Porque Aldo não foi eleito reitor da Ufopa

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por Jota Ninos (*)

Blog do Jeso | Jota NinosO aperto de mão é sempre forte e decidido. O interlocutor nunca escapa de um puxão firme que parece querer trazê-lo na direção de seus olhos, penetrantes, como que para hipnotizá-lo. Um olhar sempre “entre aspas”, representadas pelas grossas e assustadoras sobrancelhas.

É nas sobrancelhas dele que se sabe quando está nervoso: elas parecem ganhar vida quando se encontra em situação de estresse e se movimentam freneticamente. Mas antes de chegar nesse estado, sempre haverá aquele sorriso estampado no rosto que, ao primeiro olhar, parece cativante.

E é exatamente isso que ele procura: mantê-lo num cativeiro de ansiedades e angústias, enquanto expõe qualquer uma das ideias que emergem de uma mente privilegiada, porém, para muitos, perversa.

Aldo Queiroz
Aldo Queiroz: transparência administrativa não é o seu forte

A descrição do arquétipo acima é a impressão que qualquer pessoa pode ter do professor-doutor Aldo Gomes Queiroz, 61 anos (completados no dia de sua maior derrota, na Ufopa), quando o conhece. Tive essa impressão, em 1986, quando me foi apresentado pelo então acadêmico de pedagogia Anselmo Alencar Colares, que era dirigente estudantil universitário da embrionária experiência de se implantar um campus da Universidade Federal do Pará – UFPA, em Santarém.

Mas depois de algum tempo a admiração que todos podem ter por ele começa a ser substituída pelo desprezo, quando se conhece o modus operandi de Aldo ao tratar da coisa pública. Seu lema preferido é “aos amigos do rei, os favores da lei; aos inimigos do rei, os rigores da lei”.

Transparência administrativa não é seu forte e a relação no dia-a-dia de quem convive ao seu redor é fustigante, pois aquela mão firme é pesada e age com truculência, sem nunca tirar o sorriso sardônico do rosto. Muitos dos que hoje lutam contra ele, um dia o apoiaram acreditando em suas boas intenções. E muitos dos que o apoiaram nesta campanha, um dia haverão de abandoná-lo pelos mesmos motivos.

Sufixo do mal

É por isso que eleger Aldo Queiroz como reitor da nova Ufopa – Universidade Federal do Oeste do Pará, quatro anos depois de sua implantação, seria recriar um monstro que já parecia morto e enterrado quando não conseguiu eleger sua sucessora (a hoje cabo eleitoral de primeira hora, Terezinha Pacheco) no antigo campus da UFPA, há 12 anos. Mas é preciso mergulhar mais fundo nessa persona, por muitos considerada maléfica e por outros genial, e entender o universo que ele criou com amigos e inimigos antes de chegarmos a alguma conclusão.

Por conviver há anos com ele, nos bastidores da informação ou nos corredores da UFPA, vivi uma relação de amor e ódio com Aldo o que me levou inclusive a chamá-lo ironicamente em vários artigos jornalísticos de “sufixo da política santarena” já que, coincidentemente, Aldo é o “sufixo” do nome de todos os políticos de maior destaque no cenário local (Ubaldos, Geraldos, Ronaldos, Osvaldos, Everaldos e Reginaldos, entre dezenas de outros) e que geralmente representam o que há de pior nos bastidores do poder e com os quais também mantive uma postura crítica e de polêmica. E Aldo é um político nato. Mais político que gestor.

Compartilhar dessa impressão pessoal (corroborada pela grande maioria de seus atuais desafetos) é minha intenção no texto que inaugura minha participação semanal aqui no Blog do Jeso. A história é minuciosa e pode ser cansativa, mas a intenção é deixar um registro pessoal sobre essa figura amada e odiada na mesma proporção.

Por ser subjetiva, estou aberto a novas contribuições e inclusive contraposições do “quase biografado”. Muitas das impressões se referem a um período de minha convivência mais próxima com ele ou com pessoas que estiveram ao seu lado. E desde já, como sempre digo aqui: NÃO SOU DONO DA VERDADE, apenas tento ser amigo dela o quanto possível (rs).

“Crianças” no Seminário

Tanto Anselmo Colares como outros futuros pedagogos amigos meus daquela primeira turma da UFPA criada em 1983, falavam com entusiasmo do novo coordenador do futuro campus que começava a ser gestado na proposta de interiorização da universidade em Santarém. Ele havia substituído a professora Rosilda Wanghon (tia do prefeito Alexandre Von, se não me falha a memória) no comando, com apoio dos alunos e estava cheio de ideias.

