio ambiente como um direito humano e, a partir de então, paraa construção de um marco jurídico nacional que inclui a Lei de Crimes Ambientais, a Lei do SNUC – Sistema Nacional de Unidades de Conservação, a regulamentação do ZEE – Zoneamento Econômico Ecológico e, mais recentemente, a Lei 11.284 (Gestão de Florestas Públicas), que determina que todas as florestas publicas devem continuar públicas e florestas.
É um dado histórico que os movimentos sociais desta região atuaram decisivamente na proposição que inaugurou o debate e políticas públicas voltadas para pagamento de serviços ambientais, com o PROAMBIENTE. Desta política pública, exercida por mais de1.500 agricultores familiares da Transamazônica, Marajó e Nordeste Paraense, evoluiu a discussão de REDD – Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação, um dos principais instrumentos de mitigação na política de mudanças climáticas, reconhecida a partir da COPP 16, em Cancún, em 2010.
Se temos nesta região a maior concentração de RESEXs – Reservas Extrativistas Federais, foi por força da organização social das populações dessas áreas que optaram por manter seus territórios ancestrais íntegros diante do avanço madeireiro e do agronegócio.
Quando do avanço de frentes especulativas de outros estados que ameaçavam dizimar as florestas da BR-163, foram os setores críticos e organizados da sociedade civil da região, que denunciaram e que forçaram o Governo Federal a elaborar o Plano de Desenvolvimento Sustentável da BR-163, a criação do Distrito Florestal Sustentável da BR-163 e o ZEE – Zoneamento Econômico e Ecológico da região, que nos permite ter hoje um território ordenado, impedindo decisivamente que nos tornemos uma paisagem como se tornou a borda oriental da Amazônia.
E mais: a instalação de escritórios do MPF- Ministério Público Federal e PF – Polícia Federal em Altamira, na década passada, foi por reinvindicação dos movimentos sociais junto ao então Ministro da Justiça, Márcio Tomaz Bastos. Ou seja, aqui vive uma sociedade que pensa e age como as melhores cabeças do Pará e do país.
Política ambiental
O pesquisador do MPEG afirma categoricamente que as UCs criadas serão anuladas. Isso não faz sentido. Tudo em política ambiental no país depende dos Legislativos Federale Estaduais. Depende também do CONAMA – Conselho Nacional de Meio Ambiente, pelo qual passa toda a normatização ambiental derivada da legislação federal. Leis estaduais não podem se contrapor aos princípios e diretrizes das leis federais.
Talvez o temor dos pesquisadores do Goeldi seja de que prevaleçam no Tapajós parlamentares comprometidos com projetosde desenvolvimento que impliquem em destruição das florestas preservadas até o presente. Por que não pensar que, mais próximos do centro de poder, parlamentares camponeses, indígenas, quilombolas, empresários e intelectuais comprometidos com o desenvolvimento sustentável também possam representar esses setores e influenciarno parlamento? Sejamos dialéticos e afirmativos.
Os setores comprometidos com um tipo agronegócio com base em desmatamento e sem atendimento da legislação ambiental foi derrotado ainda na década passada, a partir da mobilização social da sociedade organizada da região. Não há ambiente para esses setores, que não são da região inclusive, ocuparem o novo Estado mudando o regramento legalque rege o uso da terra e que protege as florestas.
Infratores sempre haverá, em todos os lugares do pais, porém a criação do novo Estado obriga o fortalecimento do sistema de gestão ambiental federal e estadual na região, com escritórios equipados e aumento do pessoal ocupado no controle e monitoramento ambiental na região.
O que ocorre no atual quadro de administração centralizada em Belém, é justamente o contrário, o esvaziamento dos órgãos como IBAMA e ICMBIO – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidadee o tímido investimento na estruturação regional de um órgão de suma importância como o SFB-Serviço Florestal Brasileiro que tem nesta região, a maior parte das FLONAS – Florestas Nacionais sob gestão para produção florestal sustentável, em regime de concessões. Como novo Estado esses órgãos ganharão força e capacidade de exercer a gestão com maior agilidade.
