por Karlisson Éder da Cunha Lima, especial para o Blog do Jeso (*)
Em meio a essa polêmica do governo federal em obrigar os médicos recém formados a trabalhar dois anos no interiores e periferias, gostaria de esclarecer a população sobre a existência de um profissional raramente conhecido, que é o médico de Família e Comunidade.
Esse médico possui treinamento direcionado ao atendimento nas Unidades Básicas do SUS. Ele consegue, junto a uma boa equipe, dar RESOLUTIVIDADE a quase todas as demandas existentes, já que ele atua de forma generalista e integral.
Desta forma, é possível solucionar os problemas mais frequentes de todas as especialidades médicas, como por exemplo: Depressão (Psiquiatria), Obesidade (Endocrinologia), Artrose (Reumatologia), dentre outros, assim como realiza com qualidade o atendimento aos programas do Ministério da Saúde.
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O ideal é que todas as Unidades de Saúde tenham esse profissional, a exemplo do Canadá e da Inglaterra, porém, infelizmente essa não é a realidade nacional. Isso porque os recém formados não manifestam interesse por essa área da medicina devido as péssimas estruturas de trabalho encontradas na maioria dos postos de saúde.
Os jovens médicos não ficam atraídos por condições desestimulantes, onde faltam remédios, equipamentos, laboratórios e sem a garantia de uma carreira de estado ou de progressão salarial, assim como acontece com os juízes e militares.
Cabe então aos possíveis talentos a “Médico de Família” a optarem por outras especialidades que permitem o exercício medico acima de tudo na rede privada.
Para acabar de piorar essa situação, o Ministério da Saúde resolve estabelecer que os recém formados são obrigados a prestar serviços de assistencialismo médico nos postos de saúde do interior. De fato, isso não ira resolver os problemas crônicos estruturais da atenção básica do SUS, já que destinar um médico para um posto onde faltam remédios, exames e profissionais, é o mesmo contratar um cozinheiro para um lugar onde não tem fogão, panelas e alimentos.
Portanto, a solução é simples: vamos equipar os postos de Saúde e oferecer o tão sonhando plano de carreira aos profissionais da atenção básica. Desta forma, os recém formados terão interesse e orgulho de atuar como MÉDICOS DE FAMÍLIA no SUS, viabilizando assim um assistencialismo de qualidade aos mais distantes interiores deste país.
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* Médico, reside em Santarém.
Médico da Família: solução para Saúde pública : Blog do Jeso , es interesante, desde que os recibo no puedo parar de mirar todas vuestras sugerencias y me alegra cuando recibo uno más, sois lo mejor en español, me encata vuestra presentación y el curre que hay detrás. Un beso y abrazo,GRACIAS POR VUESTRO TRABAJO, nos alegrais la vida.
Sou médico graduado da 2a turma de Medicina da UEPA-Campus de Santarém. Atualmente, sou residente de Medicina de Família e Comunidade, em Santarém, que tem como unidade polo a UBS de Alter do Chão.
A medicina de família vai além de uma prática profissional; ela se apresenta como uma filosofia de vida. O médico de família atua primariamente no SUS, como mencionou Dr. Karlisson, resolve até mais de 90% de todos os problemas que os pacientes lhe trazem. Na maioria das vezes, não precisamos de exames laboratoriais ou de imagem. Quando solicita, não o faz de maneira exagerada. Financeiramente, essa especialidade não é atrativa a nenhum recém formado em medicina.
Sou natural de Alenquer, sempre estudei em escola pública (em Alenquer), bebo água que o ribeirinho bebe (a água de pote é a melhor que existe), como chibé. Tenho convicção da qualidade de meu atendimento e do quanto vou evoluir enquanto profissional e ser humano com essa especialidade médica. Reconheço todos os anseios por melhor assistência à saúde da população. Entretanto, o caminho proposto pelo governo federal, não é o ideal.
É preciso valorizar profissionais com perfil específico para atuação na atenção básica e despertar nos acadêmicos a certeza de o trabalho na atenção básica será reconhecido. São exemplos de médicos com este perfil, Dr Fred de Alter do Chão, Dra Mariana Neves (R2 de Medicina de Família), Dr. Valter Sinimbu, Dra Zilma Pimentel. Eles conhecem pelo nome e sabem onde mora grande parte de seus pacientes
Não vejo perspectivas de valorização por parte do governo dos profissionais de enfermagem, cabendo aqui mencionar as equipes de Alter do Chão, Caranazal e Maracanã. Isso é uma injustiça!