[Aqui, um parêntesis: quando Aldo Queiroz começou a germinar sua candidatura para a reitoria da Ufopa, ainda em 2008, em artigos publicados aqui no blog (na antiga planilha blogspot), ele contou um pouco sobre a gênese do projeto de interiorização e sua participação no mesmo (leia os dois textos nestes links: https://goo.gl/9thg6M e https://goo.gl/z3thJe). À época provoquei-o comentando um dos artigos (https://goo.gl/h67iIX) e ele me respondeu ao seu modo (https://goo.gl/1VQnBV).]

Em 1986, Anselmo era então um jovem brilhante que conheci junto com o amigo Dornélio Silva, meu companheiro de redação e de lutas. Tanto que o indicamos ao Eduardo dos Anjos, então gerente da Rádio Rural (hoje, oficial de Justiça que trabalha comigo no Fórum de Santarém) para a função de repórter e o introduzimos no mundo do jornalismo.

Empolgado com o mundo universitário, falava das propostas que surgiam e de seu empenho na função de presidente do Diretório Acadêmico (DA) do campus local. E nessas falas, Aldo merecia destaque.

Na época, sugeri ao Manuel Dutra que dirigia a redação do semanário O Tapajós (uma das melhores experiências de jornalismo que muitos colegas de minha geração vivenciaram com a empresária Vânia Maia), que criássemos uma coluna sobre a universidade e a entregássemos ao Anselmo e ele topou. De lá ficávamos sabendo de todos os passos de um projeto ambicioso que começava a ser implantado na gestão do então reitor da UFPA, Seixas Lourenço e se consolidaria na gestão de seu sucessor, Nilson Pinto (hoje, deputado federal do PSDB).

Um dia Aldo me informou, em primeira mão, que o reitor Seixas Lourenço chegaria numa certa manhã em Santarém e me convidou para acompanhá-los na visita a algumas instalações na cidade, que poderiam servir como futuro campus da UFPA e substituir o acanhado espaço que ela ocupava no prédio da escola municipal Everaldo Martins, disponibilizada pelo então prefeito Ronan Liberal para abrigar o primeiro curso de pedagogia da universidade.

Creio que eu era o único repórter presente (pela Rádio Rural e pelo jornal O Tapajós) na visita que a comitiva fez ao seminário São Pio X e registrei in loco o encantamento de Seixas com o espaço que a Igreja Católica pretendia dispor para venda ou arrendamento, já que as atividades de formação de novos padres da região tinham sido transferidas para Belém e o seminário encontrava-se ocioso.

Nas entrevistas, Aldo e Seixas pareciam duas crianças que haviam descoberto um novo brinquedo. Mas apesar do entusiasmo, o negócio não evoluiu e a estrutura do campus continuou no mesmo local onde ainda hoje funciona um dos campi da Ufopa, chamado de Campus Rondon (referência à avenida Marechal Rondon que passa em frente ao prédio). Os três personagens, Aldo, Seixas e Anselmo estavam ali comigo. Vinte e sete anos depois, os três estão novamente aqui, e eu escrevendo sobre estes personagens, que vivem uma situação completamente diferente daquela.

[Outro parêntesis: mais tarde houve outra área cedida pela prefeitura para a UFPA, na Rocha Negra que Aldo Queiroz disse ter sido devolvida, em resposta a artigo do padre Edilberto Sena, em 2007, aqui no blog, sobre a implantação da Ufopa (https://goo.gl/zsCdOM), o que foi muito criticado à época pelo advogado e professor da Ufopa, Zé Ronaldo Campos (https://goo.gl/1djeaI), que nesta campanha apoiou publicamente a candidatura de Aldo para reitor (https://goo.gl/uGQXHk)].

Interiorização ou curral eleitoral?

Depois da primeira turma regular de pedagogia, veio a primeira turma regular de Letras, da qual saíram alguns dos grandes professores do curso, entre eles a já citada Terezinha e Leonel Mota, eleito também presidente do DA. Mota era um estudante aguerrido e talvez um dos pioneiros no embate contra a direção do Campus, representada por Aldo. Mas não encontrava muito eco entre seus pares, pois Aldo ainda exercia um fascínio naquela primeira geração, tanto que muitos o chamavam de “porra-loca’, famoso epíteto de patrulhamento aos “rebeldes sem causa”.

Terezinha substituiu Leonel no comando do DA e inicialmente pareceu querer ter a mesma postura de seu antecessor, mas não tinha a mesma garra. E, em seguida, capitulou e tornou-se uma das interlocutoras mais fiéis de Aldo Queiroz dentro do Campus, a ponto de ser indicada para ser sua sucessora ao final de seu “mandarinato” de mais de 20 anos.

Nesse período inicial de implantação do Campus da UFPA em Santarém, o discurso que começava a ser montado por Aldo para atrair os estudantes e a sociedade local era o de que em Belém a comunidade acadêmica não via com bons olhos o projeto de interiorização sustentado pelo sucessor de Seixas, Nilson Pinto. E isso era a pura verdade.

