Da ex-professora da UFPA e Ulbra em Santarém Francisca Barros, sobre o post UFOPA abre o 2º concurso para professores:

Este concurso da UFOPA está realmente de acordo com o calibre dessa Universidade.

Vejam o total destrambelhamento que é o requisito para a disciplina Lógica, Linguagens e Comunicação, cujas áreas de conhecimento são: 1. Interferências dos meios de comunicação e conhecimento; 2. Discurso e coerência; 3. Semiótica e interdisciplinaridade; 4. Comunicação e argumento; 5. Mídia, linguagem e comunicação; 6. Lógica e computadores; 7. linguagem, filosofia e comunicação; 8. Lógica e linguagem cotidiana; 9. Lógico-semântica da comunicação verbal; 10.Lógica e linguagem.

O requisito? Ter título de Mestre em Filosofia, Comunicação Social, Letras, Computação, Sistemas de informação, Matemática, Ciências Naturais, Ciências, Jornalismo, Estatística e áreas afins.

Estou delirando ou, segundo o edital regulador desse concurso, alguém com título em sistema de informação, matemática, computação, estatística e “afins” pode ensinar esses temas, que são específicos do curso Letras???? O único tema não especifico deste curso é o 6. Lógica e computadores!!!

Esses cursos “afins”, ao que parece, pode ser qualquer, já que foram reunidos como requisitos de inscrição formações tão distantes, do filósofo ao matemático. E isto para ensinar, no fim de tudo, Língua portuguesa…

Depois dessa, qualquer palavra minha é desnecessária. Mas faço questão absoluta de assistir às provas desse concurso. Nada será mais patético do que ouvir um mestre em matemática, estatística ou em sistema de informação tratando de semântica, de discurso e de coerência.

Longe vai o tempo em fui professora no Curso de Letras da UFPA e da ULBRA. Foram longos anos na especialização e no mestrado estudando Discurso e Semântica.

Perdi a chance de discutir esses temas com os colegas das exatas.

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15 Comentários em: Ex-professora critica concurso da UFOPA

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  • Válber Almeida disse:

    Francisca, em verdade, o curso de letras aí da UFPa de Santarpem sempre foi meio “avacalhado”. Lembro-me de uma professora de literatura que, quando abria a boca, demonstrava não saber literatura; ia contextualizar historicamente a produção literária e demonstrava não conhecer história. Era uma verdadeira “porra louquice” a aula dela. Mesmo assim, considerava-se uma grande intelectual, e tinha até seguidores, fã-clube, dentro do curso. De fato, como acadêmica era um fracasso, mas era uma excelente puxa-saco, assim como boa parte da tietagem que a enaltecia. Será se não são esses tipos de intelectuais universais, de sábios, que estão por trás dessa potencial picaretagem? Detalhe, sempre foi muito comum, principalmente num reinado não muito distante de um famoso ex-imperador do campus, as questões acadêmicas serem decididas conforme interesses ou conveniências políticas, principalmente para a formação de um exército de reserva de puxa-sacos. Será se os tempos da monarquia estão de volta aí por essas bandas do mundo?

    1. Naiiza Balatal disse:

      Valber, Onde tu concluistes o Curso de Letras?

  • Morfil disse:

    Excetuando “excessão”, que retifico por ‘exceção’, ratifico o post.

  • Morfil disse:

    Meu comentário também não se dirige às origens das ciências. E, se o faz, é de modo incidental. O fundo de meu comentáro deixa ver a reserva que tenho às posições que pretendem levar ao extremo a compartimentalização do conhecimento. Como se na vasta floresta do saber fosse, realmente, verdade que os humanos pudessem se comprazer com apenas um galho, em vez de pular de um em um, explorando o vasto território à volta, como o faz nosso aparentado macaco, essa espécie de sábio arborícola que parece ter aprendido a lição de não quedar-se diante da árvore da ciência, cujos frutos uns são do bem e outros do mal.
    Contra a maré ensurdecedora de um mal acabado discurso interdisciplinar produzido nos guetos acadêmicos, que em seu produto final acaba por ensejar uma auto-limitação ao infinito espírito humano, é vã qualquer tentativa de argumento, pois apenas produzirá outro tanto, ao infinito.
    O que irá sempre prevalecer, ao final, por sua concludência e decisão, é o peso testemunhal da experiência de cada um na construção de seu próprio saber. E que será tanto mais eficaz na medida mesma em que invista contra o exemplar, apressando seu retorno à morada única da excessão!

