O obscuro futuro do povo brasileiro e de sua quase democracia, Moro e Doria nos EUA

Sérgio Moro e João Dória em evento recente nos EUA

por Paulo Cidmil (*)

Os algozes de Lula estavam em crise de ansiedade para vê-lo preso com grande estardalhaço midiático. Ver o “criminoso” exposto em rede nacional. Os otimistas acreditam que seria o golpe final no seu favoritismo, os realistas sabem que Lula vence as eleições e o querem fora do páreo, não importa os meios.

O arranjo feito em 2016 para tirar Lula da eleição de 2018 (o que incluiu um julgamento em prazo recorde) fez água. A sede vingativa, a ânsia por holofotes e quem sabe programa, segundo Tacla Duran, saiu do controle, e o MPF e Sergio Moro são um bonde sem freio, babando ódio contra a classe política.

Assim as prisões perigam se generalizar e já está pegando muita gente além das fileiras à esquerda.

O sistema de compadrio secularmente operado por nossas elites políticas e econômicas, que nunca incluiu sindicalistas, se rebelou.

Para eles, democracia só é saudável se estão no comando, se ditam as regras e se desfrutam das melhores ou todas as partes do bolo.

Esse sistema político forjado no patrimonialismo, na compra de votos, na consolidação de bancadas conservadoras como as da bíblia, do boi, e da bala, que visa objetivamente a captura do Estado e apropriação de seu orçamento, sentiu-se duplamente ameaçado.

Primeiro por uma presidente que não rezava na cartilha deles e não aceitou a agenda que tentaram lhe impor. Então executaram o plano que já estava traçado caso Aécio perdesse as eleições. Sabotaram todas as suas propostas de governo e forjaram um impeachment, que a depôs.

Agora se sentem ameaçados pelos “cruzados” da lava jato. Que parece, estão articulados a interesses bem maiores que os da classe política nacional. Camuflados por trás de discursos anticorrupção e suas 10 medidas, algumas autoritárias e anti-cidadã.

Assim, a prisão em segunda instância, que atendia a todos os requisitos do golpe, não interessa mais. A lava jato foi longe demais. Começou a sonhar em ser o legislativo, já sendo o judiciário. E quem sabe vir a ser o executivo. Eleitos, após destruírem toda a classe política.

Só não contavam com a brava resistência de Lula e o quanto ele fala á alma do povo brasileiro.

O espectro político que realizou o golpe agenciou interesses muito além de suas fronteiras. Entregou o pré sal, destruiu o programa nuclear brasileiro, vendeu a indústria aeroespacial, quer vender todo o sistema elétrico nacional, quebrou as 8 maiores empresas de engenharia pesada e estão dilapidando a Petrobras em fatias.

Extinguiram garantias trabalhistas, agenda da Fiesp; mudaram a legislação ambiental e avançam para extinguir direitos dos povos indígenas e quilombolas, agenda do agronegócio. Cumpriram com toda a agenda neoliberal. Agora estão virando bucha.

Os agentes dessa ação antinacional, que nos encaminha para um novo período colonial, terão suas recompensas como bons cucarachas subservientes. Todo o resto, que somaram votos no Congresso, em troca de pilhagem na forma de cargos, diretorias, emendas, fundo partidário, e outros arranjos, dando ar de legalidade ao golpe, serão entregues à fogueira inquisitória da lava jato.

Esse fato os coloca de cabelo em pé. Se antes só o PT e partidos à esquerda bradavam por legalidade denunciando os abusos da lava jato e a não observância da legislação brasileira. Agora começam pressões de outros setores junto ao Supremo, para reverter a prisão em segunda instância, conforme determina a Constituição Federal.

Só agora a baixa classe política esta percebendo que foi bucha de manobra nas mãos dos verdadeiros operadores do golpe no Congresso: a cúpula do PSDB, que sutilmente colocou a gangue de Michel Temer na linha de frente. Há uma triangulação PSDB-judiciário-interesses estratégicos americanos e de corporações transnacionais.

Houve uma convergência de interesses internos e externos que patrocinaram o golpe parlamentar. Dele participam as cortes superiores do judiciário, por omissão, o STJ na dobradinha com o personagem central na arquitetura do golpe, o juiz Sergio Moro.