Nilson, que fazia uma gestão mais política do que técnica (ao contrário de Seixas) impôs seu projeto e buscava apoio em várias frentes políticas, inclusive com o PT no qual foi filiado, para depois se tornar mais um tucano. Sua administração criou um verdadeiro reinado que parecia imbatível, elegendo sucessivos reitores na UFPA, até hoje, que mantiveram o mesmo projeto baseado na interiorização da universidade, até a consolidação da Ufopa. Daí ser considerado pela sua oposição como um projeto eleitoreiro, em que os campi implantados no interior eram verdadeiros “currais eleitorais”, comandados por professores de sua confiança que agiam como os antigos “coronéis de barranco”.

Eleito com o apoio da maioria dos acadêmicos de Santarém, Nilson iniciou uma parceria política com Aldo que quase os tornou irmãos siameses pela afinidade ideológica e pragmatismo operacional que possuíam e que levaram para as urnas extra-campus, o primeiro como candidato federal eleito e o segundo como candidato a deputado estadual, fracassado.

Em contraponto à acusação que vinha de Belém, Aldo usava como arma de marketing no Campus da UFPA a velha bandeira separatista acalentada pela população do oeste do Pará (e não à toa, era um dos coordenadores do primeiro Comitê Pró-Estado do Tapajós). Aqui, ele buscava apoio nos vários grupos políticos da universidade, chamando para conversas de pé-de-ouvido em seu gabinete. Conversas diretas e intimidativas, onde o velho bordão era repetido: “Aos amigos do rei…”

Enquanto vivíamos a queda de Fernando Collor através de um impeachment, no qual a participação dos estudantes universitários com suas caras pintadas foi decisiva na mobilização popular, a UFPA vivia um novo momento de efervescência política: Nilson Pinto trabalhava para eleger seu sucessor, o professor Marcos Ximenes Pontes (hoje à frente da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação Tecnológica – Proppit, da Ufopa), de tradicional família de educadores ligados ao PMDB, mas com raízes no antigo PCB (seu irmão Romero Ximenes tinha sido deputado federal e secretário de educação num dos governos de Jader Barbalho).

Como vice-reitora, Ximenes trazia ao seu lado a professora Zélia Amador de Deus, petista de carteirinha e ativista dos movimentos pela igualdade racial. A articulação com grande parte do PT no estado estava consolidada naquele momento. Em Santarém, a direção do partido também apoiava a chapa e Marquinho se tornou o principal interlocutor desse acordo. Essa entrega de Marquinho ao projeto de eleição de Ximenes deu início ao desgaste com o seu grupo, que era contrário à indicação.

Meu reencontro com Aldo

Em 1992, eu havia voltado da Grécia, onde passei três anos num auto-exílio em virtude de ameaças que recebera enquanto repórter. Vinha com outra cabeça, me achando mais maduro, por ter presenciado os fatos políticos que marcaram grandes mudanças no mundo a partir da queda do Muro de Berlim.

Ainda era filiado ao PT, e fui convidado a tentar uma vaga na Câmara Municipal e acabei aceitando (Milton Peloso fez o canto da sereia dizendo que o partido havia mudado e que eu era bem-vindo, o que não era verdade, mas isso é história para outro artigo…).

Fiz campanha, ao mesmo tempo que trabalhava no jornal Estado do Tapajós criado pelo empresário Admilton Almeida (atual proprietário de O Impacto) e no meio da campanha passei no vestibular para o curso de Letras: meu destino voltaria a se cruzar com o “homem das sobrancelhas”…

Como companheiro de campanha, eu conheceria um jovem com futuro promissor: Marco Aurélio Magalhães Cardoso, o popular “Marquinho”, ativista cultural e que era um dos novos pupilos do padre Edilberto Sena. Ele acabou sendo o vereador mais votado do PT em 1992, ao mesmo tempo em que frequentava o recém-criado curso de sociologia da UFPA que funcionava em caráter intervalar (ou seja, durante as férias da universidade).

Nesse curso estavam outros pupilos de Edilberto Sena, ligados ao GDA (Grupo de Defesa da Amazônia) e ao Ceapac (Centro de Apoio a Projetos de Ação Comunitária), ONGs criadas pelo padre “vermelho”. E era também o maior foco de resistência às políticas de Aldo Queiroz, com exceção de Marquinho…

Como jornalista, e universitário, também fui chamado para a famosa conversa de pé-de-ouvido com o “mini-reitor” Aldo Queiroz, em busca de meu apoio à candidatura Ximenes. Uma conversa iniciada com adjetivações sobre minha capacidade profissional, passando pelo compromisso petista de eleger o novo reitor e chegando à recordação sobre seu trabalho no Campus que eu ajudei a divulgar como jornalista antes de viajar para a Europa. Fui sincero ao Aldo dizendo que não estava afim de me envolver na campanha e preferia manter a neutralidade.

