Do professor doutor Anselmo Colares, sobre o post Revolução civil anunciada:
Com um misto de esperança e de realismo, procuro, pelas palavras, dar forma aos sentimentos que percorrem meu corpo e circundam minha alma na véspera do dia que mudará para sempre a história do Pará.
Digo isto porque, não tenho dúvidas, qualquer que seja o resultado (já afirmei isso antes aqui em outro texto) o Pará vai estar dividido. Melhor que isso aconteça e seja torne explícito.
Hipocrisia é falar de uma unidade falsificada, forjada desde as suas origens. Éramos e continuamos a ser “tribos” diferentes. Temos costumes e hábitos próximos, mas não iguais. E não há necessidade alguma de que venham a ser. Mas a diferença não nos torna inimigos. Pelo contrário, sendo ela afirmada, fortalece o respeito mútuo e passa a estar em sintonia com o princípio da autodeterminação.
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O que vai mudar – não tenho dúvidas – é o modo como as populações desse imenso Pará distante do seu epicentro (Belém) vão tratar as relações com os seus governantes. O povo gigante vai despertar! O tiro vai sair pela culatra. Quem pregou um Pará grande que se prepare para cuidar dele em toda a sua dimensão, como ele (sua população) merece e tem direito.
Pensando em amanhã, lembrei-me de uma das letras do nosso consagrado compositor Chico Buarque, e fiquei a pensar como ela se encaixa neste contexto em que esperamos por esse novo dia. E como algumas passagens podem ser aplicadas com muita propriedade para os neocolonizadores que se fazem presentes entre os partidários do Não.
No passado, negaram o direito a existência e a liberdade, matando ou escravizando os legítimos donos destas terras. Hoje novamente negam estes direitos. E quando aparecem as pesquisas nos veículos comandados pelas elites políticas e econômicas, os defensores do SIM ficam temerosos, mas não perdem as esperanças, porque “Amanhã vai ser outro dia”.
[…]
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
[…]
De fato, os inventores do Estado grande, no passado e no presente, não passam de latifundiários escravocratas. Dá pena ver como tantas pobres criaturas que são as primeiras vítimas desses algozes com eles fazem coro em torno desse Não que nega a vida, que nega a liberdade. Mas, podemos beber na fonte da poesia e manter a esperança pois,
“Apesar de você, Amanhã há de ser outro dia
[…] Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar? […]
Como escrevi no início, não tenho dúvidas de que o gigante vai despertar, e vai cobrar caro por estes muitos séculos de subordinação:
“Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Esse samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
De “desinventar”
Você vai pagar, e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
[…]
Esta letra que é um hino à liberdade conquistada contra o que parecia invencível, pode novamente embalar outra causa. Vou continuar a citar outros trechos, os quais parecem premeditados para a causa emancipacionista do nosso Tapajós:
[…]
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
Antes do que você pensa
[…]
Seja qual for o resultado das urnas, o Tapajós vai se fazer presente como um Estado de fato. Os números vão confirmar que esta causa está enraizada na população sofrida e esquecida, e tem respaldo na esperança por um futuro que seja construído de forma autônoma. Tapajós SEMPRE.
Texto muito bem estruturado por isso não perdemos nas urnas porque somos TAPAJÓS SEMPRE!!! Nosso desejo histórico continua e cada vez mais fortalecido. Um abraço e tudo de bom para o sr. Professor Anselmo.
Bonito teu texto Anselmo, chega a emocionar. Parabéns.
Caríssimo Professor Doutor Anselmo Colares, torço e espero que o SIM ganhe! Apesar de entender que o resultado do plebiscito deveria se definir por percentuais. Assim, por exemplo: se 80% dos que moram na região do Tapajós votassem SIM e 55% dos que moram no Pará votassem NÃO, o SIM seria vitorioso. Afinal, não podemos contar por cabeça pois os de lá são maioria e fica uma luta de Davi contra Golias, desigual e injusta, muito mais porque os que só deveriam esclarecer tomaram partido. É emblamática a postura do Sr. SIMNÃO Jatene. Lembro que não devemos esquecer do que esses políticos fizeram e, nas próximas e nas futuras eleições, negar nosso voto àqueles que tiveram essa postura prejudicial a nossos anseios, mostrando que só governam mesmo para Belém e entorno. Bom, como sugestão, se o resultado nos for desfavorável, a Frente Tapajós deveria incentivar que criássemos símbolos que identificassem nossa autonomia e expressassem nossa insatisfação, como faz a Catalunha. Deveríamos, por exemplo, criar cores que nos identificassem e sugiro o VERDE/AMARELO dos nossos Tapajós e Amazonas que deveriam ser as cores dominantes das casas, barcos, muros e tudo o mais. Os que optassem por cores diferentes, hasteassem uma bandeira com essas cores até nas vendas de açaí. Aliás, principalmente nestas, para mostrar que realmente é um anseio popular e não tem nada de movimento de elite. Uma música, que poderia ser a que o senhor cita, a ser tocada em todo e qualquer evento, como torneios espotivos, festas, devendo ser divulgada e cantada por todos. Nós que moramos fora da área do Tapajós, deveremos fazer nosso endereçamento excluindo o nome Pará. Seria, por exemplo, Oriximiná/Brasil; Juruti/Brasil e assim por diante, eis que os Correios se guiam pelo CEP. Enfim, criar símbolos que nos identificassem como TAPAJOARAS, mostrando a todos que não gostamos que nos chamem de paraense. FELIZ NATAL E UMA ANO NOVO TAPAJOARAMENTE AZUL,
Respeite-se a visão do autor dessa postagem, mas entendo que ela tem conteudo emotivo e claramente visando os aplausos dos simpatizantes da causa separatista. Com esse objetivo, nenhum reparo a registrar.