Essa engenharia do judiciário só seria possível no Sul do País. Eles estão inovando na arte de cagar na Constituição Federal e no Código Penal Brasileiro. Reescrevendo-o à sua maneira.

Sergio Moro, junto com MPF de Curitiba e sua força tarefa, pela estreita relação que mantém com órgãos de Estado Americanos, devem ter recebido informações privilegiadas do serviço secreto yankee. A wikileaks denunciou escutas realizadas sobre toda a diretoria da Petrobras, a Presidência da República, ministros de estado e estatais de energia. Pergunto-me: será que andaram espionando a nossa Suprema Corte.

A lava jato foi ferramenta letal na destruição de um governo com quatro mandatos eletivos, que implementou política de conteúdo nacional, o marco regulatório do petróleo e articulava um novo bloco político-econômico com estratégias de desenvolvimento para America Latina, África e Ásia, forçando um novo equilíbrio de forças na geopolítica mundial e nas relações comerciais. Com proposta de realizar as transações comerciais dentro do bloco,na própria moeda e não em dólar.

No Brasil, a banana esta comendo o macaco. Os meninos escolhidos e treinados nos EEUU para combater a lavagem de dinheiro são só holofotes. Vão a público, em rede nacional, desautorizar, repreender, sugerir, criticar, convocar e mobilizar a opinião pública contra a classe política, fazer pressão sobre as instâncias superiores e execrar quem mais ouse criticar a sua volúpia autoritária. Uma gritante exacerbação de funções. As instâncias superiores até o momento dizem amém.

Em nenhum momento pensaram em fazer justiça protegendo a indústria, as empresas e os empregos dos trabalhadores do país? Para eles, trabalhador, povo, nação são apenas um detalhe insignificante na sua sublime missão purificadora.

A mídia ressoa em seus autofalantes que a lava jato já repatriou dois bilhões de reais e deverá recuperar 12 bilhões aos cofres públicos. Mas os acordos de leniência, espécie de delação premiada das empresas, realizaram revisão nos valores das multas que tinham estimativa de arrecadar oito bilhões, agora a previsão é cerca de 900 milhões.

Técnicos da FGV estimaram, só para 2015, perdas na economia em torno de 85 bilhões, como consequência direta da lava jato. A quem interessa essa quebradeira e a venda, a preço de banana, de importantes ativos para nosso desenvolvimento?

Se a corrupção é sistêmica, como quase todos os pesquisadores atestam, seria o judiciário um oásis de virtude e honestidade? Se todos chafurdam na lama por que será que a justiça é tão seletiva?

Só há uma resposta plausível: O judiciário é parte essencial do golpe.

Sergio Moro, como ícone da nova ordem estabelecida no país, precisa nos responder perguntas que nenhum jornalista da grande imprensa ousa perguntar.

Manifesto aqui algumas que estão sem resposta: quais acordos de cooperação foram feitos com o governo americano, com quais instituições e órgãos e por que foram realizados (se foram) sem a anuência do STF e Itamarati?

Por que Tacla Duran afirma que as planilhas da Odebrecht foram adulteradas no âmbito da lava jato. E denuncia que o escritório de advocacia de Carlos Zucolotto e da mulher de Sergio Moro, Rosangela Moro (que se retirou da sociedade antes da bomba estourar), propôs acordo de delação com acerto de pagamentos por baixo dos panos?

Os mesmos acordos que irão livrar todos os grandes empreiteiros e suas fortunas e enriquecer advogados de bancas de Curitiba. Assim como Alberto Youssef já goza férias, após ser condenado a 78 anos e ter a pena reduzida a pouco mais de dois anos com seu acordo de delação. Ou seria acordo delituoso?

O juiz tem afirmado que os acordos de delação não têm sido questionados em instâncias superiores. Pergunto: por que nos acordos de delação sob seu juízo o réu é solicitado a abrir mão de qualquer contestação. Sendo esta, uma condição imperativa para estabelecer o acordo?