Até porque nunca gostei de Jader Barbalho e achava que, apesar de não conhecer pessoalmente, Ximenes me parecia ser forjado da mesma cepa dos Barbalho. As sobrancelhas de Aldo começaram a se agitar. Era sinal de que minha resposta não o agradou. Foi quando me disse a frase lapidar que nunca esqueci: “Não acredito em neutralidade. Ou você está do meu lado ou está contra mim”.

Saí da sala de Aldo convicto de que ali havia se rompido um laço que sempre fora cordial. Na despedida, o aperto de mão já não foi o mesmo. Mas juro que tentei me manter o máximo neutro possível. Entretanto percebi que numa coisa Aldo tinha razão: era impossível segurar uma neutralidade naquele ambiente eleitoral. Como o clima era de terrorismo eleitoral dentro do Campus, isso me incomodou. Quem não apoiava a chapa de Marcos Ximenes era quase como um “leproso”, sendo hostilizado por alunos e professores.

Terrorismo eleitoral

Eu mesmo acabei hostilizado publicamente dentro de minha sala de aula, quando fazia o curso de Letras (em 1993) junto com meu amigo Nato Aguiar, atual secretário de Cultura, e que era pessoa muito próxima de Aldo. Mas no momento da hostilidade perpetrada por uma professora que era cunhada de Ximenes (se não me falha a memória seu nome era Glauce), Nato liderou um manifesto contra aquele ato que pegou muito mal para a campanha.

Ele atraiu outros colegas da turma que, apesar de convictos de votar em Ximenes não gostaram da forma virulenta do ataque feito à frente do então coordenador do campus, Aldo Queiroz, que – coincidentemente – se encontrava em sala falando sobre assuntos administrativos do campus, quando o grupo de professores e alunos da campanha pró-Ximenes entrou vociferando impropérios contra uma notícia que eu havia publicado no jornal que editava, onde dava destaque para a chapa adversária de Marcos Ximenes (encabeçada pelo professor Olavo Galvão).

Naquele momento percebi o modus operandi de Aldo. A visita estava orquestrada e ele estava lá não na condição de defender uma chapa, e sim da gestão universitária. O ataque foi programado para me enquadrar, mas ninguém poderia acusá-lo de ser o mentor intelectual.

Ele vai sempre negar, mas enquanto o debate ocorria, eu olhava seus olhos carregando um sorriso traquino. Ele só não contava com a reação de alunos que se posicionaram contra a investida. E quando a situação passou a ser um bate-boca entre uma professora tresloucada e alunos indignados, ele interveio e retirou a equipe de campo. Se até então eu apenas queria dar voz para a oposição no jornal, passei a fazer campanha ferrenha contra Ximenes mesmo sem saber muita coisa sobre seu opositor.

Quando o professor Olavo Galvão esteve em Santarém, no ano de 1993, foi hostilizado no campus e fora dele. Aldo conseguiu fechar todos os meios de comunicação aos quais tinha acesso, para que ele não fosse entrevistado. Menos o que eu editava. E isso era uma afronta ao “mini-reitor”.

Aldo Queiroz é especialista nesse tipo de marketing, agressivo e opressor. Mantém boa relação com boa parte da mídia e quando é possível, pode conseguir até um reforço financeiro com publicidade legal para empresas de comunicação ou até mesmo apoiar financeiramente alguns profissionais que escrevem em blogs e sites, chegando até a contratar alguns para os quadros da universidade (como fez nesta campanha) com o intuito de criar uma rede de contra-informações (como na campanha atual, quando ataques virulentos contra seus adversários Raimunda Monteiro e Anselmo Colares foram lançados nas redes sociais e através de blogs amigos).Sempre foi assim e sempre será, quando houver outras chances de disputa.

Um homem que não aceita derrotas

Se existe uma coisa que não se encontra no vocabulário de Aldo Queiroz, é a expressão “aceitar derrota”. A primeira vez que vi isso de perto, foi logo depois da eleição de Marcos Ximenes para a reitoria da UFPA.

O número de votos conseguidos pela chapa de oposição em Santarém era inadmissível. E apesar de ter sido um verdadeiro passeio eleitoral, Aldo não gostou de saber que não teve a votação que havia prometido aos seus comandantes em Belém. Um dos colegas que atuava na linha de frente da campanha de Ximenes à época, me confidenciou anos depois (quando rompeu com Aldo), que ele chegou a fazer uma reunião após aquela eleição para avaliar a campanha, demonstrando seu ódio por alguns alunos que haviam trabalhado com a oposição e que ele pretendia “isolar” dentro do Campus daquele momento em diante.

O meu nome, junto com o do pessoal de Ciências Sociais (menos seu vassalo Marquinho) era um dessa famigerada lista, segundo meu informante. Mas não acreditei muito nisso, até acontecer um episódio que marcou definitivamente nossa oposição dentro do campus; fui eleito, à revelia de Aldo Queiroz, presidente do DA que respondia pela organização dos acadêmicos, em 1994!

