Os novos rumos que queremos para os campi da Ufopa fora da sede, ufopa - óbidos

por Rômulo Viana (*)

Finalizado o processo de consulta a comunidade acadêmica quanto à escolha do novo reitor da Universidade Federal do Oeste do Pará – Ufopa é hora de sonharmos a Ufopa que queremos para os próximos quatro anos, principalmente, no que diz respeito à expansão dos campi fora da sede Santarém, que durante os quase 8 anos de vida da universidade ficaram à margem dos investimentos que se fizeram quase que, exclusivamente, na Perola do Tapajós.

Creio que a principal medida é tornar nossa universidade verdadeiramente multicampi, pois assim ela foi criada pela Lei nº 12.085, de 5.11.2009. E muito embora esse caráter seja expresso em lei ainda é muito comum se referirem aos campi fora de sede como um “Campus do Interior”.

Ora? Mais interior de qual capital? Da futura capital do Estado do Tapajós? Mas que uma denominação essa relação entre os campi quando posta como sede e interior nos remete a um processo de interiorização da educação superior (basta lembrarmos o exemplo da UFPA em Santarém) e por trás desse tipo de visão está o pensamento de que a sede (no caso Santarém) deve concentrar sempre os primeiros investimentos.

Mas nossos campi localizados em 6 municípios nasceram concomitantemente às unidades da Ufopa em Santarém.

Vale aqui esclarecer que quando a universidade foi criada, os cursos, que naquela ocasião se concentraram somente em Santarém, deveriam também ser instalados nos municípios onde se teria um campus. Como também os códigos de vagas para servidores técnicos e docentes, sem falar nas funções gratificadas e cargos de direção (hoje alocados quase que exclusivamente na sede).

Assumida a postura multicampi o que vislumbramos é uma expansão do que hoje já temos ou começamos a ter. Recentemente, a gestão atual, “oficializou” o funcionamento dos campi com os primeiros cursos regulares. Mas não deixando esquecer que a Ufopa funcionava desde 2010 e nesses municípios com a oferta do Parfor.

E que desde 2010 servidores técnicos administrativos já atuavam em espaços cedidos pelas prefeituras (salas, nas muitas das vezes sem o mínimo de estrutura para o desenvolvimento adequado do trabalho).

Hoje, nossos campi em sua maioria funcionam apenas com um curso superior, queremos em médio prazo sonhar com pelo menos mais um curso que seja escolhido levando em conta o real potencial de desenvolvimento do município (e não uma escolha como foi feita com os cursos atuais que até hoje não se sabe quem foi o responsável por escolhê-los).

E além de cursos superiores, queremos pós-graduação, implantação de laboratórios, espaço físico adequado, novos servidores técnicos e docentes, bibliotecas que atendam nossos acadêmicos, e principalmente casa própria (para aqueles campi que estão iniciando no aluguel).

Queremos também ser ouvidos no processo de tomada das decisões de nossa universidade.

Por fim, que o sonho poético da chapa vencedora expresso na poesia abaixo se torne carne e osso no dia a dia de nossa universidade.

É chegada a hora de nos conciliarmos com um novo tempo.
O tempo de congregar os excluídos,
Dos que ainda nem nasceram
E dos natimortos.
Acabou-se o tempo do “não”,
Das gavetas, do fona.
Acabou-se o paredão.
Acabou-se a maratona.
Vamos depor as armas,
Os escudos.
“Forjar de nossas espadas relhas de arados”
Para alimentar nossos miúdos e suas fadas.
Vamos desmontar o circo e partilhar o pão.
Brindar ao vinho que plantarmos juntos.
Fazer crescer esta nação de todos os campos,
De todos os cantos,
De todos os prantos.
De todas as almas de chão.
Para explodimos em alegria e êxito..
Porque o povo esperou e espera o que não veio.
Seremos unos na messe do que virá
Como um inabalável esteio.
Juntos a ombreamos os novos rumos de nosso caminho sem pedra,
Sem medo, sem hesitação.

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* É servidor da Ufopa em Óbidos (PA).

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