Não concordo, porém, com uma colocação que tem sido repetida por muitos de que o habitante da área do Tapajós tem hábitos e costumes diferentes de quem mora em Belém e isso ser motivo relevante de separatismo. Por similaridade de opinião, nós do Norte temos hábitos e costumes diferentes dos nossos irmãos do Sul e, nem por isso, temos que esquartejar o Brasil.
Quem me conhece, sabe que sou nascido em Alenquer, fiz o curso ginasial em Santarém nos anos 50, trabalhei por anos em empresas que tinham interesses na região, como sabem que meu umbigo está entre Alenquer e Santarém, onde tenho muitos amigos e conhecidos.
Portanto, mesmo não tendo nenhuma mensuração técnica para aferir e dizer que os estudos que apontariam a viabilidade de emancipação e criação do Estado do Tapajós, posso opinar que não acredito é nessa pleiade de políticos envolvidos com o movimento separatista.Já demonstraram a que vieram e suas vidas pregressas são o cartão a demonstrar que não são confiáveis.
Hoje, penso eu, não é a ocasião…. um dia vai chegar e a divisão vai ocorrer.
Hoje, penso eu, devemos é mudar a cabeça dos nossos gestores, eleger quem tenha comprometimento com TODO O ESTADO e não por conveniências político-partidárias. Esses cultivadores da oração de São Francisco ( é dando que se recebe) não deveriam mais merecer a confiança do eleitor.
Acabo de ler uma abordagem do Lucio Flavio Pinto, em outro blog de Santarém, em que ele foca esse movimento separatista e aponta sugestões que, se adotadas, seriam um começo para um novo Pará unido, forte e grande, como todos queremos. E Lucio, sendo santareno e talvez o maior de todos os estudiosos da Amazônia, é contra o separatismo.
Não era agora a ocasião e, por culpa de meia duzia de oportunistas, é possivel que o sonho do Estado do Tapajós não seja para as nossas gerações.
O tempo e a história vão mostrar no anos futuros quem tinha razão.
Diga-me qual é o estado que não tem político envolvido em escândalos de corrupção. Falo dos governantes atuais ou ex de todos os estados brasileiros. E ministros de estado também.
São Paulo? Rio de Janeiro? Rio Grande do Sul? Quem sabe o Pará?
Portanto, “essa pleiade” de bons políticos e de boa reputação não existe, meu caro. Ou para vc a vida pregressa de um Jader e sua família, Almir, Mário Couto, Jatene, Paulo Rocha, Duciomar, etc, demonstra serem políticos confiáveis? Parece que sim, para vc. E a esses faz-se muito bem confiar a administração de um estado, menos aos políticos de outras regiões do Pará por que são “separatistas”.
Agora mesmo acaba de ser publicado o livro “Privataria Tucana” com provas incontestáveis envolvendo a “pleiade” de lideranças políticas nacionais que conduziram o País na década de 90 e nos quais talvez vc confie.
Meu caro, apesar dos políticos que em nenhum lugar vc irá encontrar os de seus sonhos e nem eu os dos meus sonhos, o interior precisa urgentemente de adminstração pública, que adote políticas que dê à população o mínimo de cidadania e dignidade.
E o nível em que se encontra a degradação humana e social da população, com muito trabalho seria resolvido por três estados. Com um estado, é impossível resolvê-la, principalmente se lembrarmos das patéticas palavras do governador Jatene no JN da Globo de semana passada: “o nosso problema é a falta de recursos”.
Quanto ao Lúcio Flávio Pinto, depois da briga com os verdadeiros donos do poder no Pará, ele perdeu o rumo. E essa recente manifestação dele a respeito da criação do Tapajós e do Carajás, mostra que como jornalista, não conseguiu “ler” o que acontece há muito no Oeste do Pará e na região de Carajás. Ou se leu achou conveniente tomar o partido de sua já esquálida clientela. Falo dos raríssimos leitores de seu Jornal Pessoal, que cada dia fica mais pessoal.
Para finalizar, o seu “não era agora a ocasião”, me desulpe, é risível. Se não agora, bem que a hora poderia ser depois de a terra se encontrar totalmente arrasada. O que, diga-se, não falta quase nada para acontecer.
Parabéns Professor,
Belíssimo texto!