Minha eleição foi curiosa: sem nenhuma tradição no movimento estudantil, acabei sendo o nome mais votado, por ser jornalista! A gestão de Terezinha Pacheco já estava em fim de mandato, já que ela havia desistido da presidência deixando seu vice, o acadêmico de Pedagogia Williams Valentin, à frente da instituição.

O DA havia reformado seu estatuto e eu contribui com os debates, que previam a eleição de uma Junta Governativa para assumir e implantar as novas regras e escolher a nova direção. Numa assembléia tumultuada, Aldo Queiroz chegou com uma chapa pronta com cinco membros, entre eles Nato Aguiar. Eu não ia nem me inscrever, mas havia uma brecha no estatuto que aprovamos, já que não explicitava se a junta seria eleita em chapa. Em meio aos debates, apresentei a proposta que os votos fossem nominais e não em chapa, para que tivéssemos uma Junta Governativa mesclada, com pessoas ligadas a todos os segmentos.

A proposta passou e quando a votação começou, eu e Nato acabamos sendo os mais votados, ficando eu como presidente e ele como vice, junto com mais três colegas! Meu olhar foi direto para direção em que Aldo acompanhava a votação, de sua sala. As sobrancelhas pululavam e ele fechou a porta…

Antes que alguém diga que construo um discurso onde pareço vencer Aldo, digo que estes dados são reais e podem ser comprovados. Mas o sentimento entre eu e ele é subjetivo. Apesar de estarmos em campos opostos, sempre mantivemos uma boa relação. Mas em alguns momentos, a cordialidade dá lugar ao atrito velado, Ou exposto publicamente, em textos como esse (ou os que virão de lá).

Pulando no tempo, Aldo realizou o processo Estatuinte do Campus naquele ano. Como membro da Junta Governativa do DA participei dos debates. Foi formada uma Comissão Paritária, de alunos, técnicos e professores. Tudo foi bonito, mas ao final, a discussão sobre a criação de um Centro Universitário com uma estrutura autônoma e uma diretoria ampliada que enchia os olhos de todos, não vingou junto à UFPA.

Acho até que Aldo foi sincero nessa proposta, mas no final continuamos como Campus Avançado e só foi permitida a eleição do coordenador. Aldo era imbatível, com tantos anos à frente do campus, indicado pela Reitoria em Belém. Foi aclamado numa eleição em que se votava apenas Sim ou Não. Teve vitória esmagadora, ainda como rescaldo da eleição de Ximenes, mas os próximos anos seriam difíceis. Tentou tomar o DA mais uma vez, mas muitos acadêmicos que haviam participado de sua campanha romperam com ele, entre os quais o jovem Sidney Campos, que foi eleito no final de 1994. E gerou várias diretorias contra o coordenador do Campus.

Entreguei o DA e deixei a UFPA, onde meu curso acabou jubilando por tantas faltas acumuladas, seja pelo engajamento estudantil, seja pelo trabalho profissional. Me afastei da UFPa e passei atuar como marketeiro em campanhas municipais. De certo forma, aquele convívio me ajudou em algumas coisas. Em 2000, após mais uma campanha bem sucedida, decidi fechar minha empresa e assumi a direção de jornalismo da TV Tapajós, onde acompanhei de camarote a primeira derrota de Aldo Queiroz, quando sua candidata Terezinha Pacheco perdeu para o desconhecido, até então, professor Elinei Santos. Mas da mesma forma que vem agindo agora, Aldo e seu grupo recorreram de todos os expedientes jurídicos para impedir a posse de Elinei.

À época, um dos argumentos envolvia o professor Anselmo Colares, que teria sido impedido de votar naquela eleição. Anselmo fazia seu doutorado em Campinas-SP e era tido como o provável sucessor de Aldo, mas refutou a indicação por conta de seus estudos. A luta jurídica durou pelo menos seis meses, pois Aldo não aceitou a derrota. O caos tomou conta do Campus, e resolvi fazer uma grande matéria jornalística sobre o que acontecia ali. Encaminhei uma de minhas repórteres (se não me falha a memória foi a colega Núbia Pereira, atualmente no jornal Tribuna do Tapajós) para fazer um levantamento minucioso do que ocorria, mas não para divulgar aqui e sim na TV Liberal, em Belém, com a qual mantínhamos parceria.

A matéria repercutiu muito na comunidade acadêmica de lá, que passou a pressionar o reitor Alex Fiúza. Alguns dias depois, não sei se por causa disso, ele resolveu dar posse ao coordenador eleito.

O fim de uma visão despótica de gestão?

