Do acadêmico de Medicina da Uepa (Universidade Estadual do Pará)/Campus Santarém, João Alho Teixeira (foto) sobre o post Médica cubana e questões humanitárias:
O que o eminente doutor disse é o que sempre tento dizer, mas sempre [sou] crucificado como corporativista, interesseiro e mesquinho.
O programa “Mais Médicos” é bom, mas passa por cima de leis e tratados sem escrúpulos.
A solução já está acontecendo: faculdades no interior. 80% dos formados na Uepa Santarém estão trabalhando na cidade ou região. Os outros 20% saíram para fazer residência médica em outro lugar.
É muito provável que a UEPa tenha funcionário terceirizado ganhando salário mínimo quando pelo valor contrato a UEPa para o equivalente a mais de R$ 10.000,00 por esse. E como o mesmo dinheiro gasto com UEPA no curso de medicina para formar esse tiquinho poderia mandar mais 1,000 fazer esse curso em Cuba.
Não esqucer que o fumado do SUS que os médicos brasileiros não querem ganhar dez mil reais para trata-los é quem paga a faculdade gratuita destes mesmos médicos.
O interessante é notar que os mesmos membros da classe média que se apegam à lei para criticar o Programa Mais Médico são os mesmos que, quando lhes convém, associam-se a todo tipo de delito e desvio jurídico padrão para satisfazer seus interesses: o caso da jornalista do SBT que apoiou o uso de crimes para punir criminosos é exemplar do que digo. Claro, nem é preciso ir longe para contestar argumentos tão primaveris, mesmo porque o direito à educação, à saúde, à vida e à dignidade são princípios constitucionais e inerentes ao direito moderno e, portanto, garantidores de outros direitos fundamentais: civis, sociais e políticos. Outrossim, falar em trabalho escravo para se referir ao contrato e ao trabalho dos médicos cubanos no Brasil ou é desconhecimento completo das características antropológicas, sociológicas, econômicas, históricas e jurídicas deste tipo de relação de trabalho, ou é mera forçação de barra ideológica, ou é mera repetição pirateada de frases de efeito de outras pessoas que sabem muito bem do que estão falando e com quais propósitos. A classe média brasileira, onde reside a classe médica”, é uma classe acéfala e sem identidade de classe. Grande parte de seus membros constitui um seguimento periferizado e colonizado pela ideologia da classe dominante e, por isso, serve como uma espécie de caixa de ressonância dos entulhos ideológicos produzidos por quem, realmente, detém o poder no Brasil, aqueles que, em Ciência Política, chama-se o poder real, os verdadeiros “donos do poder”, que formam o grande capital do país. É esta classe média que dá sobrevida e amparo ao podre poder real brasileiro. Os membros deste poder real, que costumamos chamar de “elite quatrocentona”, ou seja, senhores de escravo, costumam criticar e tentar impedir toda e qualquer política social voltada para minorar os sofrimentos da patuleia. O argumento que usam, sempre, é de que tais políticas não atacam as raízes, as causas da pobreza, da miséria e dos problemas sociais, isto é, numa linguagem religiosa que repetem como papagaios de pirata, “não ensinam a pescar”. Porém, estas mesmas elites monopolizaram por cinco séculos o controle do Estado no Brasil e nunca implementaram as reformas sociais necessárias para “ensinar o povo a pescar”, isto é, para garantir a integração social das massas socialmente desintegradas do sistema econômico e social. Ademais, são estas mesmas elites que sustentam, por meio dos seus meios de comunicação oficiais e do seu poder financeiro, lobbies poderosos nos Congressos e Tribunais de Pindorama voltados para promover o fracasso de toda e qualquer política social e impedir toda e qualquer “reforma de base” (urbana, fiscal, política, agrária, bancária) necessária para tirar Pindorama do atraso monumental no qual se encontra em termos de desenvolvimento social, econômico, político, tecnológico e democrático. São os membros da classe média brasileira que, comumente, as quatrocentonas convocam ou contratam para fazer o trabalho sujo que lhes convém: médicos, juízes, advogados, engenheiros, militares, intelectuais, jornalistas, professores etc., pessoas oriundas da classe média baixa ou das camadas pobres da população que encobrem ou executam os atos de atrocidade necessários para a manutenção do Status Quo bizarro no qual vivemos. É um grupo que compõe uma classe de doutores sem doutorado, ou melhor, de doutores com diploma de bacharelado, herdeiros da “república dos bacharéis” e que costuma dar uma sobreimportância imensa para o título que possui porque isso serve como instrumento de legitimação das ignorâncias, selvagerias e atrocidades que patrocina: seus crimes, ideias e atitudes selvagens são, facilmente, convertidos em ações civilizatórias elevadas porque são praticadas por “doutores”. Claro, como doutores-graduados, que se reservaram o nicho de poder de fazer o trabalho sujo, estes filhos da classe média costumam rosnar, ofender e violentar os verdadeiros doutores, como os médicos cubanos, que passam por doze anos de formação e estudam Sociologia, Ciência Política, Antropologia, História e Filosofia, além da formação básica dos “doutores” brasileiros, que estudam o básico da biologia, da química, da anatomia e da fisiologia humana. Bourdieu cunhou o termo habitus para descrever o conjunto de valores, visões de mundo e subjetividades que adequavam (adaptavam) o indivíduo à classe social da qual descende e à estrutura social, a fim de garantir a reprodução social, isto é, a reprodução das desigualdades, das injustiças e da estratificação social nas sociedades capitalistas. O habitus, deste modo, é um instrumento de poder, porque é alimentado e implica na manutenção de uma estrutura de dominação e segregação social que serve à perpetuação de privilégios de certos grupos e classes em detrimento de outros ou outras. Em outras palavras, o habitus é o enraizamento da violência simbólica no coração e na alma das pessoas; isto é, o habitus é o que naturaliza as desigualdades e as injustiças, e o que torna, para as classes populares, a dominação e exploração algo imutável, e, para as classes privilegiadas, uma dádiva, um direito sagrado e uma bênção. Por isso, toda e qualquer iniciativa que mova o jogo neste tabuleiro de xadrez das desigualdades e injustiças, no Brasil, é sempre trabalhado, pelas nossas quatrocentonas e seu exército médio de “trabalhadores sujos”, como uma afronta à justiça, à sociedade naturalmente injusta (por isso, boa) e às leis de Deus (por isso, sagradas). Por fim, quanto à questão da liberdade, ninguém está proibindo a liberdade dos “doutores” de pedir refúgio político em nosso país. Eu, no lugar de Dilma, concederia, pois acho, mesmo, que o regime cubano, por todos os ganhos civilizatórios (ideológicos, culturais e sociais) que possui, não vai desmoronar como um castelo de cartas se a ele forem incorporados os direitos civis de forma ampla.