Apesar de legal, se ele não acha indecoroso e moralmente condenável, receber auxilio moradia, possuindo imóvel próprio há muitos anos em Curitiba?
Se ele pretende estabelecer no país um novo código penal, onde o ônus da prova cabe ao denunciado e a prova material deixa de ter importância primordial, sendo a narrativa que convirja para um entendimento lógico, junto com a palavra de um delator, conjunto probatório suficiente para condenar um réu?

Qual a origem de sua afinidade com lideres do PSDB como Aécio, Dória, Alckmin e Pedro Parente?

São muitas as perguntas que ninguém na grande imprensa ousa fazer.

Há um coro uníssono de silêncio e um afagar constante a inflar seu ego e incensá-lo como a divindade da justiça nacional. Ele não pode ser questionado sequer por instâncias superiores. Logo uma legião se manifesta em editorias nos grandes jornais e TVs, em sua defesa. A grande mídia é sua principal blindagem.

É na mídia corporativa que se instauram tentáculo midiático do golpe.

Não há novidades nesses tempos de incertezas que se abate sobre a maioria do povo brasileiro. A mídia corporativa é parte da elite econômica. Assim como a maioria dos membros do judiciário são os seus bem nascidos filhos.

Partilham da mesma intolerância quando o assunto é uma sociedade igualitária, com maior distribuição de renda e oportunidades iguais para todos. Odeiam as cotas e defendem a meritocracia, fingindo não ver a abissal e histórica assimetria nas condições para o acesso. É tudo deles.

Aceitam fazer caridade, mas não aceitam conviver com uma sociedade cidadã onde os pobres tenham direitos iguais aos seus e mereçam políticas compensatórias que estimule o acesso aos desiguais nas oportunidades.

Nossas elites ruminam um sentimento escravagista de fácil percepção no dia a dia. O Brasil é a única sociedade moderna do ocidente cuja elite vive cercada de serviçais: porteiros, copeiros, arrumadeiras, faxineiras, babás, seguranças, motoristas, cozinheiras. Uma cena que bem ilustra nossa estratificação e desigualdade social.

Diferente do mundo desenvolvido, aqui, esses são trabalhadores de baixíssima remuneração, muitos com direitos trabalhistas adquiridos nos últimos anos. E que foram para o espaço na recente reforma trabalhista.

Como vetores da ideologia dominante, nossas elites disseminam o sentido de prosperidade e ascensão social que contamina toda a classe média. No Brasil uma das formas de identificar ascensão social é o numero de serviçais trabalhando para a família.

Aqui se o sujeito prospera e tem elevada sua renda familiar, a primeira providencia é contratar uma “empregada”. É quase uma ostentação. Daí vem uma das ilusões da classe médiaem se perceber como elite. O que os transformou em patos amarelos nas manifestações Brasil afora.

O golpe que incinerou mais de 54 milhões de votos, teve a patética participação do legislativo (sob o controle do PSDB) e a sutil e dissimulada participação do judiciário. Mas não seria possível sem a estratégica participação dos meios de comunicação.

A horda de letrados a serviço das corporações midiáticas como os Mitre, Rossi, Cantanhêde, Merval, Sadenberg, Noblat, Miriam, Nêumanne, Jabour, Wack, Nelson Mota, Sherezade, Alexandre Garcia e muitos outros repetidores, se revezam na mentira repetida, para que se torne verdade.

Mentes colonizadas, subservientes, preocupados com a garantia de seus empregos e a vã notoriedade que os faz capachos de um sistema econômico opressor e inimigo do povo pobre e trabalhador brasileiro.

É na mídia corporativa, através de seus bonecos de ventríloquo que viraliza a narrativa para o desmonte do Estado como uma necessidade básica ao desenvolvimento e à prosperidade geral. É ems eus editorias que reverbera o veneno punitivo contra políticas de inclusão.

Emudeceram, e quando se manifestaram foi de forma pífia visando minimizar a importância de uma articulação política da magnitude do Brics. Ao mesmo Brics deram pauta com a ascensão de Michel Temer, vergonhosamente rejeitado em todos os encontros do grupo.