Administração centralizada
Parece temeroso, no quadro atual, de administração centralizada em Belém, é a reversão da destinação de áreas estaduais para assentamentos extrativistas e terras quilombolas, pelo que se observa nos primeiros meses do Governo Jatene. O ITERPA- Instituto de Terras do Pará, vem fazendo esforços para reconhecer terras particulares dentro da RESEX Verde para Sempre e anular projetos de assentamento extrativistas estaduais criados no governo passado.
Todas as UCs estaduais e federais são gerenciadas por conselhos gestores consultivos (proteção integral) e deliberativos (uso sustentável), em que estão representados setores empresariais, de Governo e da sociedade civil. São eles que ditam as regras dos planos de manejo das UCs.
De acordo com a Coordenadora Regional do ICMBIO, Rosária Sena, e, segundo a direção do ICMBIO – Instituto Chico Mendes na região, na pessoa da 80% das UCs federais já têm plano de manejo. O mesmo ocorre com as UCs estaduais. Reverter todo esse quadro institucional é impossível, pois teria a oposição da sociedade, mesmo que venhamos a ter parlamentares retrógrados, como muitos que vemos aqui e na capital.
São cerca de 30 milhões de hectares em UCs federais e estaduais, além das TIs – Terras Indígenas. Excetuando-se os Parques e Estações Ecológicas, todas as outras UCs são habitadas por populações com ancestralidade nas áreas e direitos garantidos no sistema jurídico naciona. Reverter esse quadro institucional não está aopqalcance dessas forças políticas isoladas.
Os parlamentares que só vêem desenvolvimento atrelado aoagronegócio estarão disputando hegemonia com parlamentares que defendem o desenvolvimento sustentável. A causa ambiental no Brasil e na região não tem partido, a sociedade é quem impulsiona as mudanças, tem sido assim historicamente no Brasil e no mundo. Aqui não será diferente.
Por fim, é preciso que setores catastrofistas da imprensa nacional e pesquisadores que pouco associam o objeto de suas pesquisas aos contextos sociopolíticos, observem que a criação deste fantástico Estado Sustentável do Tapajós, pode se tornar um grande trunfo para a região norte e para o Brasil, como modelo de desenvolvimento sustentável.
Basta que sejam aplicados aqui, em infraestrutura, ciência e tecnologia, o valor equivalente a 15 do que está previsto na construção da UHE de Belo Monte, para promover uma economia verde, baseada no uso sustentável da biodiversidade (florestas e turismo), produção sustentável nas várzeas e na elevação da produtividade agropecuária para que o novo Estado exporte alimentos e produtos top da biotecnologia.
Acreditemos em nossa capacidade de dar o melhor pelo nosso destino.
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* Santarena, é graduada em Comunicação Social, mestre em Planejamento de Desenvolvimento e doutora em Ciências Socioambientais do Trópico Úmido, professora da UFOPA – Universidade Federal do Oeste do Pará.
Leia também dela:
Carajás e Tapajós: oficializar uma divisão de fato.
se fu … se fu….. se fu… se fu… também com o duda rinha de galo como marketeiro e a campanha do yes manipulada pelos forrasteiros e com o Lira Mala como garoto propoaganda só podia dar merda !!!!! e bota merda nisso !!! dava prá encher o Barbalhão e transbordar pro amazonas !!!!! e aí colonizados tão preparados prá derrota eminente ??? não vão se suicidar em massa !!!!
Depois de ler o texto da professora Raimundinha e observar as mensagens de apoio, me sinto obrigada a colaborar mesmo que seja com um simples, mas sincero depoimento.
Estudei em Santarém, cursei engenharia florestal na então Ufra, agora Ufopa, e sempre gostei de estudar. Ainda na graduação “me enveredei”, como a própria professora Raimundinha me disse, “pros lados da pesquisa científica”…
Mas a caminhada do mestrado ao atual doutorado se deve, assim como na situação de todos os amigos e colegas contemporâneos que queriam se especializar, tal como, a um esforço pessoal severo, de deslocamento às capitais de outros estados brasileiros p/ conseguir alcançar um pouco mais do que a graduação.
