Contraponto do(a) leitor(a) que se assina Mofil ao post Ex-professoara critica concurso da UFOPA:

Também concordo que, se é para ministrar aula de Língua Portguesa, o curso de formação deve ser o de Letras, com a habilitação adequada. E não é esse o caso previsto pelo edital.

O que parece é que já está se prevendo germes de futuros cursos, como o de Filosofia e outros e, nesse caso, é comprensível a abrangência dos temas propostos.

Em todo caso, Linguagem, Conhecimento, Teoria da Informação, Semiótica, Semântica, Discurso são comuns a várias ciências. Não é exclusivo nem tem origem nas Letras. A Semântica nasce, efetivamente, com os estudos inicados pelo filósofo alemão Gottlob Frege, em sua tentativa de conferir uma base lógica para aritmética. E, portanto não há contradição em gente com formação em filosofia e matemática ministrarem cursos com esse conteúdos.

É o contrário: a excessiva complexidade dos sistemas formais lógicos e matemáticos parece oferecer bastante dificuldade aos das humanidades.

E, pela mesma razão, não vejo contradição em filósofos e matemáticos ministrarem aulas de semiótica, dadas as bases lógico-matemáticas do sistema peirceano.

A revolução lógico-matemática do final do século XIX para o XX, realizada por filósofos e matemáticos, principamente, proporcionou um salto no conhecimento nas mais diversas áreas, em especial na Linguagem, Psicologia, Sociologia, Direito,

Não é à toa que, em Filosofia, antes marcada pela temática da Ontologia e do Conhecimento, oriundos do período clássico e medieval, respectivamente, foi substituído pelo tema da Filosfia da Linguagem, guindada à Semântica, como irá requerer a Filosofia Analítica, de base lógico-matemática.

Nas turmas de mestrado e doutorado, em Filosfia, sempre estão presentes alunos de outros cursos, até mesmo os de Letras, aqueles que têm realmente interesse em se aprofundar no assunto.

Para um olhar parcial, sei o quanto espanta saber que temas e conteúdos que parecem ser exclusivos de seus objetos de estudo têm sua origem em fontes insuspeitas.

Fica a lição de Descartes (1596-1650) nas Regulae ad directionen ingenii (regras para a direção do espírito):

“Na verdade, como todas as ciências não são mais que sabedoria humana, a qual permanece sempre a mesma e idêntica, qualquer que seja a diversidade dos assuntos a que se aplica,deles não retirando mais distinções do que a luz do Sol da variedade das coisas que ilumina, não é necessário impor aos espíritos nenhum limite”.

É assim o ensino superior. Que não é necessariamente satisfeito pela graduação ou mesmo pela pós.

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