As propostas econômicas do governo Dilma para o enfrentamento da crise eram remédio vencido. As mesmas medidas no governo do presidente Nosferatu tornaram-se solução. Os índices econômicos de Dilma eram pibinho, índices inferiores no governo da pilhagem do patrimônio nacional e usurpação de direitos dos trabalhadores são aclamados como retomada do crescimento econômico.

Bostejam suas análises parciais, tendenciosas, que atendem aos interesses do mercado. Esses não podem ser contrariados.

Especuladores, bancos, agronegócio, empreiteiras, Fiesp não aceitam mudanças de regras, como a redução de seus lucros e privilégios.
Afinal são eles que patrocinam as campanhas, logo, são os donos dos mandatos. Se o mandato credencia o indivíduo eleito a gerir o Estado, é elementar que o Estado lhes pertence, pois o eleito lhes pertence. É assim que funciona. É o dinheiro que opera os partidos, e não o contrário.

Mas tentam nos fazer crer que a ardilosa e corrupta classe política vive a achacar inocentes empresários e executivos de grandes corporações, donos de bilionários empreendimentos, com interesses insaciáveis no orçamento do Estado. Muitos políticos certamente são corruptos, mas via de regra atuam como funcionários desses ingênuos mecenas que botam dinheiro em partidos de A a Z, com raras exceções.

Para a mídia corporativa, políticos mentem, delatores de grandes empresas interessados em redução de penas e multas falam a verdade. Mesmo que não apresentem provas materiais. Para Sergio Moro também é assim.

Chegaram a absurda inversão ao tentar convencer a população que Luiz Inácio Lula da Silva pretendia ter um tratamento diferenciado, que o preserve de julgamentos como se fora um cidadão acima da lei. Quando Lula reclama de um julgamento injusto, cujo argumento para sua condenação se fundamenta em interpretação e não provas matérias. Também denuncia o cerceamento de defesa e arbitrariedades no decorrer de todo o processo, incluindo o fórum de origem.

Nunca tivemos no Brasil um presidente que mais buscou estender direitos, cidadania e igualdade a todos.

Foram Lula e Dilma que removeram os arreios da Policia Federal e MPF, lhes dando autonomia e orçamento para realizarem seu trabalho.

Tentaram nos fazer crer, junto com o MPF e Sergio Moro, que Lula é o grande chefe de uma organização criminosa e o pai da corrupção. Foram centenas de km de textos para demonizar e desmoralizar Lula, Dilma e seu partido. Mas o povo, mesmo com todas as manobras que o desinformam, desconfia.

Como pode o chefe da maior organização criminosa do país ter-se corrompido em troca de apartamento em um prédio comum, localizado em balneário popular. E ter recebido reformas em uma chácara em lugar não menos desprestigiado e desvalorizado.

Podemos dizer que corrupto é o Sergio Cabral, que acumulou bens valiosos e teve identificado mais de 300 milhões em seu poder e de assessores. Lula sequer tem em seu nome ou de seus familiares sítio ou triplex. Sergio governou o Rio, Lula o Brasil. Que chefe e mentor de organização criminosa, seria Lula?

Não é a corrupção a razão de uma intervenção parlamentar e judicial golpista que mudou os rumos do país para pior, do ponto de vista do povo brasileiro. Ela é o mantra repetido incessantemente nos ouvidos dos movimentos moralizantes que derrubaram um governo eleito. Ela é o cavalo de batalha de uma elite corrupta,que não abre mão de sua rapinagem.

Se a compra de votos é um atentado à democracia, o que seria a informação manipulada nos veículos de massa, feita por corporações em redes de rádios, Tvs, revistas, jornais e portais na internet.

O país precisa de uma legislação democrática que regule as corporações midiáticas. De uma maior tributação sobre o capital especulativo e grandes fortunas. De uma reforma tributária que desonere o consumo. De uma reforma política que extinga a ciranda de partidos. Dar continuidade a políticas de inclusão como forma de combate as desigualdades.

De uma legislação que proteja o patrimônio nacional, o que inclui as grandes empresas estatais e privadas, contra a rapinagem das corporações transnacionais, que atuam protegidas por seus respectivos governos.

Há no horizonte um obscuro futuro. Prenuncio de maldita opressão sobre o povo brasileiro.

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* É ativista Cultural e diretor de produção.

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