O quadro atual demonstra o mesmo modus operandi de sempre na eleição da Ufopa: Aldo preparou um pleito para não perder. Nenhum resultado diferente seria aceito. Mas acabou sendo enganado pelo seu “Orgulho de ser Ufopa” (se me permitem o trocadilho…). Só que após a derrota, vai fazer tudo que for possível para retardar a posse da nova reitora, Raimunda Monteiro e seu vice Anselmo Colares, um ex-pupilo que se rebelou contra sua visão despótica.

A Ufopa ainda é uma incógnita como instituição. Seixas Lourenço, aquele mesmo reitor da UFPA que em 1986 começava o projeto de interiorização em Santarém não deixa de ser um visionário com o novo modelo implantado aqui. O problema foi se trancar numa redoma, deixar de ouvir a comunidade e dar carta branca para Aldo Queiroz preparar sua reentronização à frente da nova universidade.

Uma campanha rica e feita aos moldes de Aldo, com eleição no dia do seu aniversário, farta distribuição de benefícios estudantis, como os que foram denunciados pela oposição. Uma fórmula esdrúxula de “paridade” que lhe daria a vitória e o apoio de uma parte da imprensa local, inclusive com aberrações como a criação de um programa de TV que em tese comemorava os quatro anos da Ufopa, mas escondia uma campanha velada para perpetuar um grupo de ex-reitores (Seixas, Ximenes) e seu principal pupilo há mais de 30 anos comandando os bastidores da educação local.

Como nos filmes de terror, o monstro pode ser morto, esquartejado, mas no finalzinho arregala os olhos e diz “Um dia eu volto!” O duro baque de Aldo Queiroz e seu jus sperneandis podem ajudar a manchar uma biografia irrepreensível no mundo acadêmico, como a do professor Seixas Lourenço. Mas certamente não acabará de vez com a persona de sobrancelhas “entre aspas”, prontas para enquadrar seu ex-pupilo e novo inimigo figadal, Anselmo Colares, assim que ele assumir sua função na Ufopa.

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* É jornalista e escreve todas as segundas-feiras neste blog.


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44 Responses to Porque Aldo não foi eleito reitor da Ufopa

  • Excelente texto, parabéns! A riqueza de detalhes, com dimensões históricas e relacionais nos permitem entender, dentro de seus contextos, como foram construidos e consolidados os processos de gestão e participação na academia em nossa cidade. Nos oportunizando o “olhar” crítico sobre o momento atual, entendendo-o como parte de um processo que não começou agora e que nem se esgotará com a homologação pelo CONSUN da chapa vencedora. Muitas lutas estão por vir para que esta universidade, no interior da Amazônia, possa ser plural, democrática e de excelência como é vontade e direito de todos nós..

  • Excelente texto, Jota Ninos, parabéns! Concordo plenamente com um de seus comentários no qual você fala que caímos na vala do senso comum por não termos (ou procurarmos) informação. E a língua portuguesa também agradece, está cada vez mais raro encontrar um texto preocupado com a gramática e a concordância, rs. Agora eu confesso que tive que fazer um arremedo de leitura dinâmica para chegar ao final, é muita informação! Essa é uma amostra dos seus futuros textos semanais?

    1. Jairo, dizem que tenho uma memória de elefante (e o corpo também…rs). Quando estou escrevendo um texto tento seguir as normas da língua o quanto possível, além das normas jornalísticas, baseando minhas informações em coisas que vi e ouvi e que posso comprovar. Para isso, busco a verificação de datas, quando possível, como forma de dar maior consistência ao que estou escrevendo.
      O jornalismo atual, na era da informática, nos tornou leitores menos exigentes. Preferimos textos com o mínimo de palavras. Daí o sucesso do microblog Twitter (para o escrito português José Saramago, a linguagem incentivada pelo Twitter deve definir que o próximo passo da humanidade será se comunicar com um grunhido…rs).
      Sempre que escrevo não me preocupo se o texto é grande ou não. O que me importa é que o conteúdo do que eu escrevo faça as pessoas refletirem. Quem tiver fôlego e interesse pelo tema, poderá ler meus textos até o final. Aí vem meu estilo que torna a jornada de ler meu texto menos exaustiva. Uso e abuso de uma linguagem coloquiam, sem porém perder a concisão de umt exto mais técnico ou teórico. Na verdade é uma narrativa no estilo de crônica, que procura envolver o interlocutor.
      Por fim, respondendo sua questão, posso dizer que quando for necessário, os textos que escreverei aqui poderão ter este tamanho sim. Mas essa não será a regra. Se você imaginar que eu tentei cobrir uma história de 30 anos, entre o início da primeira turma do projeto de interiorização da UFPA até as eleições deste ano na Ufopa, eu diria que o texto está com tamanho pequeno…rs

      1. Correção:

        – Onde se lê:

        “Uso e abuso de uma linguagem coloquiam, sem porém perder a concisão de umt exto mais técnico ou teórico. Na verdade é uma narrativa no estilo de crônica, que procura envolver o interlocutor.”