O esforço é enorme, vale a pena, deixa a gente feliz, mas isso é resultado do fato de não termos tido acesso a educação além da graduação no interior do estado, isto é, cursos de especialização, mestrado e doutorado públicos.
Hoje, a Ufopa desponta como uma referência em potencial na formação, pesquisa e tecnologia em sustentabilidade.
Esse exemplo é apenas um pouco do muito que pode ainda mudar com o desenvolvimento que esperamos a partir do resultado da transformação social que queremos, justa com o que nos é de direito em todas as dimensões, saúde, educação, infra-estrutura, saneamento, e está por vir, a partir do nosso voto.
Amanhã volto p/ Santarém depois de um longo ano cursando as disciplinas do curso de doutorado em Ciências Agrárias. Volto porque, como a gente mesmo diz, “tive que sair, mas tô voltando já”, porque as pesquisa e o resultado dela tem que ser na terra que me acolheu e sobre a qual quero escrever uma tese conceito A, como todo Tapajós merece.
Domingo,meu voto é sim, 77.
Nos últimos dias, sobrecarregado de trabalho, mal consigo ler as noticias sobre o plebiscito. Ancioso me organizo para estar em Santarém no dia 11. Não poder participar mais ativamente, mesmo que apenas escrevendo, tem sido uma tortura diante de meu desejo imenso de estar junto participando dessa luta.
Agora ao ler seu texto professora Raimunda, e junto com ele o manifesto dos Diretórios dos Partidos Políticos; a carta depoimento de Sonia Ramalheiro; um pouco antes a resposta de Evaldo Viana para o Lucio Flavio, sinto um certo alivio e me vejo representado nesses textos.
Lembrei de visita que fiz a Lucio Flavio, quando não falamos de plebiscito mas ao me despedir pedi que revisse sua posição sobre o Tapajós, pois acho que ele é radicalmente contra o Carajás mas não tem a mesma convicção sobre a criação do Estado do Tapajós. Não evoluimos o assunto pois seria conversa para mais de um dia e tanto ele como eu já corriamos para outro compromisso.
Mas consegui lhe dizer que nossa região hoje possui massa crítica. As diversas manifestações que acompanho em dezenas de blogs aumentam essa minha convicção. Lucio esta perto, mas não o suficiente para nos entender melhor. Professora irei visitar a UFOPA, gostaria muito de lhe conhecer.
Sim tapajós ganha direito de resposta
A assessoria jurídica da Frente do SIM Tapajós conseguiu liminar junto ao TRE, para recuperar os espaços concedidos ao governador Jatene em seus programas de ontem e hoje.
A liminar garante a devolução do tempo, mas como hoje é o último dia de campanha, deverá haver TEMPO EXTRA SOMENTE PARA O SIM, amanhã e depois!!!!
Nesse momento, está havendo uma reunião do pleno do TRE, para confirmar a decisão liminar. Busquem informações no site do TRE.
Profissionais de Santarém acreditam na vitória do SIM
Francisco Lopes “Chicão”, da Frente Pró-Tapajós, confia na vitòria do SIM no domingo
Francisco Lopes (Chicão)
A menos de cinco dias para a realização do plebiscito sobre a criação do Estado do Tapajós, santarenos de vários segmentos profissionais apostam na aprovação do projeto na consulta popular. Após a realização de dois debates na semana passada, sendo um na TV RBA e outro na Record Belém, a população de Santarém aprova a Frente Pró-Tapajós e repudia atitudes de políticos contrários a divisão.
Para a santarena Ana Celeste é lamentável verificar os membros da Frente Contra o estado do Tapajós insistir em “gritar” que a luta pela criação de Novos Estados são de forasteiros. Ela ressalta que a luta não é recente e, que os políticos do contra, não conhecem a verdadeira história da região do Tapajós.
