De Urubuquara a Vila de Outeiro, Prainha, 136 anos , Igreja matriz de Prainha. Foto - Wendell MedeirosIgreja de Nossa Senhora das Graças, padroeira de Prainha. Foto – Wendell Medeiros

 
A cidade que nasceu Urubuquara (em homenagem aos índios que lá viviam), depois virou Vila de Outeiro e, finalmente, ganhou o nome de Prainha completa hoje 136 anos.

Na foto do prainhense Wendell Medeiros, cima, a igreja de NS das Graças, padroeira do município.

Abaixo, um poema que reverencia o município, também da lavra de Medeiros.

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Prainha da (minha) Memória

Prainha da memória
lembranças de outrora
das canoas e barcos no rio-mar
das ceruaias no Outeiro
no ‘Petropis’, tucumã e mucajá
jutai e pororoca na Boa Vista
das mangas do Cuatá
dos miritis do Piri
dos uxis e castanholas da Praça Matriz
dos cajus do ‘seu’ Cristiano.

Do tecer tarrafas e malhadeiras na porta da casa da vó Norita,
das laranjas doces e goiabas do quintal da vó Palmira,
do leite no curral da fazenda do tio Xandico,
dos “cardos” de peixe da tia Leó,
do mingau da dona Lulu Jorge,
do tacacá da dona Senhorinha,
do leite de gado no ‘seu’ Martinho,
do pão quentinho no ‘seu’ Amilcar, ‘seu’ Cutia,
e do ‘plet’ do Dondon,
do picolé do ‘seu’ Zé Melo,
da merenda, sempre repetida, da dona Mariazinha,
dos canudinhos e bolos de chuva da dona Rosarina,
do tucupi cheiroso e farinha gostosa do ‘seu’ Raimundão,
do boteco colorido e ‘sortido’ de bombons do ‘seu’ Zé Firino,
dos partos e benzeduras da dona Luizinha,
das rezas e quebrantos do Pedro Lucas,
do piracui e peixe salgado do ‘seu’ Diquinho,
do pirarucu, tambaqui e acari da várzea
e tucunaré do lago.

Da falta d’água e da fila pra pegar água no poço, na beira do rio.
do apressar pra chegar em casa,
antes da luz apagar.
do chamado da antiga Telepará
aguardando a Júlia e a Leda “oka Prainha, cabine 3”.

Da irreverência do bloco de carnaval
da dona Varlene e Zé Salá,
do colorido das saias rodadas do Carão do Uruará,
do bailado e as pajelanças do Tucano da dona Marcila e dona Waldenice
das cantorias do Boi Prata Fina do ‘seu’ Laureano
dos versos rimados do ‘seu’ Manezinho ‘Baco-Baco’.

Das casas coloridas do Anema,
dos búfalos no Mungubalzinho,
do mingau de jerimum
do tacho no fogão a lenha
cheiro de queijo de manteiga e coalho,
coalhada ao amanhecer.

Dos banhos no Lago Geral, Urumaú
Cachoeira do 17 e Cupim,
no igarapé da ponte do Jatuarana
Bebedouro e Jauari
Da saudosa Mangueirinha
e dos pulos do cais de pedra,
que já não existe mais!

Do Bico da Mimosa,
dos ‘causos’ sobre o Cachorrão, da Porcona e do Futi, que teimava em ‘envenenar água da caixa d’água’,
da cabeça da Cobra Grande,
que diziam estar enterrada
debaixo da Igreja Matriz.

Prainha dos sonhos de infância
embalados pela esperança
Prainha do berço, que também é o lar
e um dia pode ser o túmulo,
Prainha que eu não esqueço!

Feliz Aniversário Prainha
Feliz 136 anos!! ❤

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2 Comentários em: De Urubuquara a Vila de Outeiro, Prainha, 136 anos

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  • João José da Costa disse:

    Amigos, eu sou Administrador, Advogado e Professor. Agora, aos 76 anos, aposentado, dedico-me a escrever livros infanto-juvenis educativos. Tenho um site, onde disponibilizo meus livros para baixar gratuitamente. Estes livros educativos são úteis e importantes para que as crianças de sua cidade sejam melhores pessoas e cidadãs mais conscientes! Meus trabalhos são, essencialmente, voltados ara a EDUCAÇÃO de nossas crianças. São livros que colaboram para o desenvolvimento e formação de pessoas, bem como para inspirar, despertar e reforçar o interesse, nos seguintes aspectos: caráter e valores morais; conceito de cidadania; consciência ecológica; valores de família; respeito aos educadores (pais, avós e professoras); ordem e disciplina; cultura e conhecimento; incentivo ao estudo como caminho para o sucesso e espiritualidade. O site tem o caráter filantrópico e educativo, sem fins lucrativos.
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    Atenciosamente, João José da Costa, Escritor.

  • Pimentel disse:

    Parabéns! Tenho muito orgulho por ter participado dessa história a mais de 20 anos na antiga Sucam, depois FNS lutamos muito, tratando muitos prainhenses de malária e o que mais nos deixa feliz é que a mais de 5 anos esse povo não sofre mais com essa doença que deixava muitos pais de famílias acamados, por que o nosso esforço não foi em vão. Parabéns povo acolhedor que nos trataram e tratam ainda muito bem os funcionários que trabalham e moram nesse importante município do oeste do Pará .Parabéns a todos e que Deus abençoe a Cidade de Pra unha.