Um povo entre a cruz e a espada

Publicado em por em Artigos, Política

por Jota Ninos (*)

Blog do Jeso | Jota NinosO ano de 2014 já começou. Pelo menos para os políticos que postulam comandar essa grande faixa de terra na Amazônia que se convencionou chamar de “Estado do Pará”. Nos bastidores, marqueteiros afiam suas espadas imagéticas para um duelo que pode trazer o velho travestido de novo. O ou de velho mesmo.

Já os pobres eleitores das três federações, algo em torno de 5 milhões de almas que compõem esse grande território, esperam uma luz no fim do túnel na primeira eleição pós-plebiscito, que adiou o sonho de criação de dois novos estados, além do chamado “Parazinho”.

Líderes partidários tentam encontrar uma coligação que atenda não só os anseios de Belém, mas também dos futuros estados do Tapajós e Carajás, cuja luta ainda não acabou (embora um novo plebiscito esteja ainda mais difícil).

As candidaturas que devem sair dos colóquios partidários estão longe de atender estas demandas. Tudo indica que no final, continuaremos como coadjuvantes do cenário político paraense, tendo mais algum vice-governador inepto como prêmio de consolação (ou pro “Tapajós” ou pro “Carajás”).

Tucanos perdidos

O atual governador Simão Jatene (PSDB) ainda é uma incógnita na disputa. Depois de uma cirurgia complicada no início do ano chegou a cogitar que não sairia candidato, e suscitou o início de uma briga nos bastidores entre outros aliados (principalmente os tucanos), em busca de uma candidatura viável.

Mas diante de uma possível autofagia em azul e amarelo, preferiu sair em campo numa caravana que percorreu os quatro cantos do estado na tentativa de provar que seu governo ainda existe. Entretanto, só conseguiu provar que é um político-zumbi querendo comer nossos cérebros.

Mostrou o quanto é irascível e como se descontrola inclusive perante três adolescentes que o acusaram de fazer maquiagem em sua escola, num vídeo que até hoje bomba na internet e ficou conhecido por muitos como “Jatene e as selvagens de Santarém” (https://goo.gl/OyqFi2). E ao voltar pra casa, no conforto de seu ar-condicionado, ainda desdenhou dos que o receberam com quatro pedras nas redes sociais, comparando todos a cachorros (https://goo.gl/E1VAqm)!

Diante desse quadro, já estaria havendo um movimento interno para definir outro candidato. Até porque, há fortes indícios (até pelo destempero do governador) de que ele não está completamente são para a disputa. Há quem diga que seus familiares não o querem na contenda. Já começaram pesquisas para consumo interno onde alguns nomes são testados, entre eles o do senador tucano Flexa Ribeiro e até o do vice-governador santareno Helenilson Pontes (PSD).

Alguns secretários e aliados de Jatene também passam por esse teste. Ninguém sabe onde isso vai dar. Talvez acabe se chegando a conclusão de que pior do que está não vai ficar, e se arrisque entrar na corrida com um cavalo manco, dopado pela máquina governamental para arrancar uma vitória à fórceps.

Barbalhos de molho

Mas o nome que parece crescer na disputa é o do herdeiro do faraó (https://goo.gl/UtmSIG) que tenta continuar a dinastia Barbalho no Pará, iniciada há 30 anos. O ex-prefeito de Ananindeua Helder Barbalho (PMDB) virou até radialista das emissoras do pai, para popularizar seu nome! Tenta atrair todos os descontentes do governo Jatene, e negocia com as principais lideranças do Tapajós e Carajás.

O sempre oportunista deputado federal Lira Maia (DEM), quer por que quer ser o vice de Barbalhinho, nem que tenha que estar ao lado do PT na disputa. Mas o prefeito de Marabá, João Salame (PROS), também quer essa vaga e pode indicar sua esposa Abiancy Cardoso Rosa para a dobradinha.

A candidatura de Barbalhinho passou a ser real, depois que passou pelo teste de popularidade nas visitas ao interior. Inicialmente o próprio Barbalhão cogitava entrar na disputa, caso o filho não conseguisse ganhar lastro eleitoral.

