Do jornalista Jota Ninos (foto), a propósito do post Retrovisor. Pachequinho, Jader e Moura Palha:
Raimundo Barbosa Pacheco é talvez um dos políticos mais injustiçados da recente história de Santarém. Pouca gente lembra que depois de conseguir sua eleição como vereador pelo antigo MDB nos anos 1970, quebrando a hegemonia de votos de outros políticos locais, Pachequinho entrou para a história como 1º vereador do PT, no Pará, filiando-se em 1981 ao partido que começava a ser organizado em Santarém.
Pachequinho integrava, à época, o grupo liderado pelo ex-sindicalista Mário Bezerra Feitosa, presidente do Sindicato dos Tecelões (que congregava uma categoria que seria extinta anos depois, a dos trabalhadores da Tecejuta).
Esse grupo tinha ainda o ex-gerente da Gráfica Tiagão, Gonçalo Feitosa (irmão de Mário), Dinaldo Castro Pedroso, o popular “Nal” e outros membros ligados à igreja e ao incipiente movimento ambientalista já então liderado pelo padre Edilberto Sena, que tinha como principais pupilos, entre os jovens que liderava através da antiga Pajusan (Pastoral da Juventude de Santarém), os atuais professores da Ufopa Socorro Pena e Everaldo Portela.
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Pachequinho poderia ter se tornado um líder ainda maior, mas teve sua carreira interrompida exatamente dentro do PT, por ficar no meio do tiroteio entre os grupos que disputavam a hegemonia do partido em Santarém ainda no processo de formação do PT.
Enquanto do lado de cá reuniam-se jovens influenciados pelo padre Edilberto [Sena], do lado de lá outro movimento sindical com origens na zona rural crescia forte sob a liderança dos ex-freis Geraldo Pastana e Ranulfo Peloso (irmão de Milton, Pedro e Rita), além de frei Rainério responsável pela ascensão de lideranças sindicais na Transamazônica como os irmãos Ganzer (Avelino e Valdir) e eo ntão jovem Airton Faleiro.
O choque entre os dois grupos aconteceu durante a primeira convenção do partido, em junho de 1981, quando duas chapas se confrontaram pela liderança do partido.
O sindicalistas rurais tinham maior número de filiações e a vitória parecia certa, mas as longas distâncias entre as localidades do interior acabaram sendo favoráveis aos eleitores de Feitosa, Edilberto, Pachequinho e Cia: um barco com filiados que vinha da região do Tapajós encalhou e não chegou a tempo de trazer dezenas de eleitores da chapa de Pastana, que acabou perdendo a presidência para Feitosa por apenas 6 votos (um parêntesis: esses mesmos seis votos que faltaram a Pastana naquela eleição, faltaram para o candidato de Oti Santos, o Juva, derrotar o sindicalista em sua primeira eleição para prefeito de Belterra, em 2004!)!
Mas se os grupos eram rivais, havia uma concordância entre ambos: na eleição de 1982 (que só não elegeria prefeito e presidente da República) Pachequinho seria imbatível nas urnas para ser eleito o primeiro vereador do PT em Santarém, ele que já era líder de si mesmo.
Aí teria surgido um plano sórdido que o próprio Pachequinho confessa em rodas menores: um falso telegrama assinado pelo presidente do PT nacional, Luis Inácio Lula da Silva implorava que Pachequinho não fosse candidato a vereador e sim a deputado federal para ajudar o partido, e com a promessa de que ele teria todo o apoio da cúpula municipal, estadual e nacional. Pachequinho acreditou e desistiu de uma vaga certa na Câmara Municipal para tentar um voo federal.
Mas o apoio petista não só não veio como conseguiram inviabilizar a candidatura do futuro deputado, por não entregar sua documentação correta no cartório eleitoral.
Só aí Pachequinho percebeu a trama na qual havia sido envolvido. Com a traição deixou o PT e foi organizar o PDT, onde seria traído mais tarde pelo ex-arenista Cezar Sarmento, que o tirou da presidência e ao morrer passou ao cetro a um desconhecido Osmando Figueiredo que até hoje é o dono da legenda, praticamente expurgando Pachequinho do partido.
A falta de visão dos dois grupos e a ganância de eleger um Feitosa ou um Peloso para a Câmara Municipal em 1982, determinou a primeira derrota fragorosa do PT nas urnas municipais: nenhum de seus candidatos foi eleito, apesar de bem votados. Tanto Mário Feitosa quanto Milton Peloso poderiam ter sido eleitos se tivessem um “puxador de votos” como Pachequinho, mas a miopia petista naquele início de organização impedia arranjos pragmáticos como os que são feitos hoje pelo PT, para eleger dondocas da sociedade que nunca tiveram qualquer relação social com movimentos populares.
Depois da primeira derrota, Pastanas, Pelosos e Ganzers (PPG, como alguns chamavam o grupo, que se autodenominava Corrente) defenestram os Feitosa e os Sena da direção do PT. Feitosa foi pro PMDB, elegeu-se vereador e foi até presidente da Câmara, mas terminou sua história política como o primeiro ex-vereador preso por crime eleitoral em Santarém (fraude no 1º plebiscito de Mojuí dos Campos).