Por que o governo não vinha discutindo amplamente esses programas durante as conferências municipais, estaduais e nacionais de saúde?
No mínimo, a população deve olhar com desconfiança e fiscalizar se realmente haverá melhorias no atendimento à saúde, com a vinda de médicos não comprometidos com a realidade local, CASO esses programas sejam constitucionais e legítimos (o que não me parece).
Uma pergunta aos médicos/as patricinhos/as? vocês beberão da agua que bebem os ribeirinhos? comerão o chibé que eles comem ?.dúvido.já presenciei muitos médicos torcerem o beiço e se desculparem, quando lhes é oferecido de bom agrado o que estes tem em suas casas. ja ví inclusiive médicos se banhando com águá mineral, e cagando em sacos para não ter que ir ao sanitario.puro nojo.puta falta de respeito. e o juramento de vocês hem?
Meu caro DOUTOR, se querem os mesmos direitos da carreira de Juizes, Procuradores e Delegados Federais, vossas senhorias, os DOUTORES, não poderão exercer o mister privado, assim como os citados acima estão impedidos de exercer.
Fico perplexa de ver a resistência dos médicos contra essa nova política de governo que somente vem beneficiar a população brasileira, especialmente, os usuários do SUS. Menos egoísmo senhores, a saúde pública precisa de médicos compromissados com a nação. isso não fere direitos e nem deve ser motivo de uma guerra estúpida. A proposta é muito boa, vamos experimenta-la e tirar o máximo proveito, pois objetiva melhorar esse sistema tão cheio de mazelas e diminuir um pouco o sofrimento do povo.
Gracilene, não é resistência, mas sim queremos os mesmo direitos de Juizes e militares. Quando outras profissões vão pro interior, existe um progressão salarial, com uma garantia de carreira.
Porém, o que querem fazer com os médicos? Mandarem eles com a mão na frente e outra atras. Assim não pode!!!!
Agora é a hora de saber qual o comprometimento desses médicos com a saúde e com sociedade?Afinal todos nós cidadãos contribuímos diretamente para que esses profissionais cheguem onde estão.O caso é que a maioria deles esquecem disso e cuidam logo de fazer suas clinicas e cobrando consultas à preços exorbitantes de pacientes.
Mais um sinal de falta de compromisso fizeram inscriçao em massa para depois quem sabe esvaziar o programa do Mais medico para a populaçao Brasileira.Concordo com os direitos dos individuos, mas todos devem lembrar dos direitos humanos.Sem querer generalizar hà medicos que ganham duas vezes do mesmo paciente consultando particular e pelo sus.Quem dera outras categorias do setor público ganhando igual a um médico?Especialmente a dos professores formam todas as categorias e sao pouco valorizados.Tá na hora deles repensarem suas ações e decisões.
Dr. Karlisson, vc sabe que médico no Brasil é artigo de luxo. Além de tudo o povo morre pela sua ausência. Que venham os cubanos, portugueses, franceses ou contrata- se pais de santos. Pior do que tá não fica!!!!
Ser doutor é mais fácil que ser médico.
“O programa “Mais Médicos”, lançado pela presidente Dilma Rousseff, não vai resolver o problema do Sistema Único de Saúde (SUS). Mas pode, sim, ser parte da solução. Ou alguém realmente acredita que colocar mais médicos nos lugares carentes do Brasil pode fazer mal para a população? Sério que, de boa fé, alguém acredita nisso? A veemência dos protestos contra o projeto de ampliar o curso de medicina de seis para oito anos e tornar esses dois últimos anos um trabalho remunerado para o SUS revela muito. Especialmente o quanto é abissal a fratura social no Brasil. E o quanto a parte mais rica é cega para a possibilidade de fazer a sua parte para diminuir uma desigualdade que deveria nos envergonhar todos os dias – e que, no caso da saúde, mata os mais frágeis e os mais pobres…
…Enquanto sobrar distorções e faltar dinheiro, o SUS não vai melhorar. Não vai mesmo. Neste sentido, tem razão quem afirma que o programa “Mais Médicos” é demagogia. Mas apenas em parte.
Acrescentar dois anos ao curso de medicina e tornar esses dois últimos anos um trabalho remunerado no SUS, uma das mudanças previstas para iniciar em 2015, pode ser um aprendizado. E rico. Não só da prática médica como da realidade do país e da sua população, o que não pode fazer mal a alguém que pretenda ser um bom médico. Para que isso funcione, tanto como formação quanto como atendimento de qualidade à população, é preciso que exista de fato a supervisão dos professores e das faculdades. E essa é uma boa causa para as entidades corporativas e para as escolas de medicina.