“Principalmente ao que se refere ao TAPAJÓS, pois estudos históricos datam do período de 1823, quando foi realizada a primeira Assembléia Constituinte. Nesse momento já se trazia na pauta política a criação da Província do Amazonas”, lembra.
Segundo Ana, a Assembléia Constituinte propunha a criação da Província do Tapajós, objetivando evitar conflitos entre o então Grão-Pará e o Amazonas, nas áreas de Parintins, Óbidos e Santarém, em 1853.
Ana destaca ainda que a reestruturação territorial, ou seja, geopolítica, voltou a ser discutida novamente, para a resolver as diferenças de limites entre as duas províncias, no ano de 1869.
“Na proposta de criação de novas Províncias, no período do governo imperial, o tenente Augusto Fausto de Souza apresentou uma nova proposta, em 1877, Ronan Liberal ex-prefeito de Santarém, em reunião com prefeitos do Oeste do Pará, lançou a luta pela criação do ESTADO DO BAIXO AMAZONAS, em 1980. DESTA FORMA É UM CRIME DIZER QUE OPORTUNO PARA OS FORASTEIROS”, lamenta.
O membro da Frente Pró-Tapajós, Francisco Lopes, o “Chicão” garante que a expectativa para a vitória no plebiscito de domingo é positiva, onde várias cidades do Oeste do Pará receberam a comitiva de campanha no inicio desta semana, entre elas, Ameirim e Porto de Moz. Ele adianta que a comitiva irá também a Faro, Terra Santa e Aveiro, distribuindo material de campanha.
“A população tem respondido positivamente a campanha! Principalmente depois da grande carreata e com o advento da vinda do JN no Ar, que de alguma forma mexeu positivamente com o brilho de nossos regionais”, garante Chicão, ressaltando que o povo está entendendo que é uma oportunidade única que o Brasil está dando ao Oeste do Pará.
“O Brasil nos dá a oportunidade única de termos à atenção da nação à tanto negado a nós!!!”, destaca.
Fonte: RG 15/O Impacto
07.12 – Sônia Ramalheiro e seu apoio ao SIM [grupo CR]
“Eu sou Sônia Maria Moura Ramalheiro, economista, mãe de três filhos e creio ser este o momento oportuno para manifestar minha opinião quanto aos fatos que estão ocorrendo no nosso estado por conta da consulta plebiscitária.
Nasci em Castanhal e durante 12 anos morei em Belém onde me formei. Para acompanhar meu marido mudei para Santarém há 29 anos onde estabeleci fortes laços de amizades.
No começo estranhei muito o modo de vida das pessoas daqui. A região como um todo tem um ritmo de vida completamente diferente daquela que o paraense da capital acredita ser a realidade do estado todo. Quando aqui cheguei ou viajávamos durante três dias de barco até Belém ou esperávamos o avião que só passava nas terças e quintas-feiras. O meio de transporte tradicional, por conta da situação geográfica, é o barco, diferente da realidade do belenense que se movimenta utilizando transporte terrestre para acessar todo o território nacional. Na época Santarém não consumia produtos frios e congelados porque o transporte era extremamente complexo. Quando começamos a comercializar estes produtos aqui tínhamos que trazê-los de avião. E com o crescimento das nossas atividades precisamos desenvolver uma logística própria, o que acabou sendo o nosso diferencial empresarial.
Eu não acreditava como os moradores daqui podiam ser tão conformados com a realidade, nem entendia porque pacientes seguiam em busca de tratamento de saúde, ou mesmo de empregos, em Manaus e não em Belém que é a nossa capital. Enfim, a região seguia e segue até os dias atuais padrões e costumes que nós que nascemos na região metropolitana carecemos de tempo e olhar carinhoso para compreensão.
Ao longo de minha vida aqui no oeste paraense tenho presenciado essa afinidade maior do povo desta região com o Amazonas, a ponto de crianças saberem citar o nome do governador do estado vizinho e não saberem quem é o governante paraense. Foram os bois de Parintins, e não o carimbó, que inspiraram a parte profana da festa do Sairé realizada na maravilhosa vila de Alter do Chão, que eu aprendi a amar profundamente.