Hoje, pessoas ligadas ao PMDB não têm dúvida de que Barbalhinho tem chance de chegar lá, travestido de novidade contra o que pra eles seria um velho gagá em fim de linha.

Mas os Barbalho ainda estão de molho, aguardando o desfecho da contenda interna do PT. O sempre oportunista Paulo Rocha já “vendeu” o partido aos faraós peemedebistas, em troca de uma vaga ao senado. Entretanto, a disputa interna do PT definiu que os grupos que defendiam essa tese não vão comandar o partido.

O deputado estadual Milton Zimmer, vencedor das eleições do PT, é contrário à tese do PT não ter candidatura própria pelo menos no primeiro turno. De Brasília, a companheira Dilma Roussef e seu vice peemedebista Michel Temer, vão fazer de tudo para demover Zimmer e o deputado federal Claudio Puty (que quer disputar o governo) de não apoiarem os Barbalho. A coisa ainda vai feder…

Terceira via?

O PSOL pode tentar mais uma vez ser a terceira via nessa disputa. É grande a possibilidade do deputado estadual Edmilson Rodrigues tentar a candidatura para o Governo do Estado, sonhando repetir o milagre de 1996, quando de azarão passou a ser campeão e se elegeu prefeito de Belém, quando ainda estava no PT.

Sua candidatura deverá servir como palanque para a campanha nacional, já que o partido resolveu arejar seus quadros com um candidato um pouco mais pragmático para a disputa presidencial, seu único senador, pelo Amapá, Randolfe Rodrigues. Só para lembrar, o PSOl de Randolfe no Amapá compôs até com o DEM para eleger seu primeiro prefeito de capital nas ultima eleições.

Tudo até aqui são meras especulações. O problema é que há cada eleição no Pará, chegamos à conclusão de que continuamos entre cruz e a espada. Eleger um governador que já não conta com o apoio da população por demonstrar um governo fraco para o combate das principais questões sociais, como saúde, educação e segurança? Ou apostar na volta da Barbalhada sedenta de poder, já que desde 1990 está fora do governo, apenas apoiando candidaturas do PT ou do PSDB?

Ou ainda, acreditar que as esquerdas representadas por PT e PSOL consigam se apresentar com candidaturas alternativas que não repitam o desastre chamado Ana Júlia?

Afinal, o Pará continuará sendo um gigante adormecido, sem um líder capaz de estancar a sangria que os grandes projetos continuam perpetrando em seu solo, para irrigar a economia nacional, deixando-nos apenas migalhas?

Quem viver, verá.

(*) Escrevo de Belém, onde me encontro para participar de um evento do Tribunal de Justiça do Pará (um curso sobre técnicas de Cerimonial). Infelizmente o atropelo da viagem, aliado ao tráfego da internet, me impossibilitaram de enviar o texto pela manhã.

– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –

* Jornalista, escreve todas as segundas-feiras neste blog.


Publicado por:

4 Responses to Um povo entre a cruz e a espada

  • Quem lê O LIBERAL, voz oficial da elite do parazinho, se depara com um mundo sem problemas…
    o “MUNDO DO ORLY”, em referência ao marqueteiro mor Orly Bezerra, que pelo orçamento do estado p/ 2014 vai gastar cerca de 100 milhões em propaganda. Estado rico é assim!
    VC está certo Jota Ninos, estamos na… vc sabe!

  • No meio disso tudo quero ver a resposta que a região oeste do Pará dará nas eleições.
    Jatreme vem aqui e estendem o tapete vermelho.

  • Pensei que você estava fazendo doutorado em ciências políticas, na capital do parazinho Jota Ninos. Parabéns pela ranális, eflexão e a riqueza de informações trazidas à baila, para análises presentes e futuras.” Infelizmente esse é o atual estado do Pará”

    Ótimo retorno ao Tapajós!

  • Ou seja, estamos fudid……………….no oeste do Pará.

    JESUS NOS PROTEJAS DESSES SANGUE-SUGAS, CHAMADOS DE PT ,PSDB, E O PIOR ,O PMDB.

    hahahahahhahahahahahahahhahahahahhahahahah.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *