O amor não tem gramática. Por Alessandra Helena Corrêa

Não há gramática para o Amor.

Amo-te. Te amo. Amo você.

Não importa o uso do pronome, importa é que haja a quem se amar.

Namorar com o José. Namorar o José.

Alessandra *

As duas formas são possíveis. O importante é que o José, seja ele o namorado ou a companhia com quem se namora, aprecie o deleite.

A regência do verbo não desqualifica o sentimento, nem muito menos o torna genuíno.

Rotular o vocabulário do amor é tolher a sua existência. É impedir a democracia de amar.

A gramática dita regras para expressarmos o que queremos dizer.

 

Nela podemos encontrar várias maneiras de dar forma ao abstrato:

Uma hipótese pode tornar-se uma realidade. Uma ordem, um pedido. Uma ação futura, um momento presente.

Você pode qualificar o seu amor: Eu amo a Ana, que é bela.

Ou o ser amado: Eu amo a Ana que é bela.

Com a gramática você pode reforçar ao sujeito amado que é a ele que aquele amor pertence – hiperbolizar o amor: “amo-te a ti”.

Às vezes os pleonasmos fazem-se necessários.

E se no entanto o seu amor ainda tiver dúvidas da grandeza daquilo que você sente, na maneira como o sente, rebusque a escrita. Deixe seu amor confuso.

 

“Mesoclíse” o sentimento:

Amar-te-ei nas quatro estações.

Os clichês definem o Amor. Conjugam o verbo amar.


* Alessandra Helena Corrêa, santarena, é graduada em licenciatura plena em Letras (Ufopa). Faz mestrado atualmente em Estudos Literários, Culturais e Interartes na Universidade do Porto, Portugal, onde reside. No Instagram: @alehhelena.

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