O PPG se dividiu com os Peloso formando outra tendência, Pedro foi vereador e depois superintendente do INCRA e chegou a ser preso na Operação Faroeste, liderada pelo deputado federal Roberto Faro, mas foi inocentado, e Milton já tentou se eleger umas cinco ou seis vezes, sem sucesso. Osmando foi preso na mesma operação que Pedro e também foi inocentado recentemente, mas a ausência dos dois no primeiro governo de Maria do Carmo por causa de suas prisões, acabou deixando surgir um novo monstro político petista, o “faraó” Everaldo Martins Filho que criou a Martilândia no PT.
Pachequinho caiu no ostracismo político, mas talvez tenha se deliciado em ver que aqueles que o traíram no passado, tropeçaram em suas próprias bazófias…
Nossa! Que história vergonhosa desses “artistas circenses” da política santarena. Pouco me interesso por política, mas diante de tantas frustrações eleitorais, acho-me no direito e dever de atualizar-me no que tange sobre esse universo horrendo de mentiras, afinal vem eleição por aí e me vejo obrigada a investigar, ler mais e mais a respeito dos políticos em “destaque” em nossa sociedade. Parabéns pela reportagem! Vamos dar um basta a esses “trapezistas” que passam de mão em mão o poder e nunca caem na rede (malha) de fato;Vamos reparar alguns erros do passado!
Gostei do texto Jeso, você conseguiu elencar os personagens e fatos importantes da história do PT em Santarém .
Júlio, o texto é de autoria do jornalista Jota Ninos. Parabéns a ele. Concordo com vc.
se esse povo que esta no poder tivesse consequido tudo que queria em 64 pra onde estariamos mandando nossos medicos para serem escravisados agora?
Parabéns pelo artigo. Embora o PT tenha se tornado farinha do mesmo saco, decepcionando os que acreditavam em seu discurso e sua ética, talvez ainda seja o único no qual podemos nutrir, por menor e desconfiada que seja, uma esperança. Justamente pelo empenho de seus militantes e pelas várias tendências que acomoda, que o torna vivo e, de fato, inserido na sociedade e capaz de se refazer. Dos outros partidos , pessoalmente, não tenho nenhuma esperança, infelizmente.
Meu amigo, no outro dia você começou a nos contar essas histórias, ainda que com leves pinceladas, mas não chegamos nesse particular. Fantástica essa resenha histórica de um tempo de lutas do ‘histórico e verdadeiro’ PT, nos recordando que, naquele tempo, algumas pequenas sementes de joio já existiam aqui também, e que tanto cresceriam destruindo todo um “Partido dos Trabalhadores”.
J, acho que o candidato a vereador foi o Gonçalo. E o Pachequinho entrou em desgraça por ter apresentado na Câmara votos de louvor a Polícia Militar enquanto a mesmo instituição trazia amarrado no fundo de um barco o companheiro Raimundo Nonato, la do São Siríaco, após uma luta por terra la na Vila Amazonas. Mas gostei muito do texto. Naquela época tive 900 votos.
Tomara que esse partido seja extinto e vire uma página da história tenebrosa desse País.
Me desculpe discordar de você Emanoel Viana Junior. Tenebrosa foi a ação de outros partidos à época da ditadura e que mesmo assim não foram extintos, apenas mudaram de nome ou mantém pessoas que comungam dos mesmo ideias e circulam por outras legendas partidárias.
Os erros de um partido não podem servir para se querer sua extinção pura e simples. Ela pode se dar automaticamente, se o partido não tiver mais quem acredite nele, o que eu acho não ser o caso do PT. A democracia implica em que todas as tendências tenham a oportunidade de se organizar em grupos partidários. Diferente disse é ditadura, fascismo.
Apesar dos erros do PT, o partido é responsável por uma grande contribuição na democracia brasileira, em alguns momentos positiva, em outros negativa. Poucas legendas no país tem essa envergadura histórica. O partido só precisa reconhecer seus erros e tentar reencontrar o caminho trilhado inicialmente.
Outros partidos de esquerda também perderam sua essência e alguns ainda mantém ideais, às vezes até de forma sectária. Assim como há os partidos de centro e de direita, que continuam com suas bases fisiológicas e seus ideias conservadores. Nem por isso acho que devam ser extintos. É o voto da sociedade, mais esclarecida, que poderá mudar o quadro partidário do Brasil.
Ou o PT volta às origens ou deve mesmo ser extinto, pois sua passagem pelo poder foi mesmo tenebrosa no bojo do mensalão, aloprados, sanguessugas, etc.
Não fale ladade dos avôs do petismo, Golbery lá do inferno é todo orgulho em ver Sarney, Renan, Maluf, etc,, todos petistas de carteirinha.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk”arranjos pragmáticos como os que são feitos hoje pelo PT, para eleger dondocas da sociedade que nunca tiveram qualquer relação social com movimentos populares”.kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Ana, longe é o tempo em que o PT era apenas um partido rural ou de sindicalistas. A realidade hoje é totalmente diferente.
Aquele petismo que perdia todas sempre foi uma maravilhas até para a esquerda sofredora. A vantagem das dondocas é nunca perder, faz o que preciso for, mas o para gastar no final de semana tá garantido.