Paulo Lima, professor universitário, sobre o post Nhambu: da caça ao homem ao linchamento:
Aproveito para lembrar também que algumas emissoras locais e o SBT Nacional ainda não entenderam o trabalho da Campanha pela Ética na TV (https://www.eticanatv.org.br/). A campanha tem o mote de “quem financia a baixaria é contra a cidadania.”
O fato de exibir essas cenas, como o blog lamentavelmente também o fez, pode levar a leitura da naturalização dessas atitudes, estimular a vingança e a justiça com as próprias mãos.
A conquista do horário de programação e o respeito ao que as crianças devem ver na TV deveria ter sido respeitado. Ou concordam que na hora do almoço devemos ver cenas de barbárie, de espancamento, de completa ausência respeito às leis?
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E a família do rapaz? Por mais que ele seja um criminoso ele já estava preso, sua punição estava assegurada. A família que um dia teve aquele rapaz como uma criança precisa ser exposta aquelas cenas?
Estamos de acordo com a idéia de que “bandido bom é bandido morto?”.
Me parece que é mais do que chegada a hora de darmos um basta ao sensacionalismo no jornalismo na nossa televisão. É preciso saber tratar a notícia mas não vender a violência como produto jornalístico.
O princípio de Liberdade de Imprensa faculta o direito de um jornalista desempenhar seu trabalho sem o “fantasma” da censura.
Todavia, importa lembrar que existe uma regulamentação do CNJ que determina a faixa de horário que os programas devem ir ao ar em função do conteúdo que exibem.
Essa regulamentação parece não ter efeito sobre a “imprensa marrom”, e o país encheu-se desse tipo de programação, principalmente na programação local de diversas cidades e diga-se de passagem, com cenas inadequadas em função do horário em que vão ao ar.
Com relação a veiculação da matéria em questão pela TV Ponta Negra, está de parabéns a emissora pelo aspecto de denúncia da reportagem, apesar de pecar pelo horário inadequado em que exibiram sem cortes as cenas de linchamento.
Cabe agora a responsabilidade a todos os demais veículos de comunicação, cobrarem através de contínuas reportagens, o desfecho Legal do ocorrido. Ou seja: mostrar o trabalho que está sendo (se está sendo) feito pelas autoridades competentes com relação a clara omissão de um policial em específico, que deu ordem aos demais fardados para não intervirem. Esse cidadão sim, pode-se entender tenha sido o verdadeiro “algoz” nesse caso em particular.
É clara a imagem de que um dos policiais ia cumprir com seu dever como agente da Lei e intervir na situação, mas foi “cutucado” pelo colega que faz ainda um sinal do tipo: “deixa pra lá… vamos por ali”.
Também fica evidenciado nas imagens, que em nenhum momento qualquer um dos policiais ali presentes foi coagido ou sofre ameaças da população.
O objeto a ser julgado nesse momento não pode e não deve ser em nenhuma hipótese a TV Ponta Negra ou seu jornalismo sensacionalista, mas com certeza aquela comunidade é que precisa ter suas atitudes medidas. Precisam ganhar a consciência de que todos ali foram cúmplices em um crime idêntico ao que o executado havia cometido.
Estão portanto, à medir pela sua própria forma de agir, sujeitos à mesma pena que impuseram de forma covarde ao agora “injustiçado” Nhambu.
Uma grande pena!!!
Parabéns Professor, muito bom comentário … chega de jornalismo sensacionalista onde se vende a barbaridade como sobremesa para o almoço.
Isso tudo tem a ver com o “tudo pode” que o país está vivendo. Começa muito acima do alcance do cidadão comum. Quantos processos de pessoas poderosas caducaram? Quantos processos de políticos e outros “manda chuvas” estão engavetados pelo nosso Judiciário, a um passo de caducarem? Quantos bandidos de alta periculosidade, mas que tem muito dinheiro sujo, são presos e soltos por este país fora? E assim, escala social abaixo, bandidos de todos os matizes vão negociando. São presos e soltos. Os de saidinhas de bancos, os menores assaltantes matando para comprar um Tenis de Marca, as mulheres bonitas e até velhas em quadrilhas. E as vezes, os grupos de Direitos Humanos defendendo somente um lado. Quantas vezes bandidos de alta periculosidade são afagados por defensores dos Direitos Humanos, mas, por outro lado quantos policiais e outros defensores da leis são mortos e esses mesmo defensores não prestam a mesma solidariedade? As famílias invadidas por Leis que às proíbem de melhor encaminhar seus filhos, como a Lei da Palmada. O Estado Laico acabando com tradições que ajudavam na formação do caráter e freiavam comportamentos – sem entrar na parte negativa, que percentualmente era pequena. Hoje, agredir professor nas escolas – isso não era assim – é muito comum. Agredir colegas em tenra idade e até assassinar colegas é curriqueiro. Nas ruas, grande parte dos jovens de hoje são desrespeitadores dos direitos alheios. As agremiações praticam abertamente atos que ferem o direito de outros – torcedores, sindicados, associações de classe, as vezes informais -. O pior de tudo isso: As perspectivas do futuro são as piores possíveis. Só uma conscientização da maioria poderia começar a mudar.
Grande Paulo,
De fato, uma coisa é jornalismo, que informa, educa e nos faz progredir em conhecimento. Outra coisa é o sensacionalismo (por vezes até velado) que nos induz a um estado de barbarie ou de redução das relações humanas a um BBB da vida, o que é triste.
É bom que as universidades e as entidades organizadas promovam maior debate e não deixem calar o tema…