
por Rômulo Viana (*)
Sem mais delongas: qual a importância que o escritor Inglês de Souza tem para a cidade de Óbidos? É importante perpetuar esse sentimento de orgulho por se ter um conterrâneo que ao lado de Machado de Assis, e tantos outros literatos, fundou a Acadêmica Brasileira de Letras?
Calma, caríssimo leitor, vamos às explicações.
Recentemente, em rede social, um edil da Câmara de Vereadores de Óbidos fez uma enquete, em sua página pessoal, pedindo a opinião de seus (e)leitores quanto a uma proposta sua de homenagear o centenário de morte de Herculano Mrcos Inglês de Sousa.
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A proposta consistia na substituição do nome atual de uma rua por Avenida Inglês de Souza.
O resultado, como já previsto, foi uma total negação da proposta. Mas isso não é o maior agravante. O que causou perplexidade mesmo foi ler comentários dizendo que não há mais necessidade de homenageá-lo (o pouco que já se fez basta).
Ou comentários questionando o que Óbidos vem a ganhar com isso?
Por outro lado, também vale ressaltar que a pesquisa revelou que os munícipes sabem quem foi Herculano Marcos Inglês de Sousa. No entanto, será se essas mesmas pessoas também sabem quem foi Luiz Dolzani (pseudônimo com o qual assinava suas obras)?
Não basta apenas saber quem foi inglês de Sousa: é preciso conhecê-lo. É preciso valorar sua obra.
Diferentemente do que muitos pensam, não é porque Inglês de Souza viveu poucos meses em Óbidos (tudo indica que ele foi embora com apenas 4 meses de idade, conforme cronologia de Vicente Salles, no livro História de um Pescador), que sua representatividade deva ser menor.
Aliás, não é o tempo que ele morou aqui o balizador para medir o quanto ele possa ser importante para a cidade, e sim o seu legado literário-cultural que tomou Óbidos como a grande inspiração para o conjunto de sua obra.
E ouso dizer mais: diante da escassa historiografia do município a obra inglesiana configura-se como documento histórico-social (leia-se a descrição da cidade feita por ele em nota no livro O Cacaulista).
Herculano Marcos Inglês de Sousa habita num mundo de notáveis escritores mundiais. É de se perpetuar sim o sentimento de alegria por ter sido ele um exímio escritor naturalista nascido no interior da Amazônia.
Só que mais que isso é preciso redescobrir sua obra. Demonstrar sua importância para os munícipes (só se valoriza aquilo que se conhece).
É preciso, acima de tudo, torná-la lida. Ter exemplares na biblioteca pública e nas escolas. É preciso demonstrar que essa literatura inglesiana faz parte da cultura da cidade tal como a cultura do Carnapauxis, a cultura material arquitetônica dos casarios e as muitas manifestações artísticas espalhadas pelo município.
Que neste ano de centenário de morte do autor possamos celebrar o seu legado. E para tanto defendo a realização de uma grande programação literária (festival de literatura, concurso de contos, poesias…) como também a instituição da medalha Inglês de Souza destinada para pessoas que se destacarem no campo das artes e principalmente da literatura. E ao invés de trocar o nome de uma rua por que não renomear algum prédio público com o nome do nosso exímio escritor obidense?
Fica aqui a humilde opinião de quem lê e estuda a obra inglesiana. E que, além disso, orgulha-se em morar na mesma cidade em que nasceu um dos maiores escritores da nossa literatura.
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* É servidor público federal e ativista cultural em Óbidos. escreve regularmente neste portal
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Por novas lembranças imagéticas
Não vejo motivo para nesvosismo . Fiz o comentário sobre a missão atrbuida a vossa senhoria pelo sr. Emanuel. Apenas isso.
Não me referi ao seu texto, até porque expressa transcrição histórica, nenhum pensamento pessoal.
Mas quero elogiar a memória telepatica de um garoto de 4 anos de idade.
Com descrições tão reais, culturas e costumes. Enfim.
Inglês de Souza foi um homem iluminado, mesmo a décadas de onde ” nasceu” conseguiu de forma fictícia e atemporal descrever e imortalizar sua terra.
Há controvérsias.
Santa ignorância.
Não fale besteira. Literatura não morre. UFPA já republicou Coronel Sangrado. A ACOB tendo a Professora Idaliana Marinho e outros sempre mantiveram acessa a chama da cultura e literatura, principalmente de Inglês de Souza.
Ainda nem entrou no ônibus e ja quer ficar na janela.
É cruel.
Daqui a pouco ele acha o ovo se Colombo. Ou do Inglês de Souza.
Rsss.
Aponte-se a santa ignorância presente no texto? E elenque as besteiras aí ditas.
Na verdade, a UFPA republicou não somente Coronel sangrado, como também O Caucalista, Os Contos Amazônicos e História de um pescador – Scenas da Vida do Amazonas (este último raríssimo de se encontrar ).
Quanto a querer ser mais que os outros fique tranquila que essa não é a intenção. O objetivo é gerar reflexão e contribuir com a cultura de uma forma geral.
Vim para somar e não para dividir
aponte-se a santa ignorância e enumere as besteiras ditas no texto?
Não vim para dividir; eu vim para somar.
gosto muito de Inglês de Sousa… meu tcc da ufpa foi sobre uma de suas obras… acredito que vc fará um ótimo trabalho e não vejo nada de ignorância em suas palavras!
ah.. ainda acredito que ele visitava óbidos sim!
mas quem garante que Inglês de Sousa durante sua vida toda não visitava Óbidos? como explicar seu detalhismo puro da cidade em suas obras? vamos valorizar um dos melhores escritores do Brasil….
O questionamento é interessante, Hilma. Mas é consenso entre os pesquisadores de Inglês de sousa a afirmação de que ele depois que saiu de Óbidos ainda criança nunca mais teria retornado à Óbidos. Quanto ao detalhismo da obra inglesiana Vicente Salles afirma que isso se deve ao que o seu pai lhe contava: “Inglês de sousa deve, portanto, ter reconstituído o mundo amazônico pela ótica e pela memória dos pais”
A missão de resguardar a obra de Inglês de Sousa está sendo iniciada por você.
Vamos contribuindo a nossa maneira