Minha compreensão sobre os porquês dos sentimentos e angústias existentes nos corações dos indivíduos nascidos nesta região aumentou durante o período que assumi a presidência do Conselho da Mulher Empresária – CME no biênio de 2002 e 2003 e que tomei conhecimento do projeto de emancipação da região para a criação do estado do Tapajós. Na época realizamos uma grande movimentação em defesa do projeto, começando com a realização de um seminário para debater o assunto onde gestores de toda a região se fizeram presentes ou representados. Deputados estaduais e federais do Pará participaram do evento e todos levaram consigo os resultados da atualização de estudos que comprovavam desde aquela época a viabilidade econômica desta região a partir da sua emancipação. Neste evento recebemos os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Mozarildo Cavalcante, de Roraima, que foi o autor da emenda apresentada no Senado. Posso afirmar que a movimentação pela divisão não é coisa de meia dúzia de políticos como afirmam os representantes contrários à causa. É luta vivida e sentida pelo povo.
Minha manifestação neste momento é movida pela indignação que sinto ao ver tantas pessoas carentes de ações e da presença do poder público sem que este se volte para o povo. Ora, projetos esporádicos apenas amenizam situações problemáticas, mas a luta agora é por soluções definitivas.
Como economista, tive acesso ao estudo de viabilidade e posso afirmar que é consistente. Fechar os olhos para isso é matar a esperança de mais de três milhões de pessoas que vivem anos à espera da presença do estado. Fingir que somos capazes de administrar um território tão grande como o do Pará atual, com tamanha diversidade sociocultural, é ser irresponsável. E com isso não posso concordar.
Mesmo não tendo nascido aqui, assumi essa causa como minha e a defendo com todo amor e carinho por um povo que sempre acolheu a todos tão bem.
Dia 11 sairei de casa cedo munida com título de eleitor e vou depositar naquela urna um voto confiante de que a esperança de toda uma região não precisa morrer por causa de outros irmãos paraenses.
Rogo que meu manifesto chegue aos moradores de Belém e provoque reflexão.
Você que neste momento me lê talvez não saiba por que está dizendo não. Porém, creia! Nós sabemos muito bem porque estamos dizendo SIM à divisão do Pará”.
Obrigada minha irmã, seu depoimento me enche de orgulho e alegria. Que chegue pelo menos a todos os seus que são muitos em Castanhal e Belém.
Felicidades e êxito sempre!
07.12 – Vigília ecumênica pró Tapajós e Carajás (Grande evento em Belém)
Nesta quinta-feira (08/12), a partir das 8 horas da manhã até meia noite, na Praça da Leitura, em frente ao terminal rodoviário de Belém, padres, pastores, lideres de diversas denominações religiosas, irão fazer celebrações conjuntas ao longo do dia, para pedir pela criação dos estados de Tapajós e Carajás, participação de Maria Lidia, além de outros grande nomes.
Este será o maior evento do SIM em Belém,!
07.12 – Partidos de santarém divulgam manifesto conjunto pelo estado do tapajós
Hoje pela manhã, representantes de vários partidos de Santarém e de alguns municípios vizinhos presentes em reunião na sede da Frente Pró-Tapajós, ratificaram seu apoio aoMANIFESTO TAPAJÓS SEMPRE, discutido em 19 de novembro (Dia da Bandeira), num encontro realizado na sede do Veterano por vários partidos, convidados pelas direções doPCdoB (Partido Comunista do Brasil) e PTN – Partido Trabalhista Nacional.Representantes dos partidos PSD, PSOL, PSC, PSDC, PT DO B e PP, não se encontravam na reunião e não assinaram o manifesto, mas alguns deles já anunciaram que concordam com a proposta.
O deputado estadual Antonio Rocha (PMDB), louvou a iniciativa dos dois partidos e como membro da Frente Pró-Tapajós, conclamou todos os demais partidos a aumentarem os esforços nos últimos dias de campanha.