1- Classe rica que se preza não paga imposto e a pobre não tem de onde tirar. Então que nos final das consta paga o seu salário?
2 – Como não você se encontra aqui e sem que sua família esteja em Cuba nas mãos de um regime tirano, fica muito simples você falar que todos os médicos cubanos estão super contentes com toda situação.
3- O maior de todos os sonhos petista, ganhar o governo de SP, não depende de outro profissional, mas de um médico
5 – Devias também era lembrado de que o Brasil hoje tem condições de pagar até salário razoável para professor de universidade por ter acumulado riqueza com a escravidão
Vc. nunca enfrentou uma fila do SUS, não sabe quanto custa um kilo de carne nem o preço de um pão, graças a Deus que nasceu em uma família de posse onde sempre teve tudo o que quis, mais a faculdade da vida vai lhe ensinar com quantos paus de faz uma jangada, é só esperar.
E dai? Estás com inveja?
Nada a ver… E daí se ele tem recursos? O cara esta certo. Ao inves de 20, a uepa deveria oferecer 50 vagas.
Esta médica cubana não pertence aos médicos importados de Cuba para atuarem no programa mais médicos que foram acusados pela oposição e pelo conselho federal de medica de incapazes e incompetentes?
Se são incompetentes merecem ganhar bem?
Ou só médicos incompetentes podem ganhar bem inclusive receber proposta de emprego do conselho de medicina?
A melhor saída já que a classe médica e oposição estão preocupados com o salários , não seria deixa-los médicar particulamente para aumentar suas rendas e terem o visto permanente desde que cumpram os seus horários na rede púbica?
Pera lá… Se ela merece receber só uma mereça, por que cargas d’água o governo cubano fica com 90 por cento do salário que o Brasil paga para cada medico cubano? Por que os outros governos – potuguês, venezuelano, peruano, colombiano, etc – não confiscam o grosso do salário de seus compatriotas que vieram para o Mais Médicos? Por que só Cuba? Por que o contrato do Brasil com Cuba foi classificado como secreto e seus termos só serão conhecidos daqui a 50 anos?
Por que a oposição também acusa os portugueses e demais de incompetentes, por isso estão ganhando muito, incompetência é incompetência em qualquer país, a oposição tem de reclamar dos autos salários dos portugueses e demais ou esta suposta solidaridade e pura safadeza.
João Alho teixeira, tudo o que fizerem, até esse “programa mais médicos,” é pouco pra quem não tem nada. Você, como filho de pessoas de posses, que nunca precisou entrar na fila do SUS, sabe disso.
Posse de compreensão textual é pra todos. Falei que o programa é bom e tem ideais bons. Temos que resolver esse problema que bem conheço, pois vejo diariamente a tal fila.
Dei a deixa para parte da solução.
Não podemos esperar que uma turma de médicos se forme para termos atendimento médio. Quem está doente tem pressa. E pressa de viver. Sua solução está longe de ser solução…
O problema é apenas tentar solucoes a curto prazo. A medicina cubana é uma merda. Bem verdade que é melhor um medico cubano do que nenhum, mas há de se concordar que é necessario investir na educacao no interior. Mais vagas aqui e em outras cidades do interior é uma otima saida.
João, qualquer um que diga que o Governo Federal não é o melhor do universo é escrachado. Não se tolera o contra-ponto, a oposição, o contra-argumento. Se falamos dos “Mais Médicos”, somos “mesquinhos, interesseiros”; do porto cubano construído com nosso dinheiro, “capitalistas insensíveis”; dos mensaleiros, “golpistas da elite”. Segundo os defensores do atual governo (e do anterior), vivemos na Suécia – mas nem todos perceberam isso ainda.
O contrato dos médicos cubanos, sabe-se agora, é intermediado por uma tal de “Sociedade Mercantil Cubana Comercializadora de Serviços Cubanos” o que deveria ser investigado, pois não se sabe para onde vai o dinheiro arrecadado. Há desconfiança na oposição de que parte desse dinheiro volta para os cofres petistas, o que seria uma maneira de financiar um caixa dois para as eleições.
Do Blog do Merval Pereira, em O Globo:
“Somente agora apareceu o “gato” desta relação de trabalho escravo que o Brasil mantém com Cuba, para traficar seres humanos para trabalharem em condições degradantes. Por trás da organização “laranja”, a OPAS, Organização Panamericana de Saúde, havia uma firma “mercantil” e “comercializadora”. O contrato, finalmente, veio à tona. Agora resta saber quem são os sócios desta empresa cubano-brasileira. Que los hay, los hay!”