        – Leia-se:

        “Uso e abuso de uma linguagem coloquial, sem porém perder a concisão de um texto mais técnico ou teórico. Na verdade é uma narrativa no estilo de crônica, que procura envolver o interlocutor.”

  • Eu gostaria que os comentarios a respeito do Prof.Aldo, fosse feito através de pessoas que tivesse responsabilidades, portanto, acho que antes de falarem de aldo, primeiro lave a boca suja que vc carrega

  • Esse sr. que se diz Wagner Seco, ele precisa procurar saber o que é politica, pq no meu endender ele saca muito bem é politicaqgem, gostaria que o sr. Wagner procurasse atender o alunado lhe propocionando aula, é coisa que esses professores não o faz.

    1. Você precisa realmente de aulas, mas desde o início, na alfabetização. Chamar-me de politiqueiro é não conhecer minha trajetória acadêmica e científica. Procure se informar.

  • Honestamente, não entendi o que esse tal de Nino está ensinuando, pois a vejo credibilidade nmo que ele se refere, portanto, procura exercer o teu cargo no forum, poisw como jornalista deixa muito a desejar.

    1. Caro Damião, se este for seu nome, “esse tal Nino” é jornalista há quase 30 anos e há 10 anos é concursado do Tribunal de Justiça do Pará e acima de tudo, há 50 anos é cidadão paraense.

      Não vivo “ensinuando” (sic) coisas. Se leu bem o texto vê que relato fatos que vi e vivi de perto, tanto na condição de repórter quanto na condição de acadêmico e líder estudantil. Se o texto lhe incomoda, talvez por ter alguma relação com o principal analisado na postagem (professor Aldo Queiroz), não posso fazer nada.

      Entretanto, suas observações em nada contribuem ao debate sobre um tema público, que envolve toda uma comunidade acadêmica, portanto nem mereciam uma resposta minha. Mas como não me escondo por trás de pseudônimos e assumo o que digo, só tenho a agradecer que tenha pelo menos lido. Se não entendeu, paciência. Me perdoe se não sei desenhar…

  • Do texto que se pode acessar pelo “link” acima postado:

    A BIOAMAZÔNIA, segundo informações veiculadas pelo Jornal Folha de São Paulo, foi idealizada e é presidida por José Seixas Lourenço, ex-secretário de Coordenação da Amazônia, indicado pelo vice-presidente Marco Maciel (PFL-PE), pertencente ao mesmo partido do Ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho.

    1. Esse problema é sério. Mas ao que parece, o governo FHC, responsável por esse contrato teve que rever as cláusulas, depois da pressões dos ambientalistas. Mas não consegui encontrar informações mais recentes sobre o assunto. Vale a pena ser estudado pela comunidade acadêmica.

  • Já falei, essa eleição da UFOPA foi para o farelo. Temos que fazer novas eleições sem Aldo, Raimunda, Anselmo, Katia, PT e PSDB. Novos nomes devem surgir.

    1. Está viajando na maionese, Fulgencia.
      Tem é que ser respeitado o resultado das urnas. O Consun tem que homologar esse resultado.

    2. Fulgência.
      E se o resultado não for o que você espera? Pedirá outra Eleição? E outra, e outra…
      Francamente, não é por aí. Essa eleição foi divulgada, acompanhada. Portanto deve ser espeitada. Aprenda a ser uma democrata!!!

    3. Parabéns Jota! Mas confesso que nao sabia de toda essa sua intimidade com o Aldo naqueles velhos tempos…

      De qualquer modo, a comunidade acadêmica da UFOPA foi perfeita na sua decisao de derrotar o POLITICAMENTE NOJENTO!…

      Confesso que TENHO ORGULHO DE SER UFOPA!!!

      CONSUN, nao escorrega, HOMOLOGA!!!…

      1. Na verdade, um jornalista que quer saber mais sobre as pessoas que produzem notícia, devem estar sempre buscando conviver com elas, conhecer seus hábitos e poder dissertar sobre sua performance.

    4. Essa eleição é um marco, Fulgência. Os professores Raimunda Monteiro e Anselmo Colares terão um grande desafio pela frente. Pra quem conhece os meandros da política de Aldo Queiroz e seus apaniguados e todas as artimanhas das quais se utilizaram para vencer esta campanha, deve reconhecer que a vitória foi um grande passo para a evolução do Projeto Ufopa. Não acredito que teremos uma administração centralizadora, como seria a do Aldo. E caso aconteça o que você prevê, teremos que avançar ainda mais. Torce pelo quanto pior, melhor, é querer a volta de figuras como Aldo Queiroz no futuro.

  • Clap, clap, clap!

    Excelente artigo, pude entender muitas coisas que aconteciam no período em que estudava quando peguei uma parte da gestão do Dr. Aldo. Tenho costume de não ler ou pular textos tão extensos, porém este, me prendeu até o último ponto.