A reunião foi coordenada pelo vereador Erasmo Maia (DEM) e pela ex-vereadora Odete Costa (PT).
A ideia de incentivar a criação de um movimento TAPAJÓS SEMPRE, foi defendida pelo professor-doutor Anselmo de Alencar Colares e encampada pelos partidos.
Eis o teor do manifesto:
Manifesto TAPAJÓS Sempre
A luta pela emancipação da região oeste do Pará não se encerra no plebiscito de 11 de dezembro. Mesmo com a vitória do SIM (77) começa outra fase importante que é a mobilização para pressionar o Congresso Nacional e a Presidência da República a acatarem a vontade popular. Precisamos estar vigilantes para que o Estado do Tapajós seja construído de forma participativa e não tenha os mesmos defeitos do “velho” Pará. Os Partidos Políticos signatários deste documento, por intermédio de suas lideranças locais, demonstram publicamente que estão unidos em torno desta causa. O TAPAJÓS É NOSSA BANDEIRA, SEMPRE! O novo Estado representa a possibilidade concreta de mudanças em prol da população.
A seguir, enumeramos os aspectos essenciais que nos motivamos para esta luta e nos quais depositamos a esperança de que o Estado do Tapajós seja construído para atender, de fato, aos interesses dos seus integrantes.
1) Autonomia: Quem mora nos municípios que compõem a região Oeste do Pará, sabe, com conhecimento de causa, o que significa viver à margem das decisões políticas que interferem diretamente no cotidiano, mas que são tomadas externamente, mesmo quando se trata do Próprio estado do Pará, pois o núcleo decisório se concentra na capital. Ter autonomia significa ter o direito de decidir sobre os assuntos que são coletivos, e dispor de uma estrutura de governo mais próxima, para que seja ouvida e respeitada em suas reivindicações;
2) Fortalecimento regional: Com a autonomia, em todos os campos, a região formada pelo novo estado terá condições de desenvolver suas potencialidades, promovendo maior equilíbrio entre os seus integrantes;
3) Identidade Cultural: O vasto território que compõe a Amazônia, objeto de cobiça dos colonizadores, sofreu violento processo de desagregação ao longo da história. Diversas nações que habitavam as terras que hoje compõem os atuais estados foram dizimadas, outras foram escravizadas e incorporadas ao modo de vida dos colonizadores. Mesmo assim, ficaram vestígios que demonstram diferenças substanciais entre os povos que habitavam a região que hoje busca se emancipar. A cultura Tapajoara é distinta de outras culturas, e se expressa nas mais variadas situações cotidianas. Sobreviveu a toda sorte de ataques que sofreu ao longo do tempo. E haverá de continuar sendo o nosso orgulho, pois expressa nossa identidade.
4) Desenvolvimento e justiça social: A forte concentração das atividades econômicas e das políticas sociais no entorno de Belém, cria um círculo vicioso que tende a aumentar a miséria, pois expulsa milhares de famílias do interior do estado em busca de oportunidades na região metropolitana. Com o novo Estado, teremos uma oportunidade real de corrigir tais distorções, resultando em benefícios para o conjunto da população, tanto da região emancipada, quanto da área remanescente. Isto passa pela aglutinação de forças em torno do fortalecimento de uma inteligência inovadora, especialmente no campo da cultura digital;
5) Democracia participativa: O Estado do Tapajós já nasce diferente de todos os outros, pois a população está sendo consultada quanto a sua criação. Entendemos que este processo é educativo e a democracia participativa deve ser a regra no Estado do Tapajós. Não necessariamente com a realização de plebiscitos ou referendos, mas com o fortalecimento da organização da sociedade para discutir, aprovar ou rejeitar propostas de projetos que interferem na vida de todos;
6) Relação com a Amazônia e com o Brasil: O Estado do Tapajós significa maior presença do Brasil na Amazônia. Não apenas nos discursos ufanistas, mas em ações concretas que representem melhorias de condições de vida para os povos que nela habitam. Preservar implica em conhecer e cuidar. E isto se faz com presença e clareza de propósitos. Teremos uma maior bancada parlamentar no Congresso Nacional. Nossas escolhas podem significar presenças significativas em defesa dos interesses coletivos, impedindo a continuidade das práticas destruidoras dos projetos já implantados, e propondo alternativas coerentes e inovadoras. Temos que engendrar uma nova forma de integração nacional, tendo como eixo condutor o estabelecimento de redes de conexões inclusive no campo digital;
7) Estado descentralizado: A dimensão territorial do atual estado do Pará, e as dificuldades de acesso a todos os locais que precisam da presença do Poder Público, são características típicas da Amazônia, que justificam a necessidade de maior presença dos governos junto às populações. O estado do Pará tem se mostrado ineficaz neste e em outros itens relativos a sua institucionalidade. Buscamos a emancipação para termos um estado mais presente, e no qual a população possa estar atenta e vigilante, evitando que se consolidem os problemas que hoje combatemos, cuja solução passa pela adoção de políticas que considerem as demandas de todo o Estado, e não apenas em benefício de grupos políticos e econômicos da capital.
