Acordei às gargalhadas. Por Alessandra Helena Corrêa

Diziam os gregos que das três formas de amor, Ágape, Philia e Eros, o único que nós, humanos, não somos capazes de cultivar é o primeiro.

O amor genuíno do criador pela criatura. No entanto, os clássicos da antiga Era, numa tentativa de ilustrar esse sentimento transcendental, usavam as mães como referência humana que é capaz de nutrir essa ligação. Incondicional; invencível e unilateral.

Alessandra Corrêa

Não sabemos se todas as mães de fato sentem esse amor, mas com toda a certeza muitos de nós nos sentimos assim amados pelas nossas progenitoras.

A legibilidade do cuidado espontâneo dessas mulheres por nós, filhos, transborda para todos os âmbitos da nossa existência.

Quando não a temos, surge um sentimento de incoerência existencial; a palavra saudade, tão superestimada pela sua grandeza, torna-se insuficiente para descrever aquilo que manifesta-se dentro de nós.

A partir daí, surge uma constante busca de solidificar sua presença através de fenômenos de naturezas abstratas que materializam a figura materna. Foi assim, que numa madrugada crepuscular, minha mãe ressurgiu em mim de forma onírica.

 

Talvez os sonhos sejam uma extensão da nossa existência, e é lá que podemos viver os “impossíveis” e mais esdrúxulos desejos.

Desejei seu riso, mãe; e o tive por uma fração de segundos. Pude ouvi-lo; senti-lo… Vê-lo. Você não sorria, você musicalizava a minha realidade; você não sorria, você acariciava meus ouvidos. Não, você não sorria, fazia minha alma dançar na pura melodia das tuas gargalhadas. Rimos juntas…

Logo, acordei! Estava rindo. O sonho sobrepujou a realidade. Saboreio a sensação; agradeço a Hipnos e a Morfeu. Volto a dormir.

Ópio sagrado.

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— * Alessandra Helena Corrêa, santarena, é graduada em licenciatura plena em Letras (Ufopa). Faz mestrado atualmente em Estudos Literários, Culturais e Interartes na Universidade do Porto, Portugal, onde reside. No Instagram: @alehhelena.

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