Hoje, um dos problemas do SUS é a fragilidade da atenção básica: o que poderia ser resolvido nos postos de saúde ou pelo médico de família e que consiste em cerca de 90% dos casos acaba indo sobrecarregar os hospitais, que deveriam ser acionados apenas para os casos mais graves. A distorção provoca problemas de atendimento de uma ponta a outra do sistema. Por outro lado, entre os avanços mais significativos do SUS está o Programa Saúde da Família (PSF), um dos principais responsáveis, junto com o Bolsa Família, pela redução da mortalidade infantil no país. Mas faltam médicos para esse programa. A atuação dos estudantes de medicina poderá fazer uma enorme diferença. E isso não é pouco num país em que os filhos dos pobres ainda morrem de diarreia e de doenças já erradicadas nos países desenvolvidos.
A obrigatoriedade de trabalhar dois anos no SUS tem sido considerada por alguns setores, como as entidades corporativas, uma violação dos direitos individuais do estudante de medicina. Será que não poderia ser vista, além de um aprendizado, também como uma contrapartida, especialmente para quem estudou em universidades públicas ou foi beneficiado com bolsas do Prouni? O Estado, o que equivale a dizer toda a população brasileira, incluindo os que hoje não têm acesso à saúde pela precariedade do SUS, financia os estudos desses estudantes. Não seria lógico e mesmo ético que, ao final do curso, os estudantes devolvessem uma mínima parte desse investimento à sociedade? Para os estudantes das escolas privadas, o projeto prevê a liberação do pagamento das mensalidades nestes dois últimos anos. Mas sempre vale a pena lembrar que também há financiamento público das particulares, na forma de uma série de mecanismos, como renúncia fiscal para as filantrópicas e para as que aderiram ao Prouni.
Os estudantes de medicina serão remunerados pelo trabalho e pelo aprendizado. O valor mensal da bolsa ainda não está definido, mas a imprensa divulgou que será algo entre R$ 3 mil e R$ 8 mil. Ainda que seja o menor valor, que outra categoria no Brasil pode sonhar em ganhar isso antes mesmo de se formar? E mesmo depois de formado? Por que, então, uma resistência tão grande? ….
Segue link do artigo completo:
https://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/eliane-brum/noticia/2013/07/ser-bdoutorb-e-mais-facil-do-que-se-tornar-bmedicob.html
Medico de Família é mais uma boa opção para melhorar o atendimento aos usuários do SUS.
É um sistema que existe no mundo todo, implantado de formas variadas, menos que no Brasil.
Na Itália por exemplo todo medico é obrigado a atender (pago) pelo SUS durante uma parte de seu tempo de trabalho. O SUS disponibiliza uma lista e o usuário pode escolher seu médico de Família de acordo com a disponibilidade e a confiança. Se não der certo, troca-se.
Aqui no Brasil esse serviço não existe e mesmo existisse não teria médicos suficientes.
Os poucos médicos preferem atender o “publico” $ó no ‘privado’. Ou escondidos atrás das “maquinas de media e alta complexidade” dos hospitais ou de suas clinicas particulares.
A diferença entre os médicos de família e os demais é a mesma entre o fazendeiro e o trabalhador rural.
O fazendeiro não suja as mãos na terra, nem suas botas. Ele só desce da camionete para relaxar no sitio e saborear um churrasco preparado pelos seus serventes. Quem trabalha por ele são as maquinas e alguns piões. Sua relação com a terra é meramente cartorial, mediada pelas maquinas, os pioés e os defensivos químicos.
Pelo contrario, o trabalhador rural mexe na terra e suja as mão, e trabalha nela feito um doido para colher seus frutos. Ele tem uma relação física, direta, com a terra, uma relação de conhecimento profundo, amor e suor.
A moral da historia é que falta medico no certame, e mesmo o governo importando de fora, ainda assim continuará faltando durante uma década.
Não há milagre para se fazer mas o Governo está no caminho certo
O caminho é tortuoso, mas o futuro é radioso.
Tiberio Alloggio
Não está faltando médico, falta é o governo fazer a sua parte : dar estrutura total, bons salários, isso sim desperta a vontade de vir para a periferia, quem vai querer vir para o interior sabendo de que fartatudo ? vejam as escolas caindo aos pedaços, aulas sendo ministradas embaixo de árvores, enquanto os políticos tem cincoenta assessores e todos com altos salários, porque essa discriminação ? Quando os gringos verem a realidade vão voltar no mesmo barco. Lembram da novela Salve Jorge ?