Pelas razões expostas, e em sintonia com a luta dos que nos antecederam nesta esperança, assumimos o compromisso de defender a bandeira do Estado do Tapajós, reconhecendo que se trata de uma aspiração coletiva, legítima, tecnicamente viável e socialmente justificada.
Santarém, Tapajós, novembro de 2011
Assinam este Manifesto:
Presidente do Diretório Municipal do PC DO B
Presidente do Diretório Municipal do PC DO B (Belterra)
Presidente do Diretório Municipal do PC DO B
(Mojui dos Campos)
Presidente do Diretório Municipal do PTN (Santarém)
Presidente do Diretório Municipal do PTN
(Mojui dos Campos)
Presidente do Diretório Municipal do PTN (Uruará)
Presidente do Diretório Municipal do PTN (Belterra)
Presidente do Diretório Municipal do PRP
Presidente do Diretório Municipal do PRTB
Presidente do Diretório Municipal do PPS
Presidente do Diretório Municipal do PR
Presidente do Diretório Municipal do PT
Presidente do Diretório Municipal do PMDB
Presidente do Diretório Municipal do PHS
Presidente do Diretório Municipal do PSDB
Presidente do Diretório Municipal do PDT
Presidente do Diretório Municipal do DEM
Presidente do Diretório Municipal do PMN
Presidente do Diretório Municipal do PRB
Presidente do Diretório Municipal do PSB
Presidente do Diretório Municipal do PV
07.12 – Sim tapajós ganha direito de resposta
A assessoria jurídica da Frente do SIM Tapajós conseguiu liminar junto ao TRE, para recuperar os espaços concedidos ao governador Jatene em seus programas de ontem e hoje.
A liminar garante a devolução do tempo, mas como hoje é o último dia de campanha, deverá haver TEMPO EXTRA SOMENTE PARA O SIM, amanhã e depois!!!!
Nesse momento, está havendo uma reunião do pleno do TRE, para confirmar a decisão liminar. Busquem informações no site do TRE.
Estado do tapajós sustentável com campanha a favor das hidrelétricas no rio xingu e tapajós?
Sr. Chico, gostaria de informar que a hidrelétrica no rio Xingu é uma obra do governo federal.
Não cabe ao Estado se responsabilizar por essas construções.
Portanto , não cabe o Estado do Tapajós se responsabilizar pela Hidrelétrica de Belo Monte.
No próximo domingo vamos dizer SIM.
77 e 77
concordo. mas as hidrelétricas, assim como os outros modelos de grandes projetos para Amazônia (e extremamemnte danosos às suas populações locais e recursos naturais, como se sabe) estão sendo defendidas pelas frentes contra e a favor como sinônimo de riqueza e pontos favoráveis para seus projetos. Como diminuir as desigualdades das regiões se apostam no mesmo projeto?