Ri alto: mistérios de um sonho impetuoso. Por Alessandra Helena Corrêa

Vocês devem pensar que tenho alguma cisma com os sonhos, mas de fato é ao adormecer que sou invadida pelos sentimentos mais diversos e intensos que à nossa realidade cabem.

Devo pertencer ao Universo das ideias.

Alessandra *

Talvez eu assuma meu heterônimo ao sonhar. (Desculpa, Fernando Pessoa, não tenho a vossa maestria de concebê-lo em versos ou palavras.)

Mas por que relatar a transcendência da minha existência?

Talvez porque assim eu consiga compreender a vossa. Pretensão? Invasão de privacidade? Humm … É provável. O ser humano está, realmente, de forma constante, sujeito aos maus hábitos de convivência.

 

No entanto, dizia eu, é na tentativa de descobrir a mim própria, revelar uma alma inexistente, mas que ganha forma no sobressair das noites e no despontar dos oníricos sonhos, que a instável natureza emocional do Homem passa a fazer sentido para mim – e espero que para vós.

Divagações….

Uma Existência duplicada. Há quem a manifeste na própria realidade. Até várias em um único dia. Basta que lhe seja útil, necessário.

A minha – utópica talvez – não tem autorização contratual do Sistema que aqui vigora para coexistirmos.

Revelar uma identidade que se atreve a gargalhadas desconcertadas em meio a sonhos disparatados? Audácia!

Insight!

Mas a que conclusão chegamos com essa breve reflexão autoimune? Que, afinal, somos mais de um! Somos muitos. Diversos! Heterônimos ou pseudo identidades?

 

Depende:

Sua “outra” face faz-se conhecida na busca da concretização de interesses? Ou surge, sem cautela, no grito vulgar de uma alma sem espaço para os rótulos do contrato social?

Instáveis…


* Alessandra Helena Corrêa, santarena, é graduada em licenciatura plena em Letras (Ufopa). Faz mestrado atualmente em Estudos Literários, Culturais e Interartes na Universidade do Porto, Portugal, onde reside. No Instagram: @alehhelena.

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