Albenor na época do crime, em 2003
por Apolinário (*)
O sol definitivamente foi embora, escureceu o suficiente para a noite servir de incentivo maior para ocultar o cadáver. Albenor, muito tenso, irritado e sem um mínimo de equilíbrio para pensar direito em como fazer melhor o que pretendia, sabia apenas que era tarde demais para chamar a polícia e muito cedo para abortar a missão de sumir com o corpo.
Esconder o corpo de Galinha Preta era a única chance que Albenor tinha de mantê-lo vivo para os outros mortais do mundo. Assassinos que ficam com o cadáver normalmente agem assim para manter a vítima viva para o público, parentes e amigos, para que pensem que a vítima está apenas desaparecida.
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E por quanto mais tempo ocultam o cadáver, melhor para a polícia descobrir, principalmente quando ela envaidece o assassino; basta apenas divulgar que a polícia acredita que o crime foi cometido por alguém de outro lugar. Assim, o criminoso vai se sentir lesado por terem tirado a autoria dele. Logo irá dar um jeito para se revelar, para mostrar que o autor daquele crime tão bonito, tão bem feito é ele.
Jogar com a vaidade e a autoria do assassino são as últimas cartadas que a polícia tem para driblar as mentiras e chegar até as verdades. A mentira esclarece a verdade.

Albenor achou necessário colocar um capuz em Galinha Preta por se sentir incomodado com o seu rosto de olhar entreaberto, como se testemunhasse seu próprio assassinato e ainda pudesse esboçar, a qualquer momento, uma reação de defesa. Ele não suportou encarar a face de sua vítima.
Era a testemunha verdadeira e maior de todos os detalhes do que aconteceu, e sempre que levava o corpo de um lado a outro dava a impressão de que Galinha Preta estava ali olhando com denúncia de dor. Por isso decidiu, também, amarrar braços e pernas. E o tempo todo conversava transtornadamente com a vítima:
– A Nely ainda me avisou que tu eras problemático! A Nely me disse e eu não obedeci! Me diz, cara, agora, o que é que eu vou fazer da minha vida! Me ajuda, porra! Me deixa em paz! Paga o que me deve e vai embora! Eu tinha outros planos para o dia de hoje. Por que tu vieste mudar essa droga?? Mas eu não vou cair, tu vai te fuder sozinho! Tu vai sumir e ninguém vai te achar! Vai embora! Sai da minha casa!!
Absolutamente em nervos, Albenor continuou monologando em desabafo e, ao mesmo tempo, preparando tudo para levar o corpo de Galinha Preta de carro até o posto de sua propriedade onde havia um poço desativado. Com os pertences que portava nos bolsos, Galinha Preta foi jogado no poço na noite de 27 de setembro de 2003.
Com uma carregadeira, Albenor foi aterrando com sobras de construção, pedaços de cantoneira e chapas de ferro, engrenagens de motores, diferencial de caminhão e muita piçarra e pedras até encher todo o poço e ainda passou com o trator várias vezes por cima para ficar bem compactado e, em um estado de loucura, ter toda a certeza de que Galinha Preta não sairia mais dali.
Quando as lâminas, pedaços de chapa de ferro iam caindo sobre o corpo deixavam golpes e perfurações pelos braços, mãos, pernas e orelhas. Isso fez a polícia interpretar que tentaram se livrar do corpo por pedaços, não conseguiram, desistiram e jogaram no poço. Mas os golpes eram brutais demais, não pareciam ter sido feitos por faca afiada, eram golpes rasgantes e sem coordenação motora humana. A polícia insistiu, divulgou, mas nenhum perito quis atestar essa tese.
Um grande tumulto se deu para as bandas de Santarém. Familiares, amigos, polícia, grupos de oração, propostas de procuras e propostas de recompensas para quem pudesse dar uma informação de por onde se encontrava Raimundo Messias de Sousa.
Sua mãe, Dona Eva, apoiada pelas forças das orações que fazia em prol do aparecimento, também foi buscar recursos no Paraná de Óbidos com um vidente, que disse a ela:
– Seu filho está morto e está enterrado além de sete palmos.
Isso contribuiu bastante, pois quando o delegado Jamil Casseb e o ainda investigador Sílvio Birro chegaram a Itaituba, no outro dia, já sabiam que o corpo de Galinha Preta estava sepultado em um poço em uma área da Cidade Alta. Difícil era saber em qual deles, pois em Itaituba o que mais tem é poço.
Jamil, com toda a sua perspicácia, manha, técnica e exatidão, delegado de primeira linha, preparado para diligência, não suporta ficar esquentando cadeira de gabinete. Todos os casos que pega resolve antes do tempo previsto. Sério, honesto, ético, disciplinado e muito bem à vontade para trabalhar em qualquer caso por não ter o rabo preso com ninguém, muito bem acompanhado pelo talentoso Sílvio Birro, arregaçaram as mangas e foram à luta, analisando as informações daqui e dali, comparando verdades com mentiras, checando todas as possibilidades e questionando a própria polícia do lugar, pois ficaram sabendo que o delegado Mascarenhas teria alertado Albenor de que policiais de Santarém estariam chegando a Itaituba para prendê-lo.
– Albenor, te manda que o delegado Jamil, Sílvio Birro e outros policiais estão vindo aí para te pegar! A casa caiu!
E quando Jamil e Birro já estavam bastante adiantados nas investigações, com tudo pronto para darem o bote, o delegado da política maior da polícia, Gilberto Aguiar, recebeu de presente o caso. Ficou na mídia como o magnífico das investigações.
Como toda e qualquer instituição, associação, grupo de amigos tem suas picuinhas, na Polícia Civil de Santarém não é diferente; é um derruba para cá, sacode para li e um cai para lá, mas na hora do vamos ver, todo mundo se dá as mãos desde que o mérito de tudo fique para um só.
O corpo de Galinha Preta foi encontrado dia 15 de novembro, feriado em Santarém, e foi sepultado legal e religiosamente no dia seguinte.
Obs.: No próximo episódio, a fuga de Albenor e a prisão dele em Belém e os detalhes de como a polícia chegou até ele.
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* Santareno, é artista plástico e articulista do blog.
Jamil: iniciou as investigações
Birro:
advaldirfontes@hotmail.com
conta logo o fim !
So não entendo uma coisa seu Apolinário, porque que nas noticias dos jornais falão que: o Lobo o Fabricio e o Amoroso forão parceiros de albenor no crime, ou melhor, forão os executores
e na sua história muito bem bolada por sinal, eles ficam apenas como coadjuvantes, será que você não está puxando muito a favor do criminoso, que por algum motivo ele preferiu assumir o crime sozinho ?
seu apolinario, me diga q delegado nao tem o rabo preso com alguem na policia do para ???
Gostaria de saber, quanto você está ganhando do delegado Jamil para fazer toda essa mídia favorável a ele ? Fora essa puxação, está muito bem feita a sua crônica ! Parabéns
vc quer ajudar o apolinario a gastar o dinheiro ?
falou e não disse nada esse tal de Brito Carvalho
Muito interessante essa historia, bem contada, mas tambem acho muito macabra! Este delegado Mascarenha é realmete cheio de esquema , por isso que o caso não andava e só pegaram o criminoso por que entrou a policia de santarem. Mas não acho que o delegado Jamil seja tudo isso ai de bom que você falou, acho que você fez isso para poder bater no gilberto aguiar.
Vamos aguardar o final dessa historia aterrorizante @#$%@$#%$¨%@!#$