  • Recebi a informação de um colega dos tempos de UFPA que o nome da professora tresloucada, que citei em meu texto, era Grace Ximenes.

      1. Era uma excelente professora. Mas tornou-se porra-louca durante a campanha. Depois rachou com Aldo e ela e o marido, também professor, acabaram indo embora de Santarém.

  • Caro Jota Ninos, parabéns pelo brilhante texto……

    Você conseguiu traduzir perfeitamente o que eu penso e sinto acerca de Aldo Queiróz, mas que nunca consegui explicar em letras….

    Uma figura sombria, quase vampiresca……..

  • Parabéns pelo texto! Esclarecedor, para que entra num barco para uma viagem aparentemente agradável. Mas sem conehcer realmente que é seu comandante…

    1. Este é o grande problema da sociedade: sem informação suficiente, grande parte dela sempre acaba embarcando no senso comum. Pessoas como Aldo Queiroz constroem imagens falsas sobre si, e acabam seduzindo grupos em nome disso, causando sérios problemas no futuro. Isso se aplica nas eleições e acaba dando os resultados que vemos no Legislativo e no Executivo. Com a verdade às claras é mais difícil errar. Aldo achou que era fácil continuar enganando a comunidade acadêmica, e deu com os burros n´água…

  • Parabéns pelo texto Ninos, pois essa é a história que não quer calar.
    Quem viveu tudo isso pode testemunhar e garantir que o momento presente é reflexo de nossas experiências e de nossa certeza de que o melhor para a UFOPA ainda está para ser construído, não por alguns iluminados, mas por todos: técnicos, alunos, alunos de ontem que são os técnicos e OS professores de hoje, professores “antigos”, professores “novo” com antigas e novas experiências que somem e apresentem como resultado uma instituição plural, democrática, realmente pública e que possa ser, mesmo que alguns não creiam, uma grande e forte universidade no interior da Amazônia.
    Ao criarem a UFOPA menosprezando inteiramente o que existia desconsideraram a força e a vivência dos sujeitos desta história.
    Assim, a história determina a mudança, queiram alguns ou não!!!!

    HOMOLOGA CONSUN!!!!

    Prof. Edna Marzzitelli
    Programa de Educação
    ICED/UFOPA

    1. É verdade professora. Agora é preciso que a comunidade acadêmica reveja alguns conceitos na sua organização interna, para evitar coisas como a campanha pelo voto nulo às vagas no Consun. Esse tipo de postura tomada principalmente pelos acadêmicos pode ter sido fundamental para que Seixas, Aldo e Ximenes conseguissem ter no Consun ampla maioria. Se toda a rebeldia houvesse sido canalizada para uma postura mais participativa à época, talvez hoje se tivesse conseguido com que o Consun fosse menor atrelado à Reitoria.

  • Esse Sr. Aldo Queiroz, nunca me enganou, desde que entrei na UFOPA, há 3 anos. Ele trabalhou não em prol da Universidade, mas sim em prol do grupo de interesses do qual ele faz parte, que é parte de um grupo de interesses bem maior. É como já bem disseram: essa eleição a reitor da UFOPA vai muito além dos muros da Universidade.

    1. Com certeza, Heleno. É um projeto de poder que começou na primeira administração de Seixas Lourenço, na UFPA e que até hoje gera frutos não tão suculentos para o desenvolvimento do mundo científico amazônico.

    2. É isso mesmo Heleno, é exatamente isso que tenho sentido em todos esses tempos do comando do POLITICAMENTE NOJENTO… Com ele tudo tem “terceiras intençoes”…

  • Excelente! Acho que o Ninos foi benevolente com o Seixas Lourenço, mas esclarece muita coisa para aqueles que chegaram depois.

    1. Não convivo na comunidade acadêmica atualmente. Todas as informações que recebo sobre a gestão de Seixas Lourenço me são repassadas por terceiros. Seria leviandade dissecar sua persona, pois não convivi muito com o reitor, mantendo apenas encontros esporádicos e pouco sei de seu caráter do que conheço fora daqui, onde é respeitado. Por isso, o máximo que posso dizer sobre ele é que foi omisso em deixar uma pessoa como Aldo Queiroz preparar terreno para substituí-lo. Diferentemente do Aldo Queiroz, com quem convivi de perto, enquanto aluno da UFPA, enquanto líder estudantil, enquanto jornalista, enquanto marketeiro.

  • Excelente texto! Perfeito para conhecer a história da nossa universidade e das principais pessoas envolvidas na atual eleição. Esse texto, pelo menos para mim, me mostra por que foi tão importante sua derrota nessa eleição.

    1. Essa foi a intenção, Wagner. um texto para ser acrescentado no futuro, a outros que joguem luz sobre a história da implantação da Ufopa, a partir do projeto de interiorização da UFPA.

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