  • Francisca Barros disse:

    Cara Alessandra

    Eu realmente não me referi a sra. quando me mencionei a pesquisa, de modo algum… nem me ocorreu isso… Fiz referência a um dado real para justificar um posicionamento pessoal.

    Eu não acho que a profissão de professor seja avacalhada. Eu tenho é plena convicção disso, por isso é que sou “ex” professora. Basta mencionar que o salário de um mestre é o mesmo de alguém com ensino médio no TRE, por exemplo, e o salário de doutor é o mesmo de alguém com ensino médio na Polícia rodoviária, ou menor.

    Aí podem dizer, como já ouvi que o magistério é uma tarefa divina; que é um dom ser educador; que ser professor é formar todas os outros profissionais, e outras falácias

    Bem, em todo jogo de interesse sempre haverá um perdedor… Ma sinto que essa discussão não é minha. Isso realmente não me diz respeito.

  • Alessandra disse:

    Morfil tem razão. Concordo contigo.

    1. Francisca Barros disse:

      Cara Alessandra,

      Pretendo rever minha opinião a respeito do caso, baseada no seguinte raciocínio. Direito faz parte do chamado núcleo das Ciências Sociais. O profissional com esse Curso superior é um “operador” do Direito. Uma paciente com traumatismo craniano e fraturas múltiplas chamada Alessandra é homem. O homem faz parte da sociedade. Portanto, um advogado poderá “operar” você.

      Se advogado é doutor e doutor é médico, logo advogado é médico. Que tal? Cômico, não é?

      De outro modo, não conheço nenhuma mulher que, tencionado fazer um exame preventivo do colo do útero, procure um padeiro. Há menos que as intenções sejam outras. Nem um homem que, desejando fazer um exame de próstata, procure um pedreiro, salvo se for alguma fantasia sexual.

      Resumindo. Toda profissão séria é desempenhada por alguém com formação compatível. A de professor, como é “avacalhada”, todos podem desempenhar, basta não ser analfabeto. Pode-se ensinar qualquer coisa sobre tudo.

      Pesquisa divulgada há poucos meses pela Revista Época revelou que cerca de 30% das pessoas com curso superior no Brasil são analfabetos funcionais. A considerar tanta condescendência com o absurdo, a tendência é piorar. Diplomem-se os analfabetos!!!!!!

      É necessário ainda, responder por que temos um dos piores sistemas educacionais do mundo???

      1. Alessandra disse:

        Professora Francisca, não vou alimentar a discussão proposta pela senhora. Os chavões usados pela senhora para abrir seu texto me causaram alergia. Mas gostaria apenas de esclarecer a minha aparição aqui.

        Minha observação se deu não pelo que solicita o currículo ou edital da Ufopa mencionado pela senhora, mas por saber que há outras instituições de ensino federal com editais abertos como o destacado. Logo, não é exclusividade dessa universidade nem daquela. Também porque penso que tal edital não tenha sido feito por uma pessoa louca, alucinada e criança.

        Discordo que a profissão de professor seja avacalhada. Lamento pelos que assim vêem. Há outros problemas na profissão.

        Felizmente, tive excelentes professores e professoras com formações variadas: como um que era engenheiro, com mestrado em filosofia e doutorado em comunicação. E outro que era biólogo com mestrado em comunicação e doutorado em ciências sociais. A senhora pode não acreditar, mas essas pessoas existem e muitas vezes têm a mente mais aberta que os especialistas³ em uma área apenas.

        Mas vou pedir uma reavaliação dos meus exames acadêmicos. Pode ser que eu seja uma analfabeta funcional mesmo e tenha entendido tudo errado.

  • Cláudio Renato disse:

    ops ! Estamos tendo aula

  • Duval Dutra disse:

    Doutores e mestres com graduação inicial em letras e artes habilitem-se. Caso contrário, tem muito especialista que dá show de bola nessa área. Lógica, linguagens e comunicação, necessariamente, não precisa ter formação na área de letras. Na verdade, por exemplo, a comunicação não é só linguagem escrita ou falada. Conheço pedagogos, filósofos, matemáticos entre outros que podem tranquilamente e sem medo de ser feliz, dar essa disciplina. A graduação é o início das titularidades acadêmicas, o campo do conhecimento é vasto e não pode ser limitado ao medo.

  • disse:

    Por favor, algum candidato tem que entrar com mandado de segurança contra esse concurso. A Francisca tem razão: estão querendo um ‘especialista em variedades’ para dar aulas em vários cursos, que são completamente diferentes entre si. Já pensou: um cara de matemática dando aula de ‘mídia’ para o curso de Jornalismo, ou um professor de Letras dando aula de Lógica e Computadores para o curso de Sistemas de Informação?!!!!! A maior probabilidade é de que ninguém passe nesse concurso. Ainda que o cara seja doutor na área dele, ele desconhecerá tecnicamente algumas outras áreas. Cito um exemplo: pode ser doutor na área de Lógica Computacional, mas desconhecerá completamente a lógica da mídia na propaganda.

  • Morfil disse:

    Também concordo que, se é para ministrar aula de Língua Portguesa, o cruso de formaoo deve ser o de Letras, com a habilitação adequada. E não é esse o caso previsto pelo edital.
    O que parece é que já está se prevendo germes de futuros cursos, como o de Filosofia e outros e, nesse caso é comprensível a abrangência dos temas propostos.
    Em todo caso, Linguagem, Conhecimento. Teoria da Informação, Semiótica, Semântica, Discurso são comuns a várias ciências. Não é exclusivo nem tem origem nas Letras
    A Semântica nasce, efetivamente, com os estudos inicados pelo filósofo alemão Gottlob Frege, em sua tentativa de coferir uma base lógica para aritmética. E, portanto não há contradição em gente com formação em filosofia e matemática ministrarem cursos com esse conteúdos. É o contrário: a excessiva complexidade dos sistemas formais lógicos e matemáticos parece oferecer bastante dificuldade aos das humanidades.
    E, pela mesma razão, não vejo contradição em filósofos e matemáticos ministrarem aulas de semiótica, dadas as bases lógico-matemáticas do sistema peirceano.
    A revolução lógico-matemática do final do século XIX para o XX, realizada por filósofos e matemáticos, principamente, proporcionou um salto no conhecimento nas mais diversas áreas, em especial na Linguagem, Psicologia, Sociologia, Direito,
    Não é à toa que, em Filosofia, antes marcada pela temática da Ontologia e do Conhecimento, oriundos do período clássico e medieval, respectivamente, foi substituído pelo tema da Filosfia da Linguagem, guindada à Semântica, como irá requerer a Filosofia Analítica, de base lógico-matemática.
    Nas turmas de mestrado e doutorado, em Filosfia, sempre estão presentes alunos de outros cursos, até mesmo os de Letras, aqueles que têm realmente interesse em se aprofundar no assunto.
    Para um olhar parcial, sei o quanto espanta saber que temas e conteúdos que parecem ser exclusivos de seus objetos de estudo têm sua origem em fontes insuspeitas.
    Fica a liçõa de Descartes (1596-1650) nas Regulae ad directionen ingenii (regras para a direção do espírito):
    “Na verdade, como todas as ciências não são mais que sabedoria humana, a qual permanece sempre a mesma e idêntica, qualquer que seja a diversidade dos assuntos a que se aplica,deles não retirando mais distinções do que a luz do Sol da variedade das coisas que ilumina, não é necessário impor aos espíritos nenhum limite”.
    É assim o ensino superior. Que não é necessariamente satisfeito pela graduação ou mesmo pela pós

    1. Francisca Barros disse:

      É certo que a interdisciplinaridade e um bom nível de cultura geral é importante em qualquer profissão, mas nem por isso eu, formada em Letras, me arrisco a ensinar a Teoria do Caos aos alunos de Física, nem Lógica Binária aos alunos de Sistema de Informação.

      É o popularíssimo “cada macaco no seu galho”.

    2. Francisca Barros disse:

      Caro Mofil,

      Não estou tratando da origem das ciências, como aponta o seu comentário. É claro, e talvez não tão notório, que a Filosofia está na origem da Matemática, da Semiótica, da Semântica e de outras ciências. Certo é também que a Semântica se relaciona à matemática em épocas iniciais do seu estudo moderno e à Filosofia em sua origem. Não é essa a questão.

      A questão é: os alunos de Letras agirão com naturalidade ao entrar na sala de aula um professor formado em Sistema de Informação para ensinar coerência textual?

      Esse tema é muito específico e exige uma parafernália teórica imensa para ser ensinado que, pelo que me consta, não faz parte do conteúdo programático de nenhum dos cursos mencionados a não ser do Curso de Letras.

      Mas quero deixar claro que não me oponho a esse extremismo interdisciplinar. Acho-o apenas meio exótico.

      Agora fiquei preocupada. Já imaginaram o estrago que seria se mandassem um pedagogo dar aulas de Direito Civil? Não… Deixem o exotismo para o Curso de letras

  • Pode não ser, mas a primeira coisa que vem à mente é que isso é feito pra beneficiar algum compadrio, que deve ter esses títulos.
    Pode até não